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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Perseverando na Fé - 17.12.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
     Perseverando na Fé - 17.12.17
Texto Bíblico: 2 Tm 4.6-8
Por: Pr. João Barbosa
                                         
O Novo Testamento, ao contrário do Antigo Testamento, está repleto de linguagem de fé no sentido de “crer” em vez de perseverança ou fidelidade. De acordo com os evangelhos, essa linguagem se originou no próprio ministério e ensino de Jesus.

Às vezes, Jesus dizia àqueles que o clamavam a ele: “A sua fé o curou” literalmente. “O salvou” (Mt 9.22.29; Mc 10.52; Lc 8.48; 18.42). Na maioria dessas situações a fidelidade do suplicante não estava em jogo. Essa ênfase foi mantida conforme Atos dos Apóstolos, na pregação inicial da igreja (At 9.42; 10.43; 16.31; 20.21).

O apóstolo Paulo, acima de tudo, procurou estabelecer uma igreja composta de judeus e gentios baseado num evangelho de simples confiança e dependência da fiel e misericordiosa obra de Deus em Cristo (Rm 4.5; 10.10; Gl 2.16; Ef 2.8,9).

A “fé” como única resposta salvadora, ou justificadora, à boa nova sobre Cristo é o testemunho geral incontestável do NT. No entanto, uma doutrina sobre “fé somente” deve ser explicada e praticada à luz do relato mais geral da fidelidade, um relato que alcança seu climax em Jesus, o Messias fiel.

Na verdade, a ideia de “fé somente”, e mesmo o uso que Paulo faz do AT a serviço dessa ideia, só faz sentido se a fé é o produto desse climax. É por isso que no NT há um relacionamento muito próximo e complicado entre “fé (pistis)” e Jesus Cristo.

Seja como for que se compreenda a expressão paulina “fé em Cristo” (e equivalente: (Rm 3.22,26; Gl 2.16.20; Fp 3.9; Ef 3.12), é claro que o NT apresenta Jesus mais de que o objeto da fé. Ele é a própria encarnação ou personificação da fé e fidelidade e seguranca do crente (Gl 3.23-25; 1Tm 1.14; 2Tm 1.13; Ap 1.5; 14.12; 19.11).

Como tal, Cristo é a condição necessária e suficiente da fé cristã (At 3.16; Hb 12.2; 2Pe 1.1). Deus nos chama para além de uma dedicação à nossa própria fé ou à nossa própria redenção individual.

A fé envolve ter “os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12.2).  Dentro da estrutura do relacionamento, com todas as dimensões pessoais e coletivas, o Espírito do Messias nutre a resposta inicial de fé à mensagem do evangelho para uma vida contínua de louvor e alegre obediência a Deus (Rm 1.5; 16.26) e serviço ao próximo em amor (Gl 5.6,13,14; 6.1,2).

Quando a fé cristã amadurece dessa maneira, a história de fé finalmente se completa, tendo procedido da fidelidade de Deus para a fidelidade do povo de Deus.

O conceito de “apostasia” representa no discurso teológico o repúdio aberto e final da obediência a Deus e em seu filho Jesus Cristo. O estudo do tema se justifica pela linguagem e lógica dos autores bíblicos e também pela vida da igreja e o interesse pastorial.

John Owen, escrevendo de uma perspectiva atemporária do pensamento puritano, define a escência da apostasia como “rejeição total de todos os princípios e doutrinas constituintes do cristianismo”.  Isso envolve um “abandono voluntário e deliberado do evangelho, da fé, das normas e da obediência”.

Geralmente, se faz uma distinção entre apostasia e desvio; uma recaída menos radical da integridade cristã da pessoa, pois o desvio não envolve um “abandono deliberado”. A linguagem bíblica evocada pela expressão “apostasia” é variada e sugestiva.

Os verbos “deixar” (Dt 31.16), “apartar-se de seguir a Deus” (1Re 9.6),  “vaguear” (Jr 14.10), “revoltar-se contra Deus” (Ez 2.3),  “dar as costas a Deus” (Ez 23.35), “cometer transgressão”   (Dn 9.7), “prostituir-se” (Os 1.2), “escandalizar-se” (Mt 24.10),  “negligenciar” (Hb 2.3),  “retroceder”  (Hb 10.39) e  “sair” (1Jo 2.19), todas estas ocorrências acontecem em um contexto relacionado com o declínio espiritual tão notório a ponto de ser considerado apostasia.

