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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Conteúdo correto da lição 03 – II Tópico

Lição 03. A Superioridade de Jesus em relação a Moisés
Conteúdo correto da lição 03 – II Tópico – Subtópicos 2 e 3 da revista atualizados conforme dowload da cpad
Por: Pr. João Barbosa

O conteúdo do tópico II subtópicos 2 e 3 editados na revista pertencem ao subtópico 2 e 3 do tópico III

II – UMA AUTORIDADE SUPERIOR

1. Construtor, não apenas edificador (correto)

2. Filho, não apenas servo – O autor sabe da grande estima que Moisés possuía dentro da comunidade judaico-cristã e por isso é extremamente cuidadoso no uso das palavras. “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa como servo, para testemunho das coisas que haviam de anunciar, mas Cristo, como Filho, sobre sua própria casa, a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firmes a confissão e a glória da esperança até o fim” (Hb 3.5,6). Em vez de usar o termo doulos (servo), vocábulo usado para se referir a um escravo ou serviçal, ele usa outro vocábulo theràpon. Essa palavra só aparece aqui no NT e é traduzida como servo ou ministro. A ideia expressa é de um serviço que é prestado de forma voluntária entre duas pessoas que se relacionam bem. Assim era Moisés com o seu Deus. Mas o autor deixa claro que esse relacionamento de Moisés com Deus não podia se equiparar ao de Deus com o seu filho, Jesus.

3. Uma igreja não apenas tabernáculo – Alguns autores entendem que a expressão “casa de Deus” usada em relação a Moisés pode se referir ao tabernáculo como centro do culto mosaico no deserto, enquanto outros veem como uma referência à antiga congregação do povo de Deus do êxodo. Em todo caso, a ideia gira em torno do povo de Deus que adora na antiga aliança. Moisés foi um ministro de Deus no culto da congregação do deserto. Mas Jesus, como Filho é o ministro da igreja, o povo de Deus na nova aliança “a qual casa somos nós” (Hb 3.6).





GONÇALVES José. Comentarista da Lição Bíblica para Adultos EBD CPAD no 1º Trimestre 2018.  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus

Lição 03.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A Superioridade de Jesus em relação a Moisés - 21.01.18

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  A Superioridade de Jesus em relação a Moisés - 21.01.18
Texto Bíblico: Hebreus 3.1-19
Por: Pr. João Barbosa

A carta aos Hebreus apresenta o Senhor Jesus Cristo com uma vocação e uma missão e uma mediação superior a de Moisés.

No primeiro versículo de Hebreus 3.1, Jesus é chamado de apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão. A palavra apóstolo é oriunda do grego “apóstolos”, que significa “embaixador”, “mensageiro”, “enviado extraordinário”, “pessoa que representa outra pessoa que manda”.

Porém, a palavra equivalente que Jesus usou para “apóstolo” em aramaico é shaliah, alguém que recebeu a comissão e autoridade explícitas daquele que o enviou, mas sem capacidade de transferir seus atributos para outro.

Nos dias atuais, existe uma obsessão de alguns líderes que gostam de se intitularem apóstolos; entretanto, de acordo com os entendidos no assunto, os textos mais surpreendentes e reveladores das Escrituras acerca do apostolado são: Atos 15.4,6,22-23.

Os quais mostram presbíteros “ou pastores e bispos” ao lado dos apóstolos, deixando claro que nenhum líder da igreja teve a ousadia de se autointitular apóstolo, nem muito menos consagravam outros a apóstolo; pois, sabiam que se tratava de uma nomenclatura exclusiva dada por Jesus aos enviados diretamente por ele.

A superioridade de Cristo sobre Moisés (Hb 3.1-6) – O escritor aos Hebreus convoca os fiéis: considerai atentamente o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, Jesus.

Acaso não é impossível olhar para uma pessoa que nem sequer está visivelmente presente? Esse questionamento válido prontamente deixa claro para nós que não se está pensando num processo de percepção física, mas em uma experiência espiritual.

O autor desta carta refere-se à atualidade de Deus em nossa vida, da qual devemos nos conscientizar repetidamente de modo análogo (2Tm 2.8).

“Mantém na memória a Jesus Cristo”. Pelo que se evidencia, é intencional que o autor cite, aqui como em Hb 2.9 e 12.2, somente o nome de Jesus, sem o título messiânico Cristo.

