Total de visualizações de página

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Lição 07 - Jesus - Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior - 18.02.2018

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  Lição 07 - Jesus - Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior - 18.02.2018
Texto Bíblico: Hebreus 7.1-19
Por: Pr. João Barbosa

Nesta lição queremos destacar no sacerdócio levítico sua origem, formação e substituição pelo sacerdócio eterno de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual não procede da ordem Arônica, mas, da ordem de Melquisedeque (Sl 110.4).

Em Números 8.14, o texto bíblico destaca a ordem do Senhor para que os levitas fossem separados para o serviço sagrado. Levi foi o terceiro filho de Jacó com Léia. Seu nome significa “ungido”, significado que está associado à declaração que sua mãe fez quando ele nasceu:

“Agora, esta vez se ajuntará meu marido comigo... por isso chamou o seu nome Levi” (Gn 29.34). Apesar de Levi ter participado com o seu irmão Simeão da vingança traiçoeira contra os homens de Siquém, Levi se redimiu ao longo de sua trajetória, ao mostrar zelo espiritual pelas coisas de Deus.

Este cuidado lhe rendeu a escolha divina como a tribo sacerdotal. Tanto a vida de Levi como a de seus descendentes traz profundas lições espirituais para os nossos dias.

Levi e Simeão se uniram numa vingança brutal contra homens indefesos e vulneráveis, o que rendeu aqueles dois irmãos duras críticas e reprovação por parte do patriarca Jacó, seu pai, na hora de impetrar-lhes a bênção patriarcal (Gn 49.5-7).

Levi porém, durante a sua vida teve um melhor comportamento do que seu irmão Simeão em todo decorrer da sua história. Em Exodo 32.25,26 lemos que quando Moisés desceu do monte, “vendo que o povo estava despido, porque Arão os havia despidos para vergonha entre os seus inimigos, pôs-se em pé na porta do arraial e disse: Quem é do Senhor venha até mim. Então, se ajuntaram a eles todos os filhos de Levi”.

Após ter pecado contra o Senhor, na idolatria do bezerro de ouro, o povo de Israel perdeu de vez a compostura e a vergonha, levando Moisés a colocá-los no devido lugar.

Para isso, Moisés precisa que os israelitas saíssem de cima do muro e demonstrassem fidelidade e lealdade para com o Senhor. Nesta ocasião, só os levitas se poscionaram ao lado do Senhor, não culpando nem seus parentes envolvidos na idolatria.

Este ato zeloso dos levitas lhes rendeu o privilégio e a honra de serem escolhidos por Deus como a tribo sacerdotal de Israel. Os levitas se tornaram “a elite espiritual” com respeito ao ministério da casa do Senhor (Nm 1.50,51; 1Cr 15.2).

Em Nm 8.14, foi o Senhor Deus quem confirmou a escolha de Levi para o ministério da casa do Senhor, dizendo: “Separarás os levitas do meio dos filhos de Israel, para que os levitas sejam meus”.

Em Nm 17.1-10, vemos os filhos de Levi mais uma vez mostrando sua liderança espiritual quando foi contestado pelo povo, o próprio Deus confirmou a escolha dos levitas, fazendo a vara de Arão florescer entre as doze varas colocadas diante do Senhor, cada uma com o nome de uma das doze tribos de Israel.

Ainda em Nm 25.1-13, há um novo exemplo do ocorrido com o bezerro de ouro, Israel voltou a pecar contra o senhor, envolvendo-se com mulheres idólatras que adoravam Baal-Peor; então, mais uma vez, um descendente de Levi, chamado Finéias, firmou-se ao lado do Senhor, fazendo expiação pelos filhos de Israel, ao eliminar um homem israelita que praticava orgias sexuais com uma daquelas mulheres pagãs que adorava a Baal-Peor.

Esse zelo de Finéias demonstrado pelas coisas espirituais rendeu a ele e a seus descendentes a promessa de um sacerdócio perpétuo (Nm 25.10-13).

Enquanto Simeão foi esquecido na bènção profética que Moisés proferiu sobre as tribos de Israel, Levi foi destacado por sua atuação sacerdotal.

“E de Levi disse: Teu Tumin e teu Urin são para teu amado que tu provastes emassar, com que contendestes nas águas de Meribá... pois guardaram a tua palavra e observaram o teu concerto. Ensinaram os teus juízos a Jacó e a tua lei a Israel; Levaram incenso ao teu nariz e o holocausto sobre o teu altar” (Dt 33.8-10).

Em 1Cr 15.2 quando em uma tentativa frustrada de Davi de conduzir a arca da aliança para Jerusalém sem a participação dos levitas, o rei Davi teve que se render às ordens de Deus: “Então disse Davi: ninguém pode levar a arca de Deus senão os levitas; porque o Senhor os elegeu, para levarem a arca do Senhor e o servirem eternamente”.

Em Hb 5.4, é dito “Ninguém toma para si esta honra, senão aquele que é chamado por Deus como Arão”. Se a exclusividade do sacerdócio da casa do Senhor foi dado a Arão, o que seria dos ministros de hoje que não são levitas e muito menos descendentes de Arão?

É quando Jesus Cristo entra na história para quebrar este monopólio sacerdotal. O escritor da carta aos Hebreus explica esta questão: “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também  mudança da lei. Porque aquele de quem essas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar; visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio” (Hb 7.12-14).

Em Hb 8.6, a respeito de Jesus diz assim o escritor desta carta: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas”.

Com base nisso, Jesus Cristo é aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele, glória e poder para todo sempre. Amém” (Ap 1.5,6).

Vemos nessa exposição sobre a vida de Levi, que Deus muda a nossa sorte para melhor e escreve uma história de sucesso para todos aqueles que se mostram zelosos para com Ele. E, agora, sobre a nova aliança, somos “os levitas”, separados pelo Senhor para uma grande obra.

Se no passado Israel tinha Arão como sumo sacerdote; agora, nos dias presentes temos Jesus Cristo como nosso sumo sacerdote celestial e eterno.

Duas linhas histórico salvífica do sacerdócio dominam o pensamento do AT: A primeira linha é terrena, e vai de Abraão até Arão e seus descendentes, passando por Levi, e outra celestial, que começa com Melquisedeque. Ela leva a Davi, que nesse contexto torna-se mediador da promessa porque lhe foi confiada a palavra do rei sacerdote messiânico vindouro.

“Quando teus dias se cumprirem e descansarem com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. A tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (2Sm 7.12,16).

A linha sacerdotal celestial desemboca no messias vindouro, ela aponta para Cristo. Apesar de que os sacerdotes, filhos de Levi e Arão, recebem o dízimo da mesma forma como Melquisedeque o recebeu de Abraão, eles nem por isso são equiparados a Melquisedeque enquanto sacerdotes.

Prossegue o escritor da carta aos hebreus: Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos despojos. Abraão é o iniciador do povo de Deus no AT e ao mesmo tempo o pai na fé dos crentes do NT, no que possui significado duradouro.

Enquanto no AT Abrão é designado como príncipe de Deus (Gn 23.6) e amigo de Deus (Is 41.8), o escritor está falando de Abraão como patriarca. O que se relata ao seu respeito possui conotação simbólica.

Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque. Este dízimo ele retirou dos despojos. No decurso dos acontecimentos do AT nos é relatado pela primeira vez que o dízimo é oferecido. A entrega do dízimo por Abraão a Melquisedeque (Gn 14.20), não aparece de modo isolado nas sagradas escrituras.

Com a maior naturalidade o escritor da carta aos Hebreus relaciona diretamente no presente texto de Hb 7.4-10. Diz o texto: “Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos.

Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio tem mandamento de recolher de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham esses descendidos de Abraão; entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimo de Abrão e abençoou o que tinha as promessas.

Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior. Aliás, aqui são homens mortais que recebem dízimos, porém ali, aqueles de quem se testifica que vive.

E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro.

Muito antes da legislação do Sinai os patriarcas tinham conhecimento da prática do dízimo (Gn 14.20; 28.22) constituindo, expressão visível de sua gratidão e confissão de sua dependência a Deus.

A importância espiritual também ficou preservada em época posterior. Ao mesmo tempo, a entrega pontual e conscenciosa do dízimo deveria tornar-se um exercício espiritual permanente no temor a Deus (Dt 14.22,23) e um meio para que possamos receber as bênçãos de Deus (Dt 14.28,29).

Para cada israelita deveria ser possível experimentar a confiabilidade das promessas divinas quando se rendesse plenamente na fé em Deus (Ml 3.10; Pv 3.9,10). Toda vez que um israelita entregava o dízimo ele se via colocado por Deus diante de perguntas fundamentais.

De quem obténs as tuas dádivas? Que estás recebendo? A quem deves prestar uma oferta? Que é que deves ofertar? Que significa para ti essa dádiva? Como estás ofertando? São perguntas sobre as quais também o fiel crente do NT deve refletir constantemente. O israelita tinha que dá resposta pessoal a estas perguntas na sua vida prática.

Quando Deus concedia a seu povo tempo de bênçãos especiais e de recomeço espiritual como, por exemplo, sob o rei Ezequias e sob Neemias, a Bíblia informa sobre o cumprimento alegre do dever do dízimo (2Cr 31.5,6,12; Ne 10.38,39; 12.44; 13.5,12).

Deus aceitava a confissão humilde de dependência por parte das pessoas ao entregarem ao dízimo, abençoando-a. Em oposição a isso acontecia a entrega não espiritual do dízimo, na qual o ser humano não vive com a posição apropriada do coração perante Deus. Contra essa atitude profere-se a palavra da condenação (Am 4.4; Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12). Todo dízimo que é trazido a casa de Deus, em último análise é entregue a Deus.

No cap. 7 de Hebreus constatamos que o interesse do escritor não se concentra nos pormenores da ordem do dízimo, mas no relacionamento que se encontram Abraão, os levitas e Melquisedeque por ocasião da entrega do dízimo.

Toda ordem do dízimo do AT, está alicerçada, em última análise, sobre Abraão. Ele mesmo pagou o dízimo a Melquisedeque. Agora o escritor da carta ressalta que uma seleção dos descendentes de Abraão, os sacerdotes da tribo de Levi, recolhe o dízimo, de seus irmãos.

Os israelitas entregavam seu dízimo a sacerdotes que eram de origem humana, cuja genealogia pode ser traçada até Abraão. Abraão, porém, pagou o dízimo a um sacerdote que era de procedência celestial.

A existência de Melquisedeque perante Deus, é única e incomparável. Em Melquisedeque, Deus estabeleceu um sacerdócio fora da lei,  um ministério sem base e sem descendência legais.

É por essa razão que a palavra de bênção de Melquisedeque também foi particularmente eficaz na vida de Abraão, proporcionando-lhe participação nas dádivas e na riqueza de Deus.

Isto é entendido na seguinte frase: Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior. O que o escritor de Hebreus visa é destacar a superioridade de Melquisedeque sobre Abraão e o sacerdócio levítico.

Observamos que agora ele não aborda o dízimo e sim a bênção. A diferença entre os “inferiores” e o “melhor” não reside nos padrões humanos de dignidade e posição social, mas na confirmação de Deus e no preenchimento com autoridade espiritual.

Na bênção sempre se trata da autoridade que é proporcionada ao ser humano sacerdotal pelo convívio pessoal com o Senhor, pela vida em sua proximidade.

Melquisedeque recebeu o dízimo de Abraão. Levi e seus descendentes também recebem o dízimo de seus irmãos. Ambos estão no mesmo nível? É precisamente isso que o escritor aos Hebreus nega. Ele ressalta que também os levitas entregaram o dízimo a Melquisedeque através de Abraão.

Logo, encontram-se numa relação de dependência dele. Somos remetidos a um acontecimento de cunho providencial que excede os limites da existência pessoal de cada um. Como podemos entender isso? No pensamento bíblico, o ancestral e patriarca é a corporificação de toda a sua descendência. Levi foi um bisneto de Abraão e ainda não era nascido quando Abraão encontrou Melquisedeque.

Contudo, assim como Levi representava em sua pessoa o sacerdócio israelita de todos os séculos subsequentes, assim também pode ser dito a respeito dele que na pessoa de seu ancestral Abraão ele pagou o dízimo a Melquisedeque.

Em outras palavras; com a entrega do dízimo a Melquisedeque, Abraão tomou uma decisão cujas consequências se estendem sobre todas as gerações futuras. Para essa correlação também existe um paralelo no NT.

Sem que tivéssemos contribuído pessoalmente para essa situação  todos nós nos encontramos numa ligação providencial com o primeiro homem Adão, com sua culpa original e com a fatalidade da morte.

Do mesmo modo, porém, estamos também em ligação providencial com Cristo, uma vez que sua ressurreição tornou-se o fundamento do fato de que um dia todas as pessoas ressuscitarão (Rm 5.12; 1Co 5.21).

O escritor também comprova uma ligação de destinos desse tipo de Abraão, Levi e os sacerdotes levitas. Levi, o ancestral dos sacerdotes israelitas, “ainda estava nos lombos de seu pai, quando Melquisedeque llhe saiu ao encontro”.

Nos vs. 4-10 do cap. 7 de Hebreus, o escritor fala do sacerdócio e do recebimento do dízimo. Agora ele enfoca mais de perto a relação entre sacerdócio e lei (vs. 11 e 17).

Que necessidade haveria ainda que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse contado segundo a ordem de Arão? Afinal, o próprio Deus havia concedido a seu povo, por ocasião da celebração no pacto do Sinai, uma ordem sacerdotal válida.

Lei e sacerdócio estavam ancorados conjuntamente na aliança que Deus havia firmado com o seu povo. Israel tinha consciência do compromisso que significavam os estatutos legais dessa aliança.

“Cumpriremos todos os mandamentos que o Senhor ordenou” foi esta a confissão de todos os israelitas (Ex 24.3-8). Porque Deus queria estabelecer a vigência de outra ordem sacerdotal:

“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sobre ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo as ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”.

Pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo a qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes. A promessa messiânica que Jacó emitira sobre a tribo de Judá (Gn 49.8-12), e que Deus renovou no auge do profetismo (Is 11.11), é confirmada na nova aliança em Jesus Cristo (Mt 6.2; Ap 5.5).

É nele, o “leão da tribo de Judá”, que o reinado e sacerdócio estarão unificados (Sl 110.1,4; Zc 6.11). Contudo, não é somente no fato de que o sumo sacerdote do povo de Deus é oriundo da tribo de Judá que se torna claro que Deus quebrou a ordem sacerdotal da antiga aliança.

Por sua natureza, o novo sumo sacerdote está numa relação imediata com Melquisedeque. Seu sacerdócio está fundamentado sobre uma ordem sacerdotal original de Deus.


Consultas:
GONÇALVES José. Comentarista da Lição Bíblica para Adultos EBD CPAD no 1º Trimestre 2018.  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus
GONÇALVES José. .  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus. Editora CPAD. Rio de Janeiro. Outubro, 2017
HENRICHSEN Walter A. Depois do Sacrifício – Estudo da carta aos Hebreus. Editora Vida. São Paulo 1996
LAUBACH Fritz. Carta aos Hebreus – Comentário Esperança. Editora Esperança. Curitiba, 2013
BOCH Darrell L. e GLASER Mitch. O Servo Sofredor – Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2015
CHAFFER. Teologia Sistemática. Vl 7 & 8. Editora Hagnus. São Paulo, 2008
BROWN, Raymond e outros. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo – Antigo Testamento. Editora Academia Cristã. São Paulo, 2007
Bíblia do Pregador Pentecostal

CHAMPLIN. Novo Testamento Interpretado Versículo por versículo. Vl 5. Editora  Hagnus. São Paulo, 2012

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Lição 06 - Perseverança e Fé em Tempo de Apostasia - 11.02.2018

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  Lição 06 - Perseverança e Fé em Tempo de Apostasia - 11.02.2018
Texto Bíblico: Hebreus 6.1-15
Por: Pr. João Barbosa

Prosseguindo progressivamente no estudo da carta aos Hebreus chegamos ao que alguns teólogos chamam de problemático capítulo 6.

Se quisermos entender os problemas desta passagem particularmente dos versículos 4 a 6, devemos primeiramente procurar compreender o contexto em que o capítulo 6 está colocado.

No capítulo 3 encontramos Israel em Cades-Barnéia, no limiar da terra prometida. Um encontro com os gigantes fez os israelitas perderem o ânimo e duvidarem da promessa de Deus.

Esta demonstração de incredulidade e revolta contra Moisés, Josué e Arão, rompeu a comunhão com Deus e resultou na trágica peregrinação pelo deserto durante quarenta anos.

Fora da terra prometida, incapaz de reclamar a promessa de Deus, com uma posição indefinida, e falta de certeza, a nação hebraica perambulou sem rumo até que tivesse morrido todas as pessoas culpadas de incredulidade.

O que aconteceu a Israel pode acontecer a qualquer crente nos dias de hoje. Este foi o tema do capítulo 4. O descanso de Deus, no qual se entra mediante a fé nas promessas divinas, tem estado disponível aos filhos de Deus em todas as gerações.

É verdade que nem todos que foram sepultados no deserto perderam a salvação; por exemplo, Moisés, Arão, Miriã. O que perderam foi a benção de Deus. Isto é, sua entrada no descanso prometido – Canaã.

Depois de dar atenção especial à eternidade do descanso de Deus, o escritor desta carta prossegue no capítulo 4, discutindo um dos obstáculos mais comuns que o cristão enfrenta ao entrar neste descanso, a saber, o reconhecimento de que é total e incondicionalmente aceito por Deus.

Jesus Cristo nos aceita pelo que somos, e não por quem ele deseja que sejamos. A aceitação da presença de nosso Senhor Jesus Cristo não é a base do que fazemnos por ele, mas em virtude do que ele fez e continua a fazer por nós.

Todos nós sabemos que espécie de cristãos somos, pecador, vulgar, vil, e plenamente capaz de cometer toda sorte de pecado que a Bíblia menciona. Por isso, quando Deus contraria nossos sentimentos , dizemos: “Eu o conheço bem; não obstante, eu o aceito”.

Se permitirmos que esta grande verdade divina nos escape das mãos por duvidar da veracidade de Deus, devemos reverter à incredulidade e acompanhar Israel numa experiência pelo deserto. 

Dai a admoestação do escritor: “Temamos portanto, que, sendo-nos deixado a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que alguns de vós tenha falhado” (Hb 4.1). Ignorar esta admoestação é tornar-se um “cristão vacilante”.

Jesus Cristo possibilita nossa aceitação por Deus. esta é sua função como nosso sumo sacerdote. O autor de Hebreus continua examinando essa obra sumo sacerdotal de nosso Senhor Jesus Cristo.

No capítulo 2, verso 14 da carta aos Hebreus ele nos informa que foi Jesus que nos libertou das obras do Diabo e livrou-nos da escravidão (Hb 2.15), reconciliou-nos com Deus, e permitindo-nos com isso livre acesso à sua presença.

Os capítulos 3 a 10 retratam várias fases desta verdade. É o cristão estável que reconheceu suas implicações e passou, da certeza para a maturidade.

No capítulo 5 observamos que o escritor desta carta expressa sua frustração por causa da imaturidade de seus leitores. Vejamos o argumento com o qual ele começa a terceira advertência Em Hebreus 5.11-14, quando ele menciona as condições em que se encontravam aqueles irmãos.

Mesmo com o tempo que tinham de fé eram como crianças que espiritualmente ainda precisavam de leite e não de alimento sólido, e que alguns deles já podiam até ser mestres pelo tempo de fé, ainda precisavam conhecer os primeiros rudimentos do cristianismo.

Em Hebreus 6.1-6, a oração inicial dá-nos uma vista quanto ao que está errado. Aqueles cristãos em questão estavam “lançando a base de um novo arrependimento de obras mortas, e fé em Deus” (v.6.1).

A pessoa arrepende-se de “obras mortas” quando em desespero admite sua falência espiritual e declara haver colocado toda a sua fé em Deus. Isto constitui a experiência da conversão do crente.

Deus faz uma promessa: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo” (Rm 10.3). Aquele que busca crêr nas promessas de Deus e invoca o nome do Senhor, e desta maneira é salvo. Uma vez salvo, o crente se encontra na longa estrada que conduz à maturidade cristã.

Cheio de certeza, ele começa a estudar e a aplicar em sua vida as Escrituras. Mas depois de algum tempo descobre que as coisas não vão tão bem como esperava.

Alguma frustração na igreja, às vezes proveniente de um pecado que ele se julga incapaz de vencer, como um estudante universitário cai sobre si uma sombra de dúvida lançada por um professor ateu que crê que a ciência refuta a Bíblia ou de qualquer uma de dezenas de outras coisas no seu viver diário.

Mas, seja qual for a causa, o resultado é sempre o mesmo: culpa. A culpa, por sua vez, leva à introspecção. O cristão vacilante se vê pensando: “Se eu fosse realmente cristão, não teria feito isto. Talvez eu nunca tenha sido um cristão de verdade”.

Aquele crente em vez de crê nas promessas imutáveis de Deus, prefere admitir os sentimentos gerados por suas lamentáveis experiências. Começa a vacilar e entrega os pontos e mergulha em um deserto de incredulidade.

Sejam quais forem os motivos aparentes, o problema fundamental é sempre o mesmo: “Pode Deus realmente aceitar-me, considerando que sou tão cheio de pecados?” Sim, claro que pode, e é o que Deus faz.

Muitas vezes o crente se esquece que sua aceitação por parte de Deus está basseada no que Cristo fez e não no que ele está a fazer. A falha em compreender isto resulta em voltar o cristão à cruz.

Numa desesperada busca em outra experiência de conversão, ou, como diz o escritor: “Lançando de novo as bases do arrependimento de obras mortas, e de fé em Deus”.
Todo crente vacilante, quando topa com uma pedra de tropeço da auto aceitação, começa andar de um lado para o outro, dando voltas, afastando-se da maturidade, retornando, assim, a uma posição em que não há nenhuma certeza.

Assim aquele crente passa meses e anos sem nenhum progresso espiritual. Todo edifício precisa de um alicerce, mas somente um. Lance-o uma vez e lance-o bem. Havendo lançado o fundamento, não tente relança-lo periodicamente.

Vá em frente com a construção da estrutura. O fundamento de sua vida cristã agiuentará quaisquer vendaval; ele foi edificado sobre a promessa de Deus e não sobre a experiência pessoal. “Por isso”, diz o escritor, “deixemo-nos levar para o que é perfeito” (Hb 6.1).

De que maneira, como crente, tenho certeza confiando na verdade objetiva das palavras de Deus, em vez de confiar nos sentimentos subjetivos que procedem de minhas próprias experiências.

Quando a culpa e a dúvida começam a solapar a fé do crente e suas experiências ele deve por de lado seus sentimentos e aceitar o conselho da palavra de Deus.

Se o crente experimentou as doutrinas fundamentais, as que ensinam a tornar-se cristão, então ele é um salvo. Combinando o v. 4 com o v. 6 deste capítulo lemos: “É impossível, pois, que aqueles que experimentaram a salvação e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento”.

A palavra grega para caíram v.6, tem o mesmo significado do verbo afastar, de Hb 3.12, a saber, “ofender”, “cair”, e “pecar”. Em resumo, a ideia do cap.6 é a mesma do cap. 3. Refere-se ao filho de Deus que deixa de crê nas promessas divinas e obedecer aos seus mandamentos.

De tais pessoas diz o escritor: “É impossível para elas renová-los para o arrependimento”. A palavra arrependimento é a mesma do verso 6.1, que traz a ideia de mover-se primeiro em uma direção, depois em outra; é sinônimo de conversão.

Em resumo, o escritor está dizendo que quando o cristão cai em pecados é impossível que ele seja renovado por meio de outra experiência de conversão. “É impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmo o Filho de Deus e espondo-o à ignomínia” (Hb 6.6).

Quando nos tornamos crentes em Cristo, fomos buscar a nossa experiência de conversão “na cruz de Cristo”. Como cristãos, ainda pecamos. O processo de santificação libertar-nos-á pouco a pouco do poder do pecado, mas nunca seremos libertos da presença do pecado.

Em uma de suas últimas cartas, Paulo referiu-se a si próprio como o principal dos pecadores (1Tm 1.15). Por isto, os que querem o perdão, o escritor aconselha: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.6).

Quando pecamos e entristecemos a Deus, temos o perdão garantido se tão somente recorrermos ao trono da graça. Não existem duas experiência de conversão. Jesus morreu uma única vez pelos nossos pecados.

A regeneração e a santificação ao longo de nossa vida espiritual é que nos conduz à plena comunhção com Deus.

Existe uma linha divisória entre o pecado voluntário e a misericórdia de Deus. Isto porque o pecado voluntário pode tornar-se uma blasfêmia contra o Espírito Santo.

“Porque todo pecado e blasfêmia serão perdoado aos homens; mas a blasfêmioa contra o Espírito santo não será perdoada. Se alguém proferir alguma blasfêmia contra o filho do homem ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.”

No AT, todo pecado podia ser perdoado através de um sacrifício oferecido no altar, mas para o pecado voluntário não havia perdão. Portanto, ninguém abuse da paciência de Deus, conforme diz Salomão: “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal”. Todo cristão deve ser um seguidor; devemos imitar as obras dos que se tornaram herdeiros das promessas de Deus (Hb 6.12). É o que devemos imitrar: a fé e a longanimidade.

Fé e longânimidade de quem você está imitando é a sua fé e longânimidade. É sua fé e longânimidade de tal qualidade que o Espírito Santo pode incentivar outros a imitá-lo.




Consultas:
GONÇALVES José. Comentarista da Lição Bíblica para Adultos EBD CPAD no 1º Trimestre 2018.  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus
GONÇALVES José. .  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus. Editora CPAD. Rio de Janeiro. Outubro, 2017
HENRICHSEN Walter A. Depois do Sacrifício – Estudo da carta aos Hebreus. Editora Vida. São Paulo 1996
LAUBACH Fritz. Carta aos Hebreus – Comentário Esperança. Editora Esperança. Curitiba, 2013
BOCH Darrell L. e GLASER Mitch. O Servo Sofredor – Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2015
CHAFFER. Teologia Sistemática. Vl 7 & 8. Editora Hagnus. São Paulo, 2008
Bíblia do Pregador Pentecostal

CHAMPLIN. Novo Testamento Interpretado Versículo por versículo. Vl 5. Editora  Hagnus. São Paulo, 2012

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Jesus é Superior a Arão e à Ordem Levítica - 04.02.2018

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  Lição 05 - Jesus é Superior a Arão e à Ordem Levítica - 04.02.2018
Texto Bíblico: Hebreus 4.14-16; 5.1-14
Por: Pr. João Barbosa

Em Hebreus 2.17 e 3.1, o apóstolo já falou de Jesus como “o sumo sacerdote” sem descrever mais detalhadamente o que pretendia expressar com esse título.

Agora ele desenvolve essa afirmação com frases breves e poderosas. Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.

Na palavra “tendo” exterioriza-se toda certeza do entendimento do autor. Essa é uma característica genuína da fé viva: Filhos de Deus não somente estão no processo
de “tornar-se”, eles também vivem no “ter”.

Temos a redenção por intermédio do sangue de Cristo (Ef 1.7), temos paz com Deus (Rm 5.1), temos um advogado junto do Pai (1Jo 2.1).

Essa certeza do “ter” espera-se também do firme “saber” do qual fala o apóstolo João, quando descreve a experiência de fé dos filhos de Deus (1Jo 3.2,14; 5.15,18-20).

O escritor compara Jesus Cristo e o sumo sacerdote Arão. Ele diz: Jesus é o grande sumo sacerdote, porque realiza o que Arão não foi capaz de fazer. Arão foi sumo sacerdote na terra, Jesus Cristo porém, não apenas ofereceu na terra o sacrifício de sumo sacerdote por meio da entrega de sua vida;  também depois de sua ressurreição ele serve a Deus na eternidade como sumo sacerdote celestial.

Assim como o sumo sacerdote tinha que atravessar o santuário terrestre, a fim de prestar serviço no santíssimo, assim Jesus penetrou os céus, para chegar à presença de Deus.

Com essa expressão o escritor indica a ascensão de Jesus, como já fizera em Hb 1.3. Jesus Cristo vive agora como sumo sacerdote na glória eterna de Deus. Para a igreja, resulta disso um compromisso de confessá-lo diante do mundo.

Na trajetória da história da igreja até os dias atuais nos ensina que cada época de peregrinação para os fiéis é tempo de preparação, porque traz em seu bojo a possibilidade de apostasia.

É próprio de nossa fraqueza humana esquivar-se dos múltiplos sofrimentos pela negação da fé. No entanto, importa que a qualquer custo, mesmo no sofrimento, perseveremos de forma plenamente firme no Senhor Jesus.

“Jesus é Filho de Deus” (At 8.37). Se o escritor menciona aqui, como já fez em Hb 3.1, apenas o nome “Jesus”, sua preocupação é destacar a circunstância extremamente importante para a história da salvação: Jesus de Nazaré, o filho de Maria, ele que era de carne e sangue como nós, o Senhor crucificado e ressuscitado, é realmente o Filho de Deus (Mt 14.33; 16.16).

Para o escritor desta carta as palavras “filho” e “sumo sacerdote” designam a essência e a dignidade, à pessoa e a obra de Jesus, estando indissoluvelmente interligada (Hb 7.28).

 Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

A “fraqueza” do ser humano designa sua caducidade tanto no aspecto do corpo como da fé. Sua “enfermidade” consiste em que ele repetidamente segue à tentação, torna-se “fraco” (Mt 26.41).

Justamente esse é o mistério incompreensível da vida de Jesus: que ele participou da nossa “fraqueza”, mas que jamais sucumbiu a ela. Jesus venceu a tentação. Ele comprovou “sua condição de filho de Deus confiando, obedecendo e amando plenamente”.

Para poder oferecer de forma apropriada sacrifício por outras pessoas, o sumo sacerdote não apenas precisava das dádivas certas, mas também do coração certo. Ele tinha de ser misericordioso.
Tinha que saber condoer-se dos ignorantes e dos que erram. Durante sua vida na terra Jesus conheceu toda a dimensão de nossa suscetibilidade à tentação e de nossa culpa, embora ele tenha permanecido sem pecado.

Por isso, sua intervenção intercessora em nosso favor perante Deus não resulta de sua condescendência débil, com a qual ele ignoraria generosamente todas as nossas falhas.  Ao contrário, ele vê com maior clareza que jamais uma pessoa na terra seria capaz de reconhecer a ameaça à nossa vida que o pecado representa.

Isso torna-se o fundamento de sua profunda e cordial misericórdia por nós seres humanos, que, mesmo como crentes, continuamos suscetíveis à tentação e vulneráveis para o pecado.

Quando o autor queria fundamentar a exaltação de Jesus ele recorria repetidamente ao Salmo 110.1 e também ao Salmo 110.4; e Salmo 2 para fundamentar a condição de Filho e a dignidade real de Jesus, mas produzem também a prova do AT para o sumo sacerdócio eterno de Jesus.

“Da posição de Jesus como Filho de Deus origina-se tudo quanto ele pode realizar e realiza em nosso favor como sacerdote”. A condição de filho, o sumo sacerdote e a dignidade de rei estão unificadas de modo inseparável da pessoa de Jesus.

Nesse ponto surge a pergunta sobre a que momento histórica se refere as palavras do AT. Acaso trata-se, na tentação de Jesus no sumo sacerdócio, de um evento prévio à sua vida terrena?

Ela aconteceu no momento da encarnação, no batismo, na ressurreição ou somente na ascensão? Quando começa o sumo sacerdócio eterno de Jesus? Deparamo-nos com um limite da possibilidade de afirmação cristológica: Jesus é o Filho de Deus desde a eternidade (Jo 1.1; Hb 1.1,2; 5.8), vocacionado pelo Pai para ser sumo sacerdote.

A vocação acontece antes da encarnação, contudo, entra em vigor na paixão e morte, obtendo sua confirmação na ressurreição e ascensão. Está sendo ressaltada a dependência voluntária do Filho em relação ao Pai.

Por ocasião de sua encarnação Jesus submete-se inteiramente às ordens de Deus (J0 5.19; Gl 4.4). Assim como o sumo sacerdote do AT, assim também Cristo, enquanto sumo sacerdote do novo povo de Deus, ofereceu sacrifícios.

Todo o tempo de vida, toda a trajetória terrena de Jesus foi um sofrimento, uma caminhada ao sacrifício (Fp 2.5,6). No presente texto, porém, tem-se em mente especialmente o acontecimento do Getsêmani, a luta de oração de Jesus e a sua morte na cruz do Gólgota.

Jesus ofereceu “orações e súplicas”. Na oração Jesus sacrificou sua própria vontade. Ele sabia: Deus era o único em cuja mão estava sua vida e que teria podido mudar a sua via de paixão.

Porém ele ora: “faça-se não a minha, mas a tua vontade” (Mt 26.42). Não obstante, o caminho de sacrifício de Jesus não acaba no Getsemani, ele o conduz até a cruz. Ali ele morre sob “forte clamor” (Mt 27.46, 50; Lc 23.46).

O escritor continua descrevendo a trajetória de sofrimento do Senhor com palavras que destaca a verdadeira natureza humana de Jesus. Ele realmente foi “tentado em todas as maneiras como nós” (Hb 4.15).

Contudo, acima do caminho mais difícil que Jesus teve de andar, o caminho pelo Getsêmani até a cruz, paira o brilho da glória divina. Ele foi ouvido por causa da sua piedade (“foi ouvido por causa do temor a Deus” – grifo do autor).

Os termos gregos apótes eulabeias podem significar “ouvir por temor” ou “por causa do temor de Deus”. Ambas as versões são viáveis por causa da pluralidade de significados da expressão. Considerando, porém, que em Hb 2.15 constam as palavras phóbos thanátou para “temor da morte”, torna-se plausível que aqui se queria dizer “temor a Deus”.

Jesus foi atendido por Deus. Essa certeza paira sobre todas as orações de Jesus. Ele era capaz de orar assim: “Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves” (Jo 11.41,42). Contudo, em suas orações Jesus nunca se esquiva do sofrimento (Jo 12.27.28).

Por isso é que Deus pode atender sua oração. Entretanto, por detrás dessas palavras também sentimos o mistério da diferenciação entre atendimento e cumprimento das nossas orações.

O atendimento da oração de Jesus tornou-se visível no fortalecimento através do anjo no Getsêmani (Lc 22.43). Consistiu de força para sofrer, de superação do temor da morte, e não na reversão do caminho para a morte (2Co 12.8,9).

Depois que o escritor expôs a incomparável magnitude do Senhor Jesus Cristo pela contraposição com os homens de Deus no AT, Moisés e Josué, ele compara por fim, em Hb 4.14 – 5.10, Jesus e Arão.

Também aqui ele evidencia a sobrepujante grandeza e glória daquilo que, em contraposição a Israel, foi concedida à igreja na pessoa do Senhor exaltada. Jesus e Arão: são sumo sacerdotes – Arão foi o primeiro sumo sacerdote, Jesus é o último.

Ambos foram convocados por Deus, ambos foram “tomados dentre os homens”. Mas também Jesus foi, como Arão, verdadeiro homem (Hb 2.14). Ambos, Arão e Jesus, foram constituídos “a favor dos homens”.

Também Jesus veio por amor das pessoas (Hb 12.16). Ambos foram tentados, motivo pelo qual ambos podem “compadecer-se das nossas fraquezas”. A tarefa de ambos no Antigo e NT é representar as pessoas diante de Deus a fim de alcançar a expiação (Hb 2.17; 5.1-3), e ambos oferecem sacrifícios.

Não obstante, Jesus é maior que Arão. Arão foi sumo sacerdote, Jesus é o grande sumo sacerdote. Arão foi somente um ser humano. Jesus foi também verdadeiro ser humano, mas ele é o Filho de Deus. Ele é da eternidade. Arão foi constituído sumo sacerdote por Moisés, Jesus foi chamado por Deus, seu Pai, para esse serviço.

Arão teve de oferecer primeiramente sacrifícios por si próprio, porque estava maculado de pecado. Jesus era limpo de todo pecado. Arão oferecia dádivas e sacrifícios que ele recebia anteriormente dos israelitas (Hb 8.3).

Ele entrava no santuário com sangue “alheio” (Hb 9.25). Mas Jesus ofertou orações, súplicas e lágrimas, ele sacrificou sua vontade a Deus, sacrificou sua própria vida. Apesar de todos os sacrifícios Arão continuou sendo um ser humano imperfeito. Jesus tornou-se pelo sacrifício de sua vida o sumo sacerdote perfeito (Hb 7.28).

O sacrifício de Arão precisava ser repetido: uma vez por ano ele entrava no santíssimo dessa terra (Hb 9.7,25). O sacrifício único de Jesus vale para todos os tempos, ele atravessou os céus de uma vez por todas, para comparecer agora eternamente perante a face de Deus em nosso favor (Hb 4.14; 8.1,2; 9.24).

Arão descarregou os pecados de Israel sobre um animal (Lv 16.21,22), seu sacrifício tinha somente significado simbólico, não era eficaz por si mesmo (Hb 10.4,11). Jesus assumiu sobre si os pecados de todo o mundo (Jo 1.29; 1Pe 2.24), seu sacrifício é eficaz para todos os tempos.

Arão tinha de administrar somente um sumo sacerdócio transitório, cuja ordem havia sido dada ao povo de Israel no Sinai. Mas Jesus recebeu um sumo sacerdócio perpétuo, cuja validade está fundada na ordem eterna de Melquisedeque.

No caminho da obediência, que conduziu por sofrimentos, Jesus tornou-se o sumo sacerdote perfeito e ao mesmo tempo causa da salvação eterna. Assim como Jesus foi obediente ao Pai e entrou na glória, assim também o caminho dos fiéis leva à glória unicamente pela obediência e pelo sofrimento (At 14.22. Tm 3.12).

As linhas divinas de salvação da antiga aliança valem igualmente para a igreja da nova aliança. Ao mesmo tempo, porém, o serviço e a glória dos mensageiros de Deus do AT foram cumpridos e superados por intermédio de Jesus Cristo. A imensurável magnitude da dádiva de Deus em Jesus Cristo reluz do fundo histórico do povo de Israel do AT e de seu sumo sacerdócio.

Jesus Cristo é a grande dádiva de Deus. É dela que jorra para nós a força de que precisamos para perseverar na trajetória do discipulado, ainda que sob graves dificuldades internas e externas.
 Consultas:
GONÇALVES José. Comentarista da Lição Bíblica para Adultos EBD CPAD no 1º Trimestre 2018.  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus
GONÇALVES José. .  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus. Editora CPAD. Rio de Janeiro. Outubro, 2017
HENRICHSEN Walter A. Depois do Sacrifício – Estudo da carta aos Hebreus. Editora Vida. São Paulo 1996
LAUBACH Fritz. Carta aos Hebreus – Comentário Esperança. Editora Esperança. Curitiba, 2013
BOCH Darrell L. e GLASER Mitch. O Servo Sofredor – Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2015
CHAFFER. Teologia Sistemática. Vl 7 & 8. Editora Hagnus. São Paulo, 2008
Bíblia do Pregador Pentecostal

CHAMPLIN. Novo Testamento Interpretado Versículo por versículo. Vl 5. Editora  Hagnus. São Paulo, 2012