Apostasia no NT – Embora a igreja cristã tenha recebido o derramamento do Espírito Santo (At 2.14-21) e herdado melhores condições de vida e adoração do que Israel desfrutava no AT, a apostasia compõe boa parte da preocupação dos apóstolos no NT.

Na verdade, Jesus previu que a presente e perene demora para a chegada do fim, seria caracterizada por tamanha tribulação a ponto de alguns “se escandalizarem” (Mt 24.10).

Qualquer consideração sobre apostasia no ensino do NT deve iniciar com a convicção de que Jesus Cristo ocupa a posição final nos propósitos de Deus para a redenção (Hb 4.1-4).

Como consumação da revelação do AT Jesus é a maior e última revelação de Deus. Com todas as veias da história da redenção convergindo nele, é preciso ver com a maior seriedade o repúdio calculado ao Jesus todo suficiente.

A carta aos Hebreus insiste formalmente na impossibilidade da reversão da apostasia depois da exposição ao poder do evangelho cristão (Hb 6.4-6; 12.16,17).

A persistência proporcional no pecado depois de possuir o conhecimento da verdade, a ponto de alguém retroceder na fé do filho de Deus, o expõe à “terrível expectativa de fogo” (Hb 10.26-31).

Não se exige fé perfeita. Os filhos de Deus “não têm conhecimento e se desviam” (Hb 5.2), mas Jesus pode ajudar seu povo quando passa por provação (Hb 2.18). Ele identifica-se com suas fraquezas, tendo ele mesmo sido provado e, portanto, se tornando acessível (Hb 4.15,16).

Recusar suas fontes de misericórdia e graça em tempo de necessidade poderia provocar uma condição de apostasia, na qual se menospreza o filho de Deus (Hb 6.6).

Apostasia e perseverança – Jesus insistiu em que alguns que experimentaram o verdadeiro poder espiritual e os chamavam de “Senhor” serão rejeitados como “malfeitores” (Mt 7.21-23; Hb 6.4-6), ele percebeu em alguns uma fé não convincente (Jo 2.23-25).

Ele pressupôs várias respostas ao evangelho, algumas das quais, no princípio, promissoras, mas, no fim, superficiais (Lc 8.11-15). É a perseverança do cristão até o final que confirma uma busca à fé cristã e autêntica à experiência espirituasl (Cl 1.21-23; Hb 3.14; 6.11,12; 2Jo v.9).


O apóstolo João responde por aqueles que se distanciam da identificação anterior com Cristo da seguinte maneira: “eles sairam do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” (1Jo 2.19).

Seguros em Cristo – A segurança da salvação é gerada na mente do crente na experiência de salvação, que é tão marcante e revolucionária que gera essa certeza incontestável.

Além dessa experiência espiritual e emocional que gera certeza, o crente também crê por fé que, uma vez confessado a Cristo como seu Salvador, seu intelecto compreende, e o Espírito Santo testemunha em sua consciência.

Pois, “o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”, gerando nele a certeza da salvação, que é como um testemunho interior a qual manifesta a segurança da salvação, que é garantida por fé na graça de Jesus Cristo.

A segurança da salvação não é oriunda de um pensamento positivo e nem por uma mera exressão de otimismo; é, antes, uma persuassão divina causada pela atuação do Espírito Santo e que está em sinergia com a fé do crente.

Todavia, pode haver uma auto-ilusão quanto à certeza da salvação, originada pelo convencimento hipócrita de se estar andando com Deus, ou mesmo alguém pode ser enganado por demônios por estar constantemente na prática de pecados grosseiros e deliberados.

Nesse caso, a suposta certeza da salvação deve ser comprovada por evidências externas de virtude moral e espiritual (1Jo 2.3,6). Dessa forma, havendo testemunho interior do Espírito e evidências externas pode-se acalmar o coração quanto à salvação. Alguns crentes vivem com certo pavor de terem perdido ou de, no futuro, perderem a salvação.

Isso, entretanto, demonstra que eles não entenderam corretamente o que é a segurança da salvação. Esses crentes olham para dentro de si mesmos e tentam descobrir se estão salvos pelas evidências emocionais, quando, na verdade, deve-se olhar para o que a palavra de Deus diz (Rm 10.9,10).

Embora o crente corra o risco de perder sua salvação por causa de suas atitudes (2Tm 4.7,8) a fidelidade de Cristo e a certeza do cumprimento de suas promessas garante que esse mesmo crente será guardado e conservado (Jd 1) irrepreensível até a sua vinda (1Ts 5.23,24).

Para ter a segurança da salvação, o crente precisa confiar no poder de Deus que o livra de tropeçar e o mantém irrepreensível (Jd v.24,25). Na oração sacerdotal, Jesus orou pelos discípulos e por aqueles que se haviam de salvar, afirmando que ele mesmo cuidaria deles:

“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minhas mãos. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai (Jo 10.28,29).

A segurança em Cristo é afirmada na mente do crente através da atuação do Espírito Santo em seu interior e na sua consciência, como consequência da fé e do testemunho do Espírito Santo em sua consciência.

Isso garante que se viva na esperança e na certeza da confiança. Na graça e na misericórdia de Deus e que o crente poderá partir desta vida sem qualquer medo ansioso, ou pavor terrível ou temor da morte, pois encontrará o Cristo ressuscitado esperando-os nas mansões celestiais.

Uma das melhores consequências que alcançamos ao aceitarmos a Cristo é que podemos ter certeza da salvação (Sl 51.12; Is 12.3; 1Jo 5.13), pois agora não temos mais o peso da culpa e da condenação e somos aceitos e amados por Deus e, assim, o efeito prático é que se pode viver uma vida muito feliz e radiante

“Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus”. (Lc 10.20).

Consultas:
POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD RJaneiro 2017
ELWELL Walter A. Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009
GEISLER, Norman. Eleitos mas livres. Editora Vida. São Paulo, 2016
FRANGIOTTI, Roque. História das Heresias. Ed. Paulus. São Paulo, 1995.
 ALEXANDER T. Dismond. Novo Dicionário de Teologia Bíblica. Edit Vida SPaulo 2009


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Adotados por Deus - 10.12.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
    Adotados por Deus - 10.12.17
Texto Bíblico: Romanos 8.12-17
Por: Pr. João Barbosa
                                         
Adoção – A adoção é o estabelecimento legal de um relacionamento de parentesco entre duas pessoas reconhecido como equivalente a um baseado em descendência física.

Há poucas referências à pratica de adoção nas Escrituras, mas o conceito foi empregado, para explicar o caráter de reralcionamento de Deus com seu povo.

Embora seja um vocábulo relativamente raro nas Escrituras, é um importante termo teológico, pois tem a ver com o fato de Israel e os cristãos poderem ser “filhos” e “herdeiros” de Deus, embora não o sejam de modo exclusivo, nem por natureza como é o caso de Cristo.

Adoção no Antigo Testamento – O termo adoção não aparece no AT. Na lei israelita não há disposições para adoção, e os exemplos que na realidade ocorrem provêm de forma da cultura israelita (Eliézer, Gn 15.1-4; Moisés, Ex 2.10; Genubate, 1Re 11.20; Et 2.7,15).

Para os israelitas, a poligamia e o casamento por levirato eram as soluções mais comuns da infertilidade. Apesar disso, a adoção não era desconhecida na sua literatura (Pv 17.2; 19.10; 29.21), sendo possível que todas essas passagens se refiram à adoção de escravos).

E talvez, tenha sido o meio pelo qual os filhos gerados por um dono de escravos gerados com uma escrava herdavam propriedades (Gn 16.1-4; 21.1-10; 30.1-13).

Fora de Israel, a adoção era suficientemente comum para ser regulamentada nos códigos legais da Babilônia, de Nuzi e de Ugarite. Não raramente, estes se referem à adoção de um escravo como herdeiro.

Israel como um todo tinha conciência de ter sido escolhido por Deus como seu “filho” (Os 11.1; Is 1.2; Jr 3.19). Visto que Israel não possuia nenhum mito da descendência dos deuses, que as culturas em derredor tinham, a adoção era a categoria óbvia em que este ato, bem como a libertação da escravidão no Egito, se encaixaria, conforme Paulo indica em Rm 9.4.

De modo semelhante, os reis sucessores de Davi eram “filhos” de Deus (2Sm 7.14; 1Cr 28.6; Sl 89.19). Salmo 27 usa a expressão “Tu és o meu filho”, que é provavelmente a fórmula de adoção usada na cerimônia de entronização de cada soberano davídico. Juntas, estas ideias formaram o alicerce para o uso posterior da linguagem figurada da adoção no NT.

Adoção no Novo Testamento – No NT o termo “adoção”  (hulothesia) é rigorosamente uma ideia paulina, e ocorre csomente em (Rm 8.15, 23; 9.4; Gl 4.5; Ef 1.5). Ao passo que João e Pedro preferem a figura da regeneração para retratar a filiação cristã, Paulo escolheu, de modo característico, uma figura jurídica como na justificação, talvez devido ao seu contato com o mundo romano.

Na sociedade grega e romana, a adoção era, pelo menos entre as classes superiores, uma prática relativamente comum. Ao contrário das culturas orientais nas quais escravos às vezes eram adotados, estas pessoas limitavam normalmente a adoção a cidadãos livres.

Mas, pelo menos na lei romana, o cidadão assim adotado tornava-se praticamente um escravo, porque estava sob a autoridade paternal do seu pai adotivo. A adoção conferia direitos, mas também tinha uma lista de deveres.

Paulo combina no seu pensamento, várias destas figuras de linguagem. Ao passo que Gl 4 começa com a figura da lei escravizando os herdeiros até uma determinada data. A razão da adoção é dada em Ef 1.5: o amor de Deus.

Não foi por causa da natureza ou mérito dele mesmo que o cristão foi adotado, recebendo assim, o Espírito e a herança (Ef 1.14,15), mas por causa da vontade de Deus agindo através de Cristo. A adoção é um dom gratuito oferecido a pessoas que não o merecem; ela vem exclusivamente da graça de Deus.

Assim como em Gálatas e Efésios, também em Romanos a adoção está vinculada com o Espírito. São os que “são guiados pelo Espírito” que são filhos, os que receberam o “espírito de adoção”, não o da escravidão (Rm 8.14,15).

Mais uma vez o espírito produz a exclamação “Aba!” e indica pela Sua presença a realidade da herança vindoura. A adoção, no entanto, não é inteiramente um evento passado.

Embora tenha sido feita a declaração jurídica, e o Espírito tenha sido dado como garantia, a consumação da adoçãop aguarda o futuro, porque a adoção de filhos inclui “a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23).

Assim sendo, a adoção é algo que se espera receber no futuro, além de ser uma coisa já possuída. A adoção, pois, é libertação do passado, semelhante va regeneração e a justificação, um status e um modo de vida no presente, andando pelo Espírito – santifcação, e uma esperança para o futuro – salvação, ressurreição.

Descreve o processo de alguém tornar-se um filho de Deus (Jo 1.12; 1Jo 3.1,2) e de receber uma herança da parte de Deus (Jo 3.24).
 Consultas:
POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD RJaneiro 2017
ELWELL Walter A. Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009
Bíblia de Estudo Almeida. SBB – Revista e Atualizada
GEISLER, Norman. Eleitos mas livres. Editora Vida. São Paulo, 2016

DANIEL Silas. Arminianismo – A mecânica da salvação. CPAD. Rio de Janeiro, 2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

O Processo da Salvação - 03.12.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
   O Processo da Salvação - 03.12.17
Texto Bíblico: João 3.1-7
Por: Pr. João Barbosa
                                         
O processo da salvação se dá por meio da justificação, regeneração e santificação. A justificação, que é a aceitação da justiça de Deus que atua no salvo, tornando- justo, sendo, portanto um ato divino; a regeneração, que é nascer de novo, ser nova criatura em Cristo; e a santificação que é a transformação de algumas características da personalidade humana pela operação do Espírito Santo, como consequência de estar em Cristo como nova criatura. Todo esse processo, que é composto de três partes, é operado no crente através da fé na obra salvadora de Cristo.

Justificados por Deus – A justificação é algo que somente Deus pode fazer (Rm 8.30). Trata-se da justiça de Cristo que o crente recebe como dádiva. A justificação não se refere ao esforço pela pureza ou santidade, mas, sim, ao estado de retidão diante de Deus, porque Jesus, o Justo, colocou-se por nós diante dEle tomando sobre Ele a nossa acusação.

A justificação evoca a ideia de um tribunal jurídico em que pesam incríveis e terríveis acusações contra nós, mas, através do sacrifício expiatório e vicário de Cristo, que se tornou injusto por nós (Rm 4.24,25), somos declarados inocentes, e nossa condenação é substituída pela condenação de Cristo na cruz (2Co 5.21).

Trata-se de um ato praticado exclusivamente por Deus, sem interferência nem méritos humanos; ao ser humano, cabe apenas pela fé crer na obra efetuada (Rm 5.1). A fé é o meio instrumental e não a causa da justificação; é a fé que nos une a Cristo, nosso justificador. A justificação tem como consequência: o perdão dos pecados, a reconciliação do pecador com Deus, a segurança da salvação e a santificação.

Aqueles que reconhecem e aceitam a necessidade de sua justificação são os alcançados por ela. Jesus disse que o fariseu que se justificava orgulhosamente por evitar o pecado não alcançou sua justificação, mas o publicano que reconheceu seu pecado foi justificado (Lc 18.9-14).

A justificação é um ato único praticado por Deus através da fé na ressurreição de Cristo (Rm 4.25), na qual somos declarados justos e livres de toda a culpa (At 13.38,39), e tem dimensão eterna no passado, no presente e no futuro. Mas a fé não é o elemento justificador; caso contrário seria mérito humano.

Quem justifica é Deus; e a fé serve apenas para apropriar-se espiritualmente da realidade da justificação. “Sabendo que o homem não é justificado por obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não por obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl 2.16). Assim, a fonte de nossa justificação é a graça de Deus, o fundamento é a obra de Cristo e o meio é a fé.

Regenerados pelo Espírito Santo – O termo regeneração, do grego palingenesia (Mt 19.28; Tt 3.5) aparece apenas duas vezes no NT, mas seus correlatos aparece mais vezes. Temos gennaõ (Jo 2.2,7) gerar, dar nascimento; anakainoõ (2Co 4.16; Cl 3.10), como refazer, fazer de novo; e kainos antropos (Ef 2.15; Cl 2.13), como novo homem.

Regeneração, portanto, tem a ver com o processo sobrenatural pelo qual o pecador é gerado por Deus (1Jo 5.18) para ser seu filho (Jo 1.12), tornar-se participante da natureza divina (2Pe 1.4) e possibilitar a sua entrada no Reino de Deus (Jo 3.3). A regeneração é a comunicação, no sentido de nascer de novo, em relação à nova vida de Cristo no ser humano (Ef 2.5).

A regeneração reverte alguns efeitos do pecado na vida do ser humano; por isso, trata-se de uma ação necessária do Espírito Santo que acontece após a justificação e verifica-se na prática da retidão, do amor, na certeza de que Jesus é o Cristo e na vitória sobre o mundo.

Todavia, não é uma mudança de personalidade, mas, sim, uma mudança de organizações sobre a vida, as decisões e as vontades; antes, ela era controlada pelo pecado, agora é controlada pelo Espírito Santo. Assim, há um impacto sobre o caráter do indivíduo, que agora passa a demonstrar que suas atitudes condizem com a prática do evangelho.

A regeneração é operada como resposta do indivíduo ao impacto que ele recebe após ouvir a pregação do evangelho (Rm 10.8,9) e após arrepender-se dos seus pecados; portanto, regeneração e arrependimento são processos simultâneos e interdependentes. O arrependimento é a resposta humana ao evangelho, e a regeneração é a resposta divina ao arrependimento.

A compreensão da regeneração é difícil, pois é uma obra milagrosa e profunda do Espírito Santo no coração humano (Jo 3.5), possibilitando ao homem morto no pecado ser