Trata-se da identidade do Senhor terreno como o exaltado. O Cristo celestial, ao qual veem com os olhos do coração (Ef 1.18), não é outro senão Jesus de Nazaré anunciado pelos apóstolos.

O Senhor Jesus Cristo, que representa absolutamente tudo na confissão cristã e na vida da igreja, o autor contrapõe o homem de Deus, Moisés, que ocupava uma posição central no pensamento de Israel.

O que a obra redentora de Cristo significa para a igreja do NT era para os judeus a saída de Israel do Egito sob Moisés. Jesus e Moisés são comparados entre si, sendo que determinados termos chaves da explicação do texto do AT são singularmente importantes para o autor.

Ele é (“foi” [BLH]) fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus. Como peculiaridade é destacada a fidelidade (o termo grego pistós “fiel” tem parentesco com a palavra pistis “fé”).

Ambos, Moisés e Jesus, comprovaram sua fidelidade e sua fé na tribulação. As palavras “que o estabeleceu” não significam que Deus tivesse criado o Senhor Jesus Cristo como qualquer outro de suas criaturas celestiais ou terrena, mas elas indicam ou para instalação de Jesus como apóstolo e sumo sacerdote por parte de Deus, o Pai, ou para a sua encarnação.

Em todo caso o presente versículo destaca a dependência consciente de Deus em que Jesus viveu durante sua existência humana. Ele próprio assegurou aos judeus: “o Filho nada pode fazer de si mesmo, a não ser aquilo que vê seu Pai fazer; porque tudo o que este fizer, o Filho também o faz de modo semelhante” (Jo 5.19; 17.8a).

Jesus e Moisés são comparados entre si com respeito à “sua glória” e “honra”. Jesus está para Moisés como construtor de uma casa para a própria casa. Ele possui glória maior que Moisés, assim como o serviço da nova aliança ultrapasse em muito a glória do serviço da antiga aliança (2Co 3.7-11).

Também Jo 1.17 ressalta a mesma realidade: “Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”. Nisso reconhecemos que, apesar de toda convergência entre Moisés e Jesus, existe uma diferença não apenas gradual, mas qualitativa!

No presente versículo Jesus é chamado “de construtor”. Mas aquele que estabeleceu (“construiu”) todas as coisas é Deus. Eminentes comentaristas constatam aqui uma indicação de que a origem de Jesus está em Deus mesmo, que é o criador do universo.

Contudo, analisando mais de perto os versículos 3 e 4 de Hebreus cap.3, vemos que Moisés e o tabernáculo, respectivamente Israel, são comparados conjuntamente com uma construção, à qual Cristo se  contrapõe como mestre construtor.

Jesus é quem “prepara a casa”, tanto no AT como no NT. É ele quem está por trás das incumbências dos profetas (1Pe 1.11) e dos anjos, do mesmo modo como ele se manifesta na vida da igreja.

Vamos analisar mais uma vez o texto de Hb 3.1-6. O autor contrapõe Jesus a Moisés. O texto acima citado mostra nitidamente o que ambos têm em comum. Ambos foram estabelecidos por Deus em sua elevada função, ambos preservam sua dependência de Deus na sua atuação terrena.

Ambos recebem o atestado de fidelidade imutável. E sobre o caminho de ambos paira a glória de Deus (em grego dóxa, cf.v3). Tanto Moisés como Jesus tem um povo. Para ambos os “povos”, em ambas “as casas” vale as mesmas leis de vida espiritual: é o mesmo Espírito Santo que fala às pessoas no AT e no NT.

Entretanto, precisamente na contraposição do homem de Deus e mediador da aliança do AT reluz com tanto maior intensidade a supremacia e magnitude do Filho de Deus.  Jesus Cristo não é um “segundo Moisés”, ele é mais!

Moisés foi um servo na casa de Deus. Jesus, porém, foi posto como Filho acima da casa. Moisés erigiu o santuário terreno, mas Jesus é o Senhor sobre a casa de Deus feita de pedras vivas (1Pe 2.5), sobre sua igreja o organismo do corpo, uma corporação celestial.

É também verdade que ambos têm um povo, mas a Moisés ele foi apenas entregue fiducialmente, (tipo um depositário fiel) enquanto Jesus conquistou seu povo de Deus, no NT por meio de seu sangue (At 20.28).

A peregrinação de Israel pelo deserto como exemplo que adverte a igreja (Hb 3.7-19) – O autor começa sua exortação recorrendo a uma palavra do AT. Ele introduz a citação do Sl 95.7-11, como uma fala do Espírito Santo (do mesmo modo a palavra do profeta Jeremias em Jr 31.33 é um testemunho do Espírito Santo, Hb 10.15). Embora sem explicar ou esclarecer o processo da inspiração no AT, o escritor de fato pressupõe como óbvio. Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração Hb 3.7).

Nessa advertência a Israel os intérpretes judaicos das Escrituras já reconheceram um mistério, interpretando-o para o tempo do Messias: quando todo o Israel deixa de lado sua desobediência contra Deus e a dureza de seu coração, e cumprir perfeitamente a lei de Deus, então virá o Messias, o Filho de Davi.

O Sl 95 olha em retrospecto sobre o tempo da peregrinação no deserto. Os caminhos de Deus com Israel correram de forma diferente da que as pessoas esperavam. Deus não isentou seu povo das provações e dos pesares.

Fome e sede, exércitos hostis e perigos sobre humanos tornaram-se tentações para o povo de Deus. “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração” (Dt 8.2).

Essa passagem explicita que já o AT e não apenas o escritor a partir do reconhecimento do NT – vê a peregrinação pelo deserto retrospectivamente como um tempo de tribulação divina, no qual estava dada a possibilidade da aprovação. Os israelitas não venceram a prova.

A pergunta que os israelitas levantavam na tentação era: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” (Ex 17.7). Amargurados pelo que Deus permitia que lhes sucedesse, eles se tornaram insensíveis e rejeitaram a palavra de Deus.

Esse acontecimento, torna-se, na opinião do escritor, uma advertência insistente para a igreja: se Deus permite que andemos caminhos difíceis e escuros que não compreendemos, isto não é motivo para duvidarmos da direção de Deus e da sua presença.

Viram as minhas obras, porém, não reconheceram os meus caminhos. O Sl 95, é corroborado por uma palavra de Nm 14.22,23. Repetidamente Israel viu com os próprios olhos as gloriosas ações de Deus desde a saída do Egito.

Contudo, os israelitas não tiveram entendimento da condução misericordiosa de Deus sobre o seu povo, não reconheceram os seus caminhos. O que experimentaram não se transformou em posse espiritual interior que pudesse firmá-los em sua comunhão com Deus.

Viram pessoalmente a glória de Deus, mas, apesar disso, não a entenderam. Por isso, Deus irou-se contra Israel. Quando Deus jura conforme Hb 6.13 e 7.21, ele empenha sua sagrada pessoa pela palavra dada. Deus torna-se pessoalmente o penhor de que sua palavra é verdade inviolável e será cumprida.

Nessa situação a ameaça de juízo divino é reforçada pelo juramento de Deus, a geração do deserto não alcançará o “descanso”, a terra prometida.

O Sl 95 7-11 remete a Nm 14.26-44. Trata-se de um recorte da história de Israel, a marcha pelo povo de Deus pelo deserto desde o Egito, a terra da servidão, até Canaã, a terra da promissão.


Na peregrinação pelo deserto o povo devia aprender a depender humildemente de Deus (Dt 8.2,3). Deus providenciou tudo, mas nessa via educativa ele não poupou o seu povo das dificuldades e surpresa. Quando os israelitas não tinham água, cresceu a amargura (Hb 3.16) em seus corações (Ex 15.24; 17.3,7; Nm 20.2).

A insatisfação com as condições exteriores da vida levou-os ao endurecimento, fechou seus ouvidos e corações para a palavra e o caminho de Deus. Porque os caminhos de Deus lhes eram incompreensíveis, rebelaram-se contra a sua direção.

Repetidamente os israelitas incorriam em pecado na caminhada (Hb 3.17): Mulheres estrangeiras levaram-nos a adorar deuses alheios (Nm 25.1,2; 1Co10.8). Ficavam insatisfeitos com as dádivas de Deus, pelas quais ele os fortalecia no caminho. Preferiam retornas às “panelas de carne do Egito” por causa de sua avidez (Nm 11.4-7, 31-34; 1Co 10.6).

Sucumbiram aos milhares. Na rebelião contra Deus e seu servo Moisés (Nm caps13,14,16). A incredulidade e a desobediência (Hb 13.18,19) dos israelitas chegaram ao ápice. Então foram fulminados pela ira de Deus.

A geração do deserto foi aniquilada durante o trajeto, também Arão teve de morrer (Nm 20.23), e o próprio Moisés pode apenas contemplar a terra prometida, mas não por seu pé além da fronteira (Dt cap. 34).

Somente dois homens da primeira geração que não se rebelaram contra Deus em Cades–Barnéia chegaram ao alvo – Josué e Calebe.

O plano de Deus cumpriu-se, porém com outras pessoas do que fora inicialmente previsto. Porque a primeira geração havia fracassado. Deus alcança seu alvo, ainda que sem, ou mesmo contra, aqueles que foram os portadores originais da promessa.

Conclusão – No Sinai Moisés teve de contar por ordem de Deus, todos os israelitas acima de vinte anos de idade (Nm 1.1). O número dos homens, sem os levitas, era de seiscentos e três mil, quinhentos e cinquenta (Nm 1.46). Esses homens foram atingidos pela maldição de Deus (Nm 14.29.30), com exceção de Josué e Calebe.

Durante quarenta anos tiveram de vagar pelo deserto (Nm 14.33,34). Decorrido esse tempo, quando Israel estava diante da fronteira de Canaã, no Jordão diante de Jericó, Moisés teve de contar novamente o povo (Nm 26.1,2,63).

Ali se colocou de certo modo um ponto final num capítulo arrasador da história com Deus, sendo que o relato termina com as palavras: “Entre estes, porém, nenhum houve dos que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão, quando levantaram o senso dos filhos de Israel no deserto do Sinai.

Porque o Senhor dissera deles que morreriam no deserto; e nenhum deles ficou, senão Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num” (Nm 26.64,65).

Num retrospecto sobre esses terríveis acontecimentos na caminhada do povo de Israel o escritor volta a chamar a atenção de seus leitores: negar a fé, a obediência a Deus é rebelião contra a mais alta majestade, na qual nenhum ser humano será poupado.

Consultas:
GONÇALVES José. Comentarista da Lição Bíblica para Adultos EBD CPAD no 1º Trimestre 2018.  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus
GONÇALVES José. .  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus. Editora CPAD. Rio de Janeiro. Outubro, 2017
HENRICHSEN Walter A. Depois do Sacrifício – Estudo da carta aos Hebreus. Editora Vida. São Paulo 1996
LAUBACH Fritz. Carta aos Hebreus – Comentário Esperança. Editora Esperança. Curitiba, 2013
BOCH Darrell L. e GLASER Mitch. O Servo Sofredor – Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2015
CHAFFER. Teologia Sistemática. Vl 7 & 8. Editora Hagnus. São Paulo, 2008
Bíblia Sagrada King James – Tradução Atualizada
Bíblia do Pregador Pentecostal

CHAMPLIN. Novo Testamento Interpretado Versículo por versículo. Vl 5. Editora  Hagnus. São Paulo, 2012

sábado, 13 de janeiro de 2018

Uma Salvação Grandiosa - 14.01.18

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  Lição 02 - Uma Salvação Grandiosa - 14.01.18
Texto Bíblico: Hebreus 2.1-18
Por: Pr. João Barbosa
                                         
Introdução: Vimos que os cristãos hebreus enfrentavam tempos de perseguição. Considerando que não havia grandes diferenças entre judaísmo e cristianismo na mente desses cristãos, eles eram tentados a passar da religião cristã proscrita à religião judaica que gozava de existência legal, a fim de escapar das perseguições e confisco pelo império romano.

Voltar-se de Cristo para Moisés nesta época de perseguição seria um erro tão grave como aquele que Israel cometeu em Cades-Barneia, quando o povo se rebelou contra Moisés (Nm caps 13 e 14).

O apóstolo se dirige aos judeus dispersos que conheciam bem a Torá, falando-lhes da salvação de Cristo (Hb 2.3). Considerando-se a grandiosa origem de nossa salvação e que até mesmo os anjos dos céus estão envolvidos, procurando trazer essas coisas a nossa atenção, cabe-nos atentarmos para essa tão grande salvação.

Porque agora, Deus falou não através de profetas ou de anjos. Deus falou através do Filho, por Cristo, mediador do novo pacto; está acima dos anjos que foram mediadores do antigo pacto.

Origem: Nossa palavra “salvação” vem do latim “salvare” que significa “salvar”, e de “salus” que significa “saúde” ou “ajuda”. A palavra hebraica traduzida em português para “salvação” indica “segurança”.

O termo grego “seteria” e suas formas cognatas tem a ideia de “cura”, “saúde” recuperação”, “redenção”, “remédio”, “bem estar” e   “resgate”. A ideia de “salvar” quando usada para indicar a salvação espiritual, fala sobre o “livramento” do pecado e da degradação moral  e das penas que devem seguir-se como o julgamento divino.

Mas o “livramento” também nos confere algo a saber: O perdão, a justificação, a transformação moral e a vida eterna, que consiste na participação, na própria vida de Jesus, no seu “tipo” de vida.

Desenvolvimento: Contudo, o autor diz muito mais: o alvo do cristão não consiste apenas em ser convertido e salvo. Jesus afirmou: “Eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça” (Jo 15.16).

O propósito de Deus é transformar essencialmente os que creem, e torná-los semelhantes a Jesus (Rm 8.29). Seu alvo é que Cristo ganhe forma em nós (Gl 4.19).

Visto que o apóstolo descreve na história de Israel o esboço das linhas básicas da história da salvação do NT, ele recorre às ordens de Deus do AT para fundamentar a responsabilidade espiritual dos fiéis.

Israel obteve a lei pela mediação dos anjos, a igreja recebeu a palavra da graça através do Filho (Dt 33.2; At 7.38,53; Gl 3.19; Jo 1.17). Deus mesmo havia avalizado o cumprimento de sua ordem legal em Israel: “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo” (Dt 27.26; Gl 3.10).

Quem se subtrai à palavra de Deus, quem se rebela contra a vontade de Deus, quem transgride propositadamente a ordem de Deus é atingido pelo castigo justo de Deus, num tempo e numa proporção que estão reservadas ao arbítrio de Deus.

O julgamento de Deus não precisa suceder imediatamente à transgressão do ser humano, mas com certeza o atingirá (Gn 15.13-16; 44.16; Js cap.7; Ec 8.11). Quanto maior, porém, a dádiva, tanto maior também a responsabilidade: Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?

Deus vem a nós pessoalmente em Jesus Cristo (2Co 5.19). Ele se oferece a si próprio. Ele nos concede perdão, nova vida e salvação do juízo. Aquilo que já é concedido ao fiel aqui na terra como grandeza espiritual invisível – que “habite Cristo no vosso coração” (Ef 3.17).

Isso será exposto à plena luz na consumação da salvação (Rm 8.24). A expressão “desprezar a salvação” é explicada mais de perto em Mt 22.5.

A magnitude da nossa reponsabilidade – Na parábola das núpcias reais Jesus descreve a mesma situação que também move o apóstolo na relação de sua carta: (Hb 10.28,29; 12.25; Mt 3.7,8; Hb 4.2; Mc 12.14; At 10.37,38; 1.21,22; 1Co 15.5-8; Lc 1.2; 1Co 11.23; 15.1-3; Rm 6).

Deus confirma sua palavra. Ele repetidamente intervém no curso da história, ele autentica a pregação do Evangelho com atos poderosos, garantindo assim a certeza da salvação.

Atos dos Apóstolos informa como Jesus Cristo acompanha o caminho de suas testemunhas e torna realidade as suas promessas (Mc 16.17,18,20). A ação de Deus através de seu Espírito Santo sempre volta a tomar forma visível de uma ou de outra maneira.

Sinais, prodígios e vários milagres (At 14.3) devem evidenciar que a redenção através de Cristo não abrange somente a alma e o espírito, mas toda existência terrena do homem e finalmente também toda criação (Rm 8.19; Ap 21.1).

A superioridade do Filho do Homem sobre os anjos – Mais uma vez o apóstolo retorna a comparação da magnitude de Jesus com o poder dos anjos. Podemos levantar a seguinte pergunta: será que os cristãos, aos quais se dirige o presente escrito, já estavam sendo influenciados pelo gnosticismo? Sob a ação de filosofia grega, de cultos orientais de mistérios e de doutrinas judaicas tardias sobre anjos?

Formaram-se já no primeiro século sistemas doutrinários que consideravam os astros como anjos ou moradias de anjos, atribuindo a esses anjos uma influência especial sobre o domínio das pessoas e dedicando-lhe sua veneração.

O apóstolo Paulo adverte os cristãos de Colossos diante de uma “adoração de anjos” falsa e catastrófica (Cl 2.18 BLH). Em todo caso, a carta aos Hebreus destaca intensamente: Jesus é o eterno Filho de Deus, os anjos em contrapartida são seres criados do mundo celestial.

Os anjos são mediadores da lei, Jesus é o portador da salvação. Agora os anjos detêm um domínio restrito e exercem sua influência sob a configuração presente do mundo. No fim dos tempos, porém, impor-se-á a vitória de Jesus e sua restrita soberania mundial.

A igreja aguarda o novo mundo, cuja característica será a justiça perfeita de Deus. É a Nova Era mundial que irromperá com a volta de Jesus (1Ts 4.13) e que chegará à consumação pela nova criação do céu e da terra (Ap 21.1).

Enquanto até agora Jesus Cristo como Filho de Deus ocupou o centro da mensagem apostólica desde a eternidade, Jesus surge nesse momento em nosso campo de visão como o Filho do Homem. Novamente é uma citação do AT que serve como ponto de partida.

A humilhação e exaltação do Filho do Homem – O Sl 8.5-7 adquire uma importância vital para o apóstolo. O ser humano de que se está falando é o “Filho do Homem”. O apóstolo encontra nessa ideia o enfoque para a interpretação messiânica do Sl 8.

O panorama da riqueza profética do AT deve ser mais uma vez descortinada aos leitores de Hebreus. Jesus Cristo é o “Filho do Homem”, sobre o qual já são enunciadas profecias no Sl 8. Ele, que possui a glória divina, torna-se verdadeiramente “o Homem”.

Nele, o segundo Adão (Rm 5.14). Deus coroa o itinerário de seu Filho ao transferir-lhe a soberania real sobre o universo: Todas as coisas sujeitaste debaixo de seus pés (Sl 8.7; 110.1). Estão estritamente interligados em 1Co 15.25-27; Ef 1.20-22). Ninguém pode esquivar-se da autoridade e do poder do rei celestial. Cristo detém “poder sobre toda a carne” (Jo 17.2).

Agora, porém, sua soberania universal ainda não está visível. Esse “ainda não” que aponta para o futuro tem paralelos em (Mc 13.7; 1 Jo 3.2; Ap 17.10,12). Em seguida o escritor da carta aos Hebreus pronuncia mais uma vez com clareza: Por um pouco, tendo sido feito menor do que os anjos, Jesus “Jesus foi humilhado por pouco tempo abaixo dos Anjos”.

Durante sua vida na terra nosso Senhor teve seu lugar no espaço e no tempo. Por sua constituição corporal ele estava sujeito a todas as leis da constituição humana, conheceu fome e sede, cansaço e dores, alegria e luto.

Seu rebaixamento demonstrou-se ainda mais no fato de que pessoas o detiveram, maltrataram e o mataram, e que, através dos seus adversários terrenos, ele, em última análise, foi abandonado nas mãos de poderes satânicos.

Jesus podia dizer: “esta, porém é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22.53; Jo 14.30; 19.11). Cristo trilhou esse caminho para salvação do mundo inteiro: Ele assumiu sobre si a morte em favor de todos.

Uma salvação eficaz: Vitória sobre o Diabo – O NT constata que a vitória de Jesus sobre todos os poderes antidivinos já começa durante a sua atuação na terra (Lc 10.18; Jo 12.31; 2Tm 1.10). Na cruz é consumada a vitória. Hb 2.14 nos lembra que a morte de Jesus é o cumprimento da promessa do AT em Gn 3.15: Ele esmagou a cabeça da serpente.

Com a volta de Jesus e a ressurreição dos mortos sua vitória sobre o Diabo e a morte será manifesta de todo o mundo (1Co 15.26, 54-57).

O Apocalipse de João, por fim, nos descreve o aniquilamento do Diabo e de todos os poderes hostis a Deus como um dos grandes eventos dos fins dos tempos (Ap 12.7-10; 20.10,14,15) que antecedem a nova criação do céu e da terra.

Como essa vitória de abrangência mundial pode ser conquistada somente pelo fato de o Filho do Homem ter passado pessoalmente pela tentação e tribulação do medo diante da morte (Lc 12.50; Mc 14.33,34; Jo 12.27,28; Hb 5.7).

Na profundeza dos sofrimentos ele superou o temor da morte e, morrendo, venceu o poder do Diabo. Temer a morte é característico da nossa existência natural humana. Mas Jesus destituiu o poder da morte (2Tm 1.10). Desta maneira os membros da igreja também são libertados do medo da morte.

Podem agora encarar sem temor o fim de seu tempo de vida na terra, porque para eles a morte se torna passagem para a eterna glória de Deus.

O autor de Hebreus faz aqui uma declaração fundamental. Ele quer dirigir o olhar dos fiéis para um fato irremovível, colocado por Deus é que é de imensurável importância para o caminho de cada cristão para a morte.

Com essa afirmação o apóstolo não elimina nem a seriedade nem a gravidade da morte. Ele está bem ciente de que também para quem crê a decadência das forças físicas, a trajetória para a morte, pode tornar-se uma caminhada pelo “vale escuro” e ser cheia de aflição e tribulação.

Contudo, ao mesmo tempo, ele também sabe: O próprio Cristo nos acompanha no limiar de nossa vida para o outro lado, para a eternidade.

No final do presente capítulo o apóstolo menciona mais uma vez as consequências da encarnação de Jesus (Hb 2.14). Da condição humana plena de Jesus faz parte todas as tentações que ele passou no seu ministério.

Aquilo quem os evangelistas nos informam sobre a tentação de Jesus no deserto (Mt 4.1-11), não é uma encenação religiosa, mas um acontecimento em que já está tudo determinado.

 A gravidade da tentação reside principalmente em que o Diabo espera algo de Jesus que lhe compete como Filho de Deus. Ele teria tido o direito de transformar pedras em pão, Ele também bem poderia ter se lançado do pináculo do templo e os anjos teriam vindo em seu auxílio.

Mas precisamente nisso Ele vence a tentação, renunciando espontaneamente em obediência a seu Pai Celestial, ao seu poder e à sua glória divinas. Lucas encerra o relato sobre a tentação de Jesus no deserto com as palavras: “Depois que o Diabo tinha terminado todas as tentações, apartou-se dele até o momento oportuno” (Lc 4.13).

O tentador, portanto, não deixou Jesus em paz (Mt 16.22,23). Na paixão de Jesus a tentação chegou ao ápice. Quando os escribas e anciãos nas últimas horas de vida de Jesus lhe disseram: “Desça da cruz, e creremos nele (Mt 27.42).

Mais uma vez estava tudo em perigo. Jesus teria tido o direito e o poder de descer da cruz, mas ele sabia que com isso não seria cumprida toda vontade de Deus, motivo pelo qual permaneceu na cruz e resistiu a essa tentação (Mat 26.53,54).

Conclusão – Na paixão e na morte ele atravessou uma profundidade de tentação como jamais um ser humano a sofreu nem antes nem depois dele.  Entretanto, a consequência dessa realidade na história da salvação de importância decisiva para a igreja de Jesus é que Jesus pode socorrer os Filhos de Deus aflitos e tentados em qualquer situação.

O “sofrimento solidário” com os Filhos de Deus atribulados (Hb 4.15) leva-o a ajudá-los. A vitória derradeira de Jesus neste mundo (Hb 2.5), também inclui a vitória de Jesus sobre a tentação na vida dos fiéis.


Consultas:
GONÇALVES José. Comentarista da Lição Bíblica para Adultos EBD CPAD no 1º Trimestre 2018.  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus
GONÇALVES José. .  A Supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus. Editora CPAD. Rio de Janeiro. Outubro, 2017
HENRICHSEN Walter A. Depois do Sacrifício – Estudo da carta aos Hebreus. Editora Vida. São Paulo 1996
LAUBACH Fritz. Carta aos Hebreus – Comentário Esperança. Editora Esperança. Curitiba, 2013
BOCH Darrell L. e GLASER Mitch. O Servo Sofredor – Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2015
CHAFFER. Teologia Sistemática. Vl 7 & 8. Editora Hagnus. São Paulo, 2008
Bíblia Sagrada King James – Tradução Atualizada

CHAMPLIN. Novo Testamento Interpretado Versículo por versículo. Vl 5. Editora  Hagnus. São Paulo, 2012