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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Lição 10- Jesus e o Dinheiro - 07.06.2015


Abordagem de Conteúdos da Lição 10 EBD CPAD - 2. Trimestre 2015
Lucas 18.18-24 

Reflexão: As Escrituras não condenam a aquisição honesta de riquezas, e, sim, o amor a elas dispensado.


Até bem pouco tempo, ninguém poderia imaginar que o nome “Jesus”, o carpinteiro de Nazaré, pudesse se tornar uma mercadoria valiosa. Ninguém poderia imaginar também que ele fosse transformado em uma das marcas mais rentáveis do mundo. Jesus, que já era vendido em lojas de suvenires, foi transformado com grande sucesso em mercadoria literária, podendo ser encontrado praticamente em todas as livrarias.

O comércio da autoajuda é o que mais tem crescido e que mais tem lucrado com esse comércio em torno de Jesus. Tenho em mãos alguns desses títulos: Jesus, o homem mais sábio que já existiu; Jesus, o maior filósofo que já existiu; Jesus, o maior psicólogo que já existiu; Jesus, o maior líder que já existiu; Jesus, o mestre dos mestres; Jesus, o mestre da sensibilidade; Jesus, o mestre da vida; Jesus, o mestre do amor, Jesus, o mestre inesquecível e Jesus, o milionário de Nazaré.

Quem poderia imaginar, por exemplo, que aquEle que certa feita disse não ter onde pousar a cabeça fosse transformado em o “milionário de Nazaré”? Esta é exatamente a proposta da escritora Catherine Ponder, uma das autoras de autoajuda mais lidas no mundo, quando escreveu o seu livro O Milionário de Nazaré. 

As informações sobre Ponder dão de conta que ela é considerada a mais notável autora sobre prosperidade nos Estados Unidos. E informado também que a mesma escreve sobre o assunto há quase vinte anos, e tem inúmeros livros publicados, incluindo o best-seller As Leis Dinâmicas da Prosperidade. Ela também escreveu a série Os Milionários do Gêneses.

Como Ponder transformou um simples carpinteiro no milionário de Nazaré é explicado ainda na introdução do seu livro. Para ela os Evangelhos estão repletos de ouro! Jesus, portanto, não teria sido apenas um homem que fez milagres e que tinha suas orações respondidas. Pelo contrário, ele também foi um mestre que, depois de compreender e assimilar as leis mentais e espirituais de prosperidade as usou e ensinou de uma forma nunca vista antes.

De acordo com Ponder, Jesus “parecia saber que parte de sua missão em se tornar o Salvador do mundo seria livrar a humanidade de suas crenças errôneas sobre a limitação financeira, sendo esta uma necessidade espiritual. O fato de ter ousado ensinar os princípios espirituais da verdadeira abundância foi parte de sua grandiosidade”. 

Ainda segundo ela esses princípios foram seguidos pelos primitivos cristãos a ponto de serem os primeiros crentes considerados prósperos. Se hoje essa não é mais a ideia que se tem sobre os cristãos, a culpa é da igreja medieval que impôs a mentalidade da pobreza nos cristãos. 
Na sua análise a “verdade próspera é que, como filho de Deus, ser pobre é um pecado. Enriquecer e prosperar são direitos espirituais de todos”.Catherine Ponder está convencida de que “Jesus certamente não era pobre. Na verdade, ele foi um dos homens mais abastados a pisar em nosso solo, pois sua riqueza estava em seu interior e exterior. 

Uma mente surpreendente capaz de transformar água em vinho do mais fino sabor, de multiplicar pães e peixes quando desejava para alimentar milhares de pessoas, de ressuscitar os mortos e de curar todos os tipos de males não pode ser considerada pobre — especialmente se tais serviços de valor incalculável fossem prestados nos dias atuais! Se um homem tivesse o dom de fazer surgir dinheiro da boca de peixes para pagar suas contas, ou de fazer surgir grandes cardumes nas redes de pescadores onde antes não havia nada, seria considerado um multimilionário no cenário econômico atual”.

As palavras de Jesus: “Eu vim para que tenham vida, e tenham plenamente” (Jo 10.10) recebem novo sentido no entendimento de Ponder — significam que Jesus simbolizava a divindade em todos aqueles que não atingem a pobreza, pois todos os homens são também deuses e filhos do altíssimo (SI 82.6; Jo 10.34). Ponder argumenta que “o objetivo da natureza de Cristo em Jesus era ser bem-sucedido e descansar na generosidade divina. O objetivo da natureza cristã de toda a humanidade é servir de instrumento para o sucesso e a abundância”.

Na análise dessa autora, essa é a principal mensagem do Antigo Testamento e também repetida no Novo Testamento, pois a Bíblia é o livro mais importante que já foi escrito sobre prosperidade. Segundo essa autora “além da salvação, os assuntos mais frequentemente encontrados nas sagradas escrituras são dinheiro, oferendas, liderança e questões financeiras. Podemos ler o termo “ouro” mais de quatrocentas vezes nas suas páginas. 

Na sua análise, há entre trezentas e quatrocentas promessas na Bíblia, sendo muitas delas promessas literais de prosperidade. Possivelmente você considera Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e Josué os maiores líderes espirituais de seu tempo, o que é verdade. Todos eles tornaram-se milionários, fato que descrevo em meus livros: Os Milionários do Gênesis, O Milionário Moisés e O Milionário Josué". 

A autora está convencida de que os milionários de hoje estão longe de se aproximarem dos milionários da Bíblia com seus enormes rebanhos, gigantescas terras, numerosas famílias, além da infinita quantidade de serviçais. Esses fatos fazem-na acreditar que eles viviam uma vida agradável e repleta de lazer que qualquer pessoa hoje em dia acharia difícil manter com os atuais valores.

Ponder resume então o seu pensamento como Jesus passou de carpinteiro a senhor da plenitude, isto é, o milionário de Nazaré:

1. Jesus não era pobre. Foi um dos pensadores mais prósperos que já existiu! Era um mestre no ensino da prosperidade. Tornou-se o Senhor da Plenitude.

2. A natureza de Cristo presente em Jesus simbolizava a Divindade presente em cada um de nós, e que nunca será pobre para que também possamos nos tornar Senhores da Plenitude.

3. O interesse de Jesus pela prosperidade começou em seu nascimento, prosseguiu ao longo de sua vida e foi demonstrado mesmo após sua ressurreição.

4. O ministério de Jesus começou na cidade portuária de pesca de Cafarnaum. Sendo os peixes símbolo de leis de crescimento, Cafarnaum era considerado um local de prosperidade física e metafísica.

5. Na época de Jesus, os pobres eram desprezados. A pobreza era considerada maldição ao passo que a riqueza era tida como bênção espiritual.

6. Jesus aprova a riqueza obtida honestamente. Não hesitava em usar seus mais profundos poderes para promover a prosperidade na terra.

7. Através de seus diversos ensinamentos de prosperidade, Jesus ressaltava as boas novas sobre a plenitude: que ninguém precisava esperar o futuro para colher as bênçãos da vida; que todos poderiam obtê-las naquele momento.

8. Enfatizava-se bastante a prosperidade nas Igrejas Primitivas. Apenas séculos mais tarde, e por razões políticas, foi pregada às massas a falsa crença que ser pobre significa ser devoto.

9. Jesus nasceu em Nazaré, que representa a trivialidade da mente humana, na qual a Verdade próspera aparece. Jesus, como carpinteiro, simboliza alguém que converte ideias e pensamentos em algo visível conforme a necessidade. Ao conhecermos tais métodos, poderemos vivenciar uma maior abundância e felicidade — exatamente o que o termo “milionário” significa.

10. Eis um dos primeiros segredos do milionário de Nazaré: o nome “Jesus Cristo” tem o poder de moldar a rica substância do universo em bens definidos e visíveis. Ao ser mencionado, move as forças que podem trazer resultados prósperos a nossas vidas.

Qualquer leitor da autoajuda pode notar a grande semelhança existente entre os ensinamentos de Ponder e o que está escrito em O Poder do Subconsciente de Joseph Murphy e principalmente em O Poder do Pensamento Positivo de Norman Vicent Peale. De fato na biografia de Ponder, lemos que ela é ministra da Igreja não denominacional Unity desde 1956 e que também é tida como a versão feminina de Norman Vicent Peale. Peale é considerado uma espécie de guru da autoajuda evangélica americana. Dentre os inúmeros livros escritos por Peale, há também um dedicado a explicar os ensinamentos de Jesus: 

O Poder Positivo de Jesus. Tive contato com esse tipo de gênero literário ainda nos anos 80 quando um amigo me emprestou as obras de Joseph Murphy e Norman Vicent Peale. As mensagens desses livros são de fato fascinantes, recheadas de ilustrações e exemplos de pessoas que deram certo ou que foram até mesmo curadas de doenças incuráveis graças ao poder da mente.

Algumas perguntas são inevitáveis: Jesus era de fato um milionário que Ponder insiste em afirmar que era? Jesus incentivou as pessoas a serem ricas e terem muito dinheiro? Qual de fato foi a relação de Jesus com o dinheiro? Ele era o milionário de Nazaré ou um simples carpinteiro que como os demais camponeses de seu tempo lutaram pela sobrevivência? Não há como não contrastar o “Jesus” da autoajuda com o Jesus, o homem perfeito, apresentado nos evangelhos.

O “Jesus” rico, próspero, milionário capaz de transformar pedra em ouro não surgiu dos ensinos dos evangelhos mas dos ensinos de Phineas Parkhurst Quimby, um adepto do mesmerismo e um dos primeiros proponentes do Novo Pensamento.

De acordo com a Enciclopédia virtual Wikipedia, Quimby era filósofo, hipnólogo e inventor que desenvolveu o ensino de que a doença se desenvolve na mente do homem por falsas crenças, e que a mente aberta para a sabedoria de Deus vence a doença. O princípio se baseava no ensino de que o corpo era uma casa para a mente do homem. 

Se havia um “inimigo” instalado no corpo, se dava por uma crença errada da mente, mesmo com o desconhecimento do portador, a mente é quem adoecia o homem. Quimby prometia entrar na casa e com o poder da mente, expulsar o intruso, corrigindo a “impressão errada” pelo restabelecimento da “verdade” na mente.8 Quimby exerceu grande influência sobre Mary Baker, fundadora da Ciência Cristã.

A partir dos ensinos de Quimby, o Novo Pensamento se espalhou como uma febre pela América do Norte. Influenciou pensadores, filósofos, denominações religiosas e pastores como E. W. Kenyon. Foi através de Kenyon, um pastor da Igreja Batista Nova Aliança, que essa crença teve penetração no arraial protestante. Kenyon é considerado pelos apologistas como o pai da Teologia da Prosperidade e teve enorme influência sobre pastores como Dom Gosset e Kenneth Hagin. Por outro lado, foi através de Hagin que a teologia da prosperidade se propagou no meio pentecostal americano e brasileiro.

Quando vemos, por exemplo, um culto neopentecostal sobre prosperidade financeira e aquilo que ensina O Novo Pensamento, não há como não se perceber as semelhanças existentes. Quando um pregador neopentecostal, por exemplo, fala, a voz tem sotaque cristão, mas as palavras são na verdade da Ciência Cristã. Dizendo isso de uma outra forma, o “Jesus” pregado por esses ministros religiosos não é aquEle apresentado no Novo Testamento, mas o que teve origem nas filosofias humanistas. 

A propósito, o sociólogo Ricardo Mariano em seu livro Neopentecostais — sociologia do novo pentecostalismo no Brasil, observa que: “A Teologia da Prosperidade, até pelo nome, parece ser o exemplo perfeito da afinidade entre pentecostalismo e sucesso econômico. Mas nada está mais distante do puritanismo calvinista, exemplo-mor desta afinidade, do que a Teologia da Prosperidade. 

Nas seções ascéticas do protestantismo, a riqueza, quando adquirida no trabalho cotidiano, metódico e racional, constituía, segundo Weber (1991:356), um dos' sintomas de comprovação do estado de graça do indivíduo, ou de sua eleição à vida eterna. A riqueza obtida, porém, era consequência não intencional, não revista, da severa disciplina religiosa do eleito. Disciplina que se manifestava em sua extrema dedicação ao trabalho, que via como vocação divinamente inspirada, e em sua conduta diária, baseada na abstinência dos prazeres e das paixões deste mundo e no desinteresse pelas coisas materiais. 

Na ótica weberiana, a acumulação primitiva do capital resulta, entre outros fatores, justamente da ética puritana, que interditava ao fiel qualquer modalidade de consumo supérfluo. No neopentecostalismo, o crente não procura a riqueza para comprovar seu estado de graça. Não se trata disso. 

Como todos os demais, crentes e incréus, ele quer enriquecer para consumir e usufruir de suas posses nesse mundo. Sua motivação consumista, notadamente mundana, foge totalmente ao espírito do protestantismo ascético, sobretudo de vertente calvinista.”Esse Jesus endinheirado não foi gerado, portanto, do Deus da Bíblia, mas da mente de homens divorciados de princípios cristãos.

Lucas apresenta Jesus, o carpinteiro de Nazaré, não como um milionário, mas como alguém que dependia de donativos de terceiros para poder exercer seu ministério público (Lc 8.1-3). O Jesus bíblico, longe de estimular a aquisição de bens materiais como fonte de satisfação, exortava a se desfazer deles. “Vendei vossos bens e daí esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastam” (Lc 12.33).
Uma Visão Cristã e Secular sobre Bens e Posses
O cristianismo por ser uma crença de natureza escatológica não estimulava a aquisição de posses materiais. Os primitivos cristãos, incluindo os apóstolos, mantinham a expectativa de que Jesus poderia voltar ainda na sua geração. Isso fazia com que a preocupação com a propagação da mensagem do reino se tornasse sua principal fonte de motivação e não o acúmulo de bens terrestres. Acusar as gerações posteriores de cristãos de terem implantado uma mentalidade de pobreza na igreja não condiz com os fatos históricos.

Essa sedução pela riqueza que acabou contaminando a teologia cristã provém de ensinos pagãos e até mesmo de técnicas xamãs e não dos ensinos do Novo Testamento. O apologista Davi Hunt denunciou o que denominou de tentação pelo poder:
“O feiticeiro mascara sua rebelião postulando em lugar do Deus pessoal da Bíblia, diante de quem somos moralmente responsáveis e cuja vontade temos que obedecer, uma “Força” metafísica impessoal que pode ser “cientificamente” manipulada como se explora a energia do átomo. Muitas vezes sem perceber, crentes sinceros aceitam a mesma ideia básica apresentada em terminologia psicológica e pseudocristã. A confissão positiva, bem como o pensamento positivo e o pensamento da possibilidade são exemplos adicionais. 

Em seu livro mais vendido, O Poder do Pensamento Positivo, que vendeu mais de 3 milhões de cópias, Norman Vicent Peale revela o fato de que todo o seu sistema é baseado nesse mesmo alicerce. Ele declara, por exemplo: “O poder da oração é uma manifestação de energia. 

Assim como existem técnicas científicas para a liberação da energia atômica, existem também procedimentos científicos para a liberação de energia espiritual por meio do mecanismo da oração. Demonstrações espetaculares dessa força energizante são evidentes...

É importante perceber que você está lidando com o mais tremendo poder do mundo quando ora... Técnicas espirituais novas estão sendo constantemente descobertas... faça experiências com o poder da oração...”.
Hunt conclui:

“Muitos que alegam querer conhecer a Deus frequentemente não querem conhecer o Deus verdadeiro, mas um deus cujo poder possam usar para seus próprios fins. Os próprios títulos de livros como O Poder Criativo de Deus Trabalhará Por Você, de Charles Capps, e Como Conseguir o que Quiser com Deus, de Kenneth Hagin, parecem dar um tom que se ajusta à fraqueza do homem, não importa quanto material benéfico possa existir neles. 

Nossa ambição egoísta nos cega para o fato de que Deus não é um “gênio da garrafa”, que existe para cumprir nossos desejos sempre que o convocarmos, mas é o Criador de todas as coisas, Ele nos chama para deixarmos de lado nossa insensatez e nos submetermos à sua vontade”.
Ricos e Pobres
No livro de minha autoria A Prosperidade à Luz da Bíblia, procurei mostrar como era formado o conceito de prosperidade no antigo Israel. Esses conceitos estavam em vigor nos dias de Jesus. Eram duas as ideias mais comuns, porém equivocadas, sobre a natureza das riquezas. 

A primeira delas associava a riqueza como uma dádiva de Deus a alguém merecedor, e a pobreza como uma marca do julgamento divino. Uma segunda associava a riqueza com a maldade e a pobreza com a piedade. Essa forma de pensar está presente também no mundo do Novo Testamento. Todavia as causas para a pobreza não podem ser vistas de forma tão simples assim.
O historiador William L. Coleman (1991, p. 165) mostra que um estudo criterioso sobre a pobreza no mundo bíblico deve levar em conta alguns fatores determinantes. Com acerto, ele diz:

“Eram vários os principais fatores que contribuíam para a existência de um grande número de pobres em Israel. É claro que havia muitas variáveis. Mas para entendermos bem o quadro geral, precisamos considerar alguns dos obstáculos com que eles se defrontavam.

1. Impostos. O sistema de impostos constituía um grande peso para muitas famílias, para os pequenos agricultores e negociantes. Durante toda a história da nação, os governos impuseram pesadas taxas ao povo em geral, com o objetivo de realizar seus projetos de construção ou cobrir os custos de suas operações militares. E foi justamente o excesso de impostos baixados pelo rei Salomão que ocasionou a divisão do reino.

2. Desemprego. Nas áreas rurais, a presença de escravos não afetava muito a economia, mas nas cidades sim, pois gerava forte desequilíbrio nos mercados de empregos. Como o preço dos escravos era muito baixo, os ricos chegavam a ter um servo simplesmente para conduzir o seu cavalo. Por isso o homem livre tinha que aprender um ofício, se quisesse conseguir um bom salário.

3. A morte do chefe da família. A perda do chefe da casa, que podia ser causada por enfermidade, acidente ou guerra, geralmente deixava a família na pobreza, principalmente se os filhos fossem pequenos.

4. Seca e fome. Às vezes a própria natureza destruía rapidamente toda a colheita de uma temporada. A seca, o excesso de pragas, ou chuva em demasia fora de época, bem como outras calamidades naturais acabavam com todo o sustento de uma família de uma hora para outra (SI 32.4).

5. Agiotagem. Pela lei, era proibido cobrar juros de empréstimos feitos a pobres (Ex 22.25). Mas apesar dessa recomendação divina, muitos credores tinham atitudes impiedosas, cobrando juros exorbitantes e empregando métodos cruéis para receber o pagamento da dívida. Isso sempre foi um problema grave para os Israelitas, durante toda a sua história, e vários escritores bíblicos denunciaram esses excessos."

Com tantos limites não era de admirar que os pobres se tornassem presas fáceis dos mais ricos. Para se justificarem, os mais abastados costumavam fazer doações, algumas delas bastantes generosas, mas o objetivo não era de fato amenizar a situação do pobre, mas barganhar com Deus. A religião, em vez de cultivar os valores da alma, fomentava apenas um legalismo exterior.

Jesus denunciou essa religiosidade farisaica. Em seu livro Jesus e o Dinheiro, o escritor José Antônio Pagola comenta sobe esse fato. Embora o seu livro reflita traços de um 
evangelho social, de esquerda, todavia seus comentários são pertinentes:

“Temos que recuperar no cristianismo um dado de suma importância. O primeiro olhar de Jesus não se dirige ao pecado do ser humano, mas ao seu sofrimento. O contraste entre Jesus e o Profeta João, o Batista, é esclarecedor. Toda atividade do Batista gira em torno do pecado: ele denuncia os pecados do povo, chama os pecadores à penitência e oferece aos que acorrem ao Jordão um batismo de conversão de perdão. 

O Batista não se aproxima dos enfermos, nem toca a pele dos leprosos, não abraça as crianças da rua, não se senta para comer com pecadores, excluídos e pessoas indesejáveis. O Batista não se aproxima do sofrimento das pessoas, não se dedica a fazer a vida mais humana. 

Não sai de sua missão estritamente religiosa. Para Jesus, ao contrário, a primeira preocupação é o sofrimento das pessoas enfermas e desnutridas da Galileia, a defesa dos camponeses explorados pelos poderosos latifundiários, ou a acolhida a pecadores e prostitutas, excluídos pela religião. Para Jesus, o grande pecado contra o projeto de Deus consiste sobretudo em resistirmos a tomar parte no sofrimento dos outros encerrando-nos em nosso próprio bem-estar”.
NOTAS
1 PONDER, Catherine. O Milionário de Nazaré - seus segredos de prosperidade. São Paulo: Editora Novo Século, 2013.
2 PONDER, Catherine. O Milionário de Nazaré - seus segredos de
prosperidade. São Paulo: Editora Novo Século, 2013.
3 PONDER, Catherine. O Milionário de Nazaré - seus segredos de
prosperidade. São Paulo: Editora Novo Século, 2013.
4 Idem.
5 Idem, ibide
6 PONDER, Catherine. Op.cit.
7 PONDER, Catherine. O Milionário de Nazaré - seus segredos de prosperidade, pp 38-39. São Paulo: Editora Novo Século, 2013.
8 http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Novo_Pensamento. Acesso
26.08.2014.
9 A obra The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements (Novo Dicionário dos Movimentos Pentecostal e Carismático) destaca que “embora ele (Hagin) tenha sido criticado como líder dos movimentos “Palavra da Fé” e "Confissão Positiva” (Hunt, 1987, 56; McConnell, passim), sua mensagem enfatiza a necessidade de orar somente de acordo com os princípios de Deus encontrados nas Escrituras Judaicocristãs” (p.687, BURGESS, Stanley M. org.).
10 Conforme citado em GONÇALVES, José. A Prosperidade à Luz da Bíblia. CPAD.
11 HUNT, Dave & MA.CMAHON, T.A. A Sedução do Cristianismo - discernimento espiritual dos últimos dias. Porto Alegre: Editora Chamada da Meia Noite.
12 A Sedução do Cristianismo. Op.cit.
13 GONÇALVES, José. A Prosperidade à Luz da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD.

14 PAGOLA, Antônio José. Jesus e o Dinheiro. Petrópolis: Editora Vozes.
Extraído do Livro do Comentarista do trimestre:

GONÇALVES, José – Comentarista da Revista do Mestre – EBD CPAD – 2 Trimestre 2015 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

OS PRIMEIROS CONTATOS NO BRASIL.4

ETEADALPE – CURSO DE BACHARELADO – HISTÓRIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS.1
Monitor: Pr. João Barbosa - Capelão
Por insistência de alguns passageiros com os quais viajaram, os missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg hospedaram-se em modesto hotel, cuja diária completa era de oito mil réis. Em uma das mesas do hotel Gunnar Vingren encontrou um jornal que tinha o endereço do pastor metodista Justus Nelson.
No dia seguinte, foram procurá-lo e contaram-lhe o que Deus fizera com eles. Sendo que tanto Daniel Berg como Gunnar Vingren até àquele momento estavam ligados à igreja batista na América, Justus Nelson acompanhou-os à igreja Batista, em Belém, e apresentou-os ao responsável pelo trabalho, Raimundo Nobre. Os missionários passaram a morar no porão da igreja.

Alguns dias depois, Adriano Nobre, que pertencia à igreja presbiteriana e morava nas ilhas, foi a Belém e visitou seu primo Raimundo Nobre, na igreja batista. O encarregado da igreja batista apresentou os missionários à Adriano Nobre, que falava inglês, e ficou interessado em ajudar os novos missionários. Adriano convidou-os, então, a passarem alguns meses nas ilhas.

Certo dia, foi uma surpresa para os moradores do rio Tajapuru a chegada dos missionários em companhia de Adriano Nobre, que tinha propriedades no local. O local em que se hospedaram chamava-se Boca do Ipixuna.

É de supor que os missionários ficassem surpresos com a mudança para as selvas. Os missionários foram morar no mesmo quarto em que morava Adrião Nobre, irmão de Adriano, que naquele tempo ainda não era crente. 

Adrião, mais tarde, converteu-se e contou que ficara impressionado com a vida de oração dos jovens missionários; a qualquer hora da noite que despertasse, lá estavam os jovens orando, a sós com Deus, em voz baixa, para não incomodar os que dormiam.

6. EXPULSÃO DA IGREJA BATISTA – Acolhidos pelos pastores batistas, os dois missionários suecos dirigiam cultos e pregavam na igreja pastoreada por Raimundo Nobre, não fazendo reservas quanto a doutrina pentecostal que haviam aceitado nos Estados Unidos.

Logo surgiram os conflitos doutrinários, precisamente acerca do batismo no Espírito Santo, enfatizando o falar em outras línguas (glossolalia). Por esse motivo no dia 13 de junho de 1911, numa reunião realizada no local onde os dois suecos moravam (o porão da igreja) Raimundo Nobre, pastor da igreja que os recebera e hospedara, expulsou da igreja os dois missionários e com eles os 18 membros que aderiram a doutrina pentecostal.

IV. FUNDAÇÃO DA ASSEMBLÉIA DE DEUS – A partir do momento em que foram expulsos da Igreja Batista, marcaram uma reunião para o dia 18 de junho de 1911 na Rua Siqueira Mendes, nº. 1A, parte velha da cidade, na residência da irmã Celina Albuquerque, para o início da Missão da Fé Apostólica, fundada em 18 de junho de 1911, que mais tarde em 11 de janeiro de 1918, foi registrada oficialmente com o nome de Assembleia de Deus, cujo já era usado desde 1916.

Muitos estavam curiosos para conhecerem a nova doutrina. Houve rejeição por parte de alguns, mas muitos abraçaram a doutrina porque viam nas páginas da Bíblia a confirmação do que era pregado e ensinado pelos missionários estrangeiros.

Aquele pequeno grupo lançou os alicerces da obra pentecostal que irradiou-se a todas as regiões do Brasil. Sem dúvida, o Espírito Santo vivificava os testemunhos e as mensagens, e convencia os não-crentes; era Deus confirmando a obra.

O pequeno rebanho, sem saber, lançou os alicerces do gigantesco Movimento que hoje se estende de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil. Em tudo isso se pode notar a mão de Deus operando através de homens humildes.

A novel igreja agora tinha os movimentos livres para evangelizar a cidade; Podiam eles, assim, pregar a experiência pentecostal e a volta de Jesus. Estavam todos movidos pelo poder de Deus.

1. REPERCUSSÃO – Repercutiram, profundamente, entre as várias denominações evangélicas, os acontecimentos que culminaram com a fundação da Assembleia de Deus. Entretanto, o que mais fortemente impressionava foi a atividade e o zelo dos membros da igreja recém fundada.

No ano de 1911, a história repetiu-se na cidade de Belém, quando alguns ingênuos se dispuseram a combater o pujante Movimento que despontava. Para esse fim, não se olhavam os meios: a calúnia, a intriga, a dilação, tudo era usado contra a Igreja que iniciava suas atividades. Levaram aos jornais a denúncia de que os pentecostais eram uma seita perigosa e que praticavam o exorcismo, enfim, alarmaram a população.

2. REGISTRO DA IGREJA – Em 11 de janeiro de 1918 Gunnar Vingren registrou o estatuto da igreja no Cartório de Registros de Títulos e Documentos do 1º. Ofício em Belém no Livro A, nº. 2 de Registro Civil de Pessoas Jurídicas e outros Papéis, nº. de Ordem 131.448, sob o nome “Estatuto da Sociedade Evangélica Assembleia de Deus”, nº. de ordem 21.320, do protocolo nº. 2, publicado no Diário Oficial do estado do Pará sob o número 766.524. 

Com esse registro a igreja começou a existir legalmente como pessoa jurídica adequando-se aos artigos 16 e 18 do 1º. Código Civil Brasileiro que tinha entrado em vigor em 1º. de janeiro de 1917.

3. COMO SURGIU O NOME ASSEMBLÉIA DE DEUS – O nome Assembleia de Deus foi idealizado em 1912, pelo Pr. Thomas King Leonard, que o dera à sua pequena igreja pentecostal em Findlay, no estado de Ohio. Dois anos depois o Pr. Leonard se uniu as demais igrejas de fé pentecostal e em 02 de abril de 1914, por meio de um Concílio, o nome Assembleia de Deus foi usado para dar nome à nova denominação.

Assim, o novo nome se tornou uma referência para as igrejas de perfil pentecostal. Pouco tempo depois no Brasil, Gunnar Vingren colocaria a proposta de um novo nome em pauta, e os irmãos da nascente igreja brasileira concordaram de mudar o nome de Missão da Fé apostólica, adotado em 19 de junho de 1911, pelos missionários para Assembleia de Deus. 

Este nome já era usado extra oficialmente, desde 1916.

Fontes de Pesquisa:
ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus – Origem Implantação e Militância (1911-1946). Arte Editorial. São Paulo, 2010
SYNAN, Vinson. O Século do Espírito Santo. 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo, 2009
ARAUJO, Isabel de. Dicionário Movimento Pentecostal. CPAD. Rio de Janeiro, 2007

ARAUJO. Isael de. VINGREN, Frida - Biografia de Pioneiros das Ass. de Deus no Brasil. CPAD. Rio de Janeiro, 2014 / SANTOS, Roberto José do. Síntese Histórica Ass. De Deus em Abreu e Lima Pe. 80 Anos – 1908 - 2008

O ENCONTRO DE BERG E VINGREN E A VOCAÇÃO PARA O CAMPO MISSIONÁRIO.3

ETEADALPE – CURSO DE BACHARELADO – HISTÓRIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS.1
Monitor: Pr. João Barbosa - Capelão

 Enquanto o Movimento Pentecostal se propagava por toda a Europa, dois jovens despediam-se de seus familiares, na Suécia, e viajavam para os Estados Unidos, a exemplo de outros, em virtude da crise econômica que se manifestara naquela nação.

A vida, o encontro desses dois jovens e sua posterior chamada são episódios que comovem, inspiram e estimulam a todos quantos deles tomam conhecimento.

Em 1909, Gunnar Vingren e Daniel Berg encontraram-se na cidade de Chicago, por ocasião de uma conferência. Conversaram longamente sobre a convicção que tinham de que, em futuro próximo, seriam missionários onde quer que o Senhor Jesus os mandasse.

Quanto mais conversavam, mais convictos ficavam. Ambos passaram a estudar as Escrituras. Seus ideais, quanto ao futuro, eram idênticos. 

A chamada divina foi confirmada mais tarde, quando se reuniam para orar nesse sentido, não uma vez, mas três dias seguidos. Tratava-se de uma chamada de fé, e só a fé podia conduzi-los à vitória. 

Eles não tinham qualquer promessa de auxílio logístico, quer de igrejas, quer de particulares, mas tinham o coração cheio de confiança em Deus, e isso lhes dava mais segurança do que qualquer promessa humana que acaso lhes fosse feita.

Certo dia, o senhor Adolfo Uldin, que havia conhecido Vingren e Berg, revelou-lhes um sonho durante o qual vira, nitidamente diante de si, o nome Pará, nome de uma cidade em qualquer lugar. Logo Vingren e Berg reconheceram que era a resposta de Deus às suas orações, pois há muito estavam orando para receberem a direção divina.

Interessados, procuraram a biblioteca da cidade para descobrirem onde estaria localizado o nome Pará. Nenhum deles ouvira esse nome antes. 

Depois que se certificaram que o local fica ao Norte do Brasil, não sabiam mais o que fazer. No mapa-mundi, o Pará ficava tão longe de onde estavam que julgaram não ser essa a direção divina.

A melhor forma para conhecer a vontade do Senhor Jesus foi orar: não fizeram outra coisa durante uma semana, dia e noite. Finalmente, Deus lhes confirmou que deveriam dirigir-se ao estado do Pará. Certos da chamada divina, levaram o fato ao conhecimento do pastor e de alguns membros da igreja. 

Estes não se mostraram muito entusiasmados, mencionando dificuldades de clima e não lhes garantindo o sustento; ninguém se prontificou para comprar Bíblias e Novos Testamentos.
1. RUMO AO BRASIL – Quando Daniel Berg se despediu da casa onde trabalhava, seu patrão, além de dizer-se que podia pregar o Evangelho em Chicago, ofereceu-lhe uma bolacha e uma banana. 

Segundo uma antiga crença americana, essa oferta significava que jamais faltaria alimentos para quem a recebesse, o que serviu de conforto para os dois missionários.

Gunnar Vingren e Daniel Berg despediram-se da igreja em Chicago, pois a ordem divina era marchar para onde lhes fora mostrado. A igreja levantou uma coleta para auxiliar os missionários que partiam; a quantia que lhes fora entregue dava exatamente para a passagem até à cidade de Nova Iorque.

Não sabiam como conseguiriam dinheiro para adquirir passagem de Nova Iorque ao Pará. Esse pensamento, parece, não os preocupava, pois eles não se detiveram à espera de recursos. 

A primeira etapa da viagem foi iniciada com oração, na estação da Estrada de Ferro. Antes de embarcarem para Nova Iorque, ante os olhares da multidão, ajoelharam-se, deram graças a Deus, e pediram direção para a jornada e partiram para uma terra que não conheciam.

Chegaram à grande metrópole, Nova Iorque, sem conhecerem ninguém, e sem dinheiro para continuar a viagem. Naquela cidade tudo era grande, majestoso e impressionante. O movimento das grandes avenidas e dos subterrâneos; os edifícios imponentes e mais altos do que quaisquer outros pareciam alheios á missão dos dois viajores.

As multidões apressadas, e as grandes lojas poderiam causar admiração aos dois provincianos recém-chegados, porém não lhes ofuscava a visão da grandeza da missão de que foram incumbidos. Nessa cidade, procuraram, nas principais companhias, um navio que viesse ao Brasil, mas nenhum deles constava nas listas de saída.

Continuaram buscando e descobriram um navio de terceira classe, que estivera nos estaleiros para reparos e por isso não fora incluído nas listas, tendo sua saída marcada para o dia 5 de novembro, com destino ao Brasil.

Não sabemos o que pensavam os dois forasteiros ao contemplarem o esplendor da babel moderna, na expectativa de uma viagem que lhes custaria 90 dólares, e sem terem em mãos essa importância. Supomos que eles, entre aquele vai-e-vem da multidão, oravam ao Senhor que os protegesse e guiasse.

2. PROVIDÊNCIA DIVINA – Caminhavam os nossos pioneiros por uma das ruas de Nova Iorque, quando encontraram um negociante que conhecia apenas Gunnar Vingren. Na noite anterior, enquanto estava em oração, o negociante sentiu que devia enviar certa importância a Vingren. 

Pela manhã, colocou a referida importância em um envelope, para mandá-lo pelo correio, mas logo a seguir encontrou-se com os dois enviados do Senhor Jesus; contou-lhes o que Deus lhe fizera sentir, isto é, que mandara entregar aquela quantia ao jovem Vingren, e entregou-lhe o envelope.

Quando Gunnar Vingren abriu o envelope, quase não podia acreditar; nele havia 90 dólares, exatamente o custo da viagem até ao Pará. 

Aquela oferta de 90 dólares tinha grande significado, não só porque era suficiente para a passagem, mas, também, porque confirmava, mais uma vez, que os novos missionários estavam na vontade de Deus. Não estavam eles empenhados em uma obra de fé? A fé tinha que ser provada, para ter valor. Deus enviou-lhes 90 dólares, nem mais menos do que o necessário, mas o suficiente.

3. A CAMINHADA A BORDO DO NAVIO – No dia 5 de novembro de 1910, a bordo do navio Clement, os missionários da fé deixavam a frígida cidade de Nova Iorque, com destino à cálida cidade de Belém, Pará. 

A missão dos pioneiros se iniciou a bordo, entre tripulantes e passageiros; eles distribuíram folhetos e evangelhos; falaram a Palavra de Deus e testificaram a todos.

Claro está que nem todos aceitaram a mensagem, porém eles tiveram o privilégio de ver um dos tripulantes aceitar a fé pentecostal, o qual mais tarde foi batizado nas águas e com eles, por muito tempo, manteve correspondência. Era o primeiro fruto de sua missão, era 


Fontes de Pesquisa:
ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus – Origem Implantação e Militância (1911-1946). Arte Editorial. São Paulo, 2010
SYNAN, Vinson. O Século do Espírito Santo. 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo, 2009
ARAUJO, Isabel de. Dicionário Movimento Pentecostal. CPAD. Rio de Janeiro, 2007
ARAUJO. Isael de. VINGREN, Frida - Biografia de Pioneiros das Ass. de Deus no Brasil. CPAD. Rio de Janeiro, 2014 / SANTOS, Roberto José do. Síntese Histórica Ass. De Deus em Abreu e Lima Pe. 80 Anos – 1908 - 2008

O AVIVAMENTO PENTECOSTAL NOS ESTADOS UNIDOS.2

ETEADALPE – CURSO DE BACHARELADO – HISTÓRIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS.1
Monitor: Pr. João Barbosa - Capelão

 O avivamento dos EUA foi importante, mas o país que mais avançou com as ADs foi o Brasil, são 3 grandes convenções a CGADB, a CONAMAD e a CIAD. A igreja mãe das Assembleias de Deus comemorou 100 anos das ADs em 18 de junho de 2011.
A Quadrangular (IEQ), outra grande pentecostal chegou ao Brasil em 1950. A IIGD, de R.R, Soares, nasceu no Brasil, assim como a IMPD de Ap. Valdemiro Santiago, que são mais novas de fundação. 
Existem também Batistas Pentecostais, os chamados batistas renovados, algumas igrejas reunidas na Convenção Nacional dos Batistas.

II – O CHAMADO MISSIONÁRIO DOS PIONEIROS: O avivamento americano – Na virada do século XX, ondas de avivamento estavam acontecendo em várias partes do mundo, com destaque para os Estados Unidos, onde Charles Fox Parham começou a pregar sobre os dons do Espírito.
Em 1 ° de janeiro de 1901, Agnes N. Ozman, uma jovem de 18 anos, aluna da escola bíblica em Topeka, no Kansas, fundada por Charles Fox Parham, ex-pastor metodista e professor da Igreja Holiness, experimentou uma impressionante manifestação do dom de línguas, o batismo com o Espírito Santo tornou-se a primeira pentecostal do século XX. Nos dias seguintes, outros alunos e o próprio Parham receberiam a promessa, com a evidência do falar em outras línguas.
1. WILLIAM J. SEYMOUR – Foi através do ministério de William J. Seymour, um dos alunos de Parham, que o Movimento Pentecostal moderno ganhou força. Em 1906, Seymour alugou um prédio mal conservado na Rua Azusa, nº 312, em Los Angeles. 
Ali, fundou uma igreja da Missão da Fé Apostólica, nome dado desde 1901, a todas as igrejas que criam no batismo com o Espírito Santo com a evidência do falar em línguas.
Em Azusa, William H. Durham (1863-1912) foi batizado com o Espírito Santo, e sua igreja, em Chicago, tornou-se um centro irradiador do pentecostes para o mundo. Vários pioneiros do avivamento mundial foram influenciados pelo derramar do Espírito Santo em igrejas de Chicago.
Entre eles, Gunnar Vingren e Daniel Berg. Historicamente, a fundação da Assembleia de Deus brasileira está ligada ao avivamento americano como um todo e, posteriormente, à cooperação da igreja sueca.

2. O MOVIMENTO DA RUA AZUZA – Os acontecimentos relacionados os avivamento da Rua Azuza, fascinaram os historiadores durante décadas, e até hoje não foram plenamente entendidos e explicados. A Missão da Fé Apostólica da Rua Azuza realizava três cultos por dia, sete dias por semana, durante três anos e meio. Milhares de pessoas recebiam o batismo no Espírito Santo com a evidência inicial do falar em línguas.

O periódico Apostolic Faith (Fé Apostólica), que Seymour enviava gratuitamente a cerca de 50 mil leitores, divulgava a mensagem do avivamento. Da Rua Azuza, o pentecostalismo espalhou-se com rapidez pelo mundo e cresceu a ponto de se tornar a maior foça da cristandade.

William Joseph Seymour liderou o movimento da Rua Azuza em 1906, o qual espalhou o pentecostalismo por todo o mundo. Os cultos da Rua Azuza notabilizaram-se também pela harmonia inter-racial.

O movimento da Rua Azuza parece ter sido uma fusão da religião branca holiness com os estilos de adoração da tradição cristã negra dos Estados Unidos, que se iniciou nos tempos da escravidão no Sul. 

O louvor e a adoração expressivos da Rua Azuza, caracterizados por danças e clamores, eram comuns tanto entre os brancos palacianos quanto entre os sulistas negros.

A mistura de línguas e outros dons carismáticos, música de brancos e negros e variados estilos de adoração deu origem a uma forma local de pentecostalismo. 

Essa nova expressão de vida cristã provou-se extremamente atrativa para as pessoas discriminadas nos estados Unidos e em outras nações.
A posição inter-racial da Rua Azuza era uma admirável exceção ao racismo e à segregação da época. O fenômeno que reunia brancos e negros para a adoração sob a liderança de um pastor negro parecia inacreditável para quem estava de fora.
O avivamento na Rua Azusa foi o primeiro avivamento pentecostal a receber atenção significativa, e muitas pessoas de todo o mundo tornaram-se atraídas por ele. A imprensa de Los Angeles deu muita atenção ao avivamento de Seymour, o que ajudou a alimentar o seu crescimento. 
Um número de novos grupos menores iniciou-se, inspirado nos acontecimentos deste avivamento. Os visitantes internacionais e missionários pentecostais acabariam por trazer estes ensinamentos para outras nações, de modo que praticamente todas as denominações pentecostais clássicas hoje traçam suas raízes históricas no avivamento da Rua Azusa.
Logo cedo os pentecostais foram incentivados por seu entendimento de que todo o povo de Deus poderia profetizar nos últimos dias antes da segunda vinda de Cristo. Eles olharam para as passagens bíblicas sobre o Pentecostes no segundo capítulo de Atos, em que Pedro citou a profecia contida em Joel 2.18: 

"E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, e os vossos jovens terão visões." (ARC).

Assim, quando a experiência de falar em línguas espalhou-se entre os homens e mulheres da Rua Azusa, um sentido de urgência tomou conta, quando eles começaram a olhar para a Segunda Vinda de Cristo. No início os pentecostais se viam como peregrinos na sociedade, dedicando-se exclusivamente a preparar o caminho para a volta de Cristo.


Fontes de Pesquisa:
ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus – Origem Implantação e Militância (1911-1946). Arte Editorial. São Paulo, 2010
SYNAN, Vinson. O Século do Espírito Santo. 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo, 2009
ARAUJO, Isabel de. Dicionário Movimento Pentecostal. CPAD. Rio de Janeiro, 2007
ARAUJO. Isael de. VINGREN, Frida - Biografia de Pioneiros das Ass. de Deus no Brasil. CPAD. Rio de Janeiro, 2014 / SANTOS, Roberto José do. Síntese Histórica Ass. De Deus em Abreu e Lima Pe. 80 Anos – 1908 - 2008

OS PRIMEIROS DIAS DO AVIVAMENTO PENTECOSTAL NO MUNDO.1

ETEADALPE – CURSO DE BACHARELADO – HISTÓRIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS.1
Monitor: Pr. João Barbosa - Capelão
Inaugurando mais uma igreja em Portugal - 2007
Dinâmica:  Tempestade de Ideias – “AVIVAMENTO” – (Debate).
1. O SÉCULO DO ESPÍRITO SANTO: 1901 a 2000 – Para os cristãos, a virada do milênio é uma data especial por assinalar os dois mil anos de história cristã. Já para milhões de cristãos pentecostais e carismáticos, em 2001 completou cem anos de avivamento espiritual, o mais importante movimento religioso do século XX.
2. COMO COMEÇOU O AVIVAMENTO – O avivamento começou com um pequeno grupo de estudantes em Topeka, no Kansas, no primeiro dia do ano de 1901 e hoje, cristãos do mundo inteiro já experimentaram a restauração dos dons do Espírito Santo, a qual faz parecer insignificante qualquer fenômeno presenciado desde os dias da igreja primitiva.
Esse movimento, que agora constitui a maior família cristã da face da terra (depois da Igreja católica Romana), marca presença em quase todas as nações do mundo. No final do século XX, mais de 500 milhões de pessoas faziam parte desse avivamento, que segue em crescimento acelerado século XXI a dentro.
3. DIFERENÇA ENTRE PENTECOSTAIS E CARISMÁTICOS – Existe uma grande diferença entre “pentecostais” e “carismáticos”. Os “pentecostais” constituem o povo que concebeu e popularizou a doutrina da evidência inicial do falar em línguas no Batismo no Espírito Santo.
No início do século XX, foram expulsos das denominações dominantes e obrigados a implantar suas próprias igrejas. Alguns estudiosos denominam esse grupo “pentecostais clássicos”.
O termo “carismático” foi usado pela primeira vez em 1963 para designar os “neopentecostais” – membros das igrejas católica romana e protestante que falavam em línguas, mas não consideravam essa prática uma evidência obrigatória da experiência pentecostal.
4. O TERMO PENTECOSTAL – O Pentecostalismo é um movimento de renovação dentro do cristianismo, que coloca ênfase especial em uma experiência direta e pessoal de Deus através do Batismo no Espírito Santo.
O termo “Pentecostal” é derivado de Pentecostes, um termo grego que descreve a festa judaica das semanas. Para os cristãos este evento comemora a descida do Espírito Santo sobre os seguidores de Jesus Cristo, conforme descrito no Livro de Atos 2.
Pentecostais tendem a ver que seu movimento reflete o mesmo tipo de poder espiritual, estilo de adoração e ensinamentos que foram encontrados na igreja primitiva. Por este motivo, alguns pentecostais também usam o termo Apostólica ou Evangelho Pleno para descrever seu movimento.
Os pentecostais são a maior corrente dentro do protestantismo, creem no batismo no Espírito Santo, cujo sinal é falar em línguas estranhas, para o falante, a glossolalia, At 2.5-13. A maior denominação e grupo de igrejas da América Latina, incluindo o Brasil é as Assembleias de Deus, reunidas em Convenções e Ministérios.

5. AS ORIGENS DO PENTECOSTALISMO – A história dos Pentecostais, no sentido moderno da palavra, tem seu ponto de partida na escola bíblica de Parham, em Topeka, Kansas EUA, em 1901. A despeito da controvérsia sobre as origens e a época exata em que Parham começou a dar ênfase ao dom de línguas, todos os historiadores concordam que o movimento começou no início de 1901, quando o mundo adentrava o século XX.

Em consequência do Pentecoste que eclodia em Topeka, Parham formulou a doutrina de que as línguas eram a “evidência bíblica” do batismo no Espírito Santo.
O Pentecostalismo, no entanto, não chamou a atenção do mundo até 1906.  Isso aconteceu com o avivamento da Rua Azuza, em Los Angeles, liderado pelo pastor William Joseph Seymour.

Ele tomou conhecimento do batismo no Espírito Santo com línguas em 1905, numa das escolas bíblicas de Parham. Em 1906, Seymour foi convidado a pastorear uma igreja holiness negra em Los Angeles. As famosas reuniões da Rua Azuza começaram em abril de 1906, no antigo prédio da Igreja Episcopal Metodista Africana, situada na Rua Azuza, 312, no centro de Los Angeles.



Fontes de Pesquisa:

ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus – Origem Implantação e Militância (1911-1946). Arte Editorial. São Paulo, 2010
SYNAN, Vinson. O Século do Espírito Santo. 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo, 2009
ARAUJO, Isabel de. Dicionário Movimento Pentecostal. CPAD. Rio de Janeiro, 2007

ARAUJO. Isael de. VINGREN, Frida - Biografia de Pioneiros das Ass. de Deus no Brasil. CPAD. Rio de Janeiro, 2014 / SANTOS, Roberto José do. Síntese Histórica Ass. De Deus em Abreu e Lima Pe. 80 Anos – 1908 - 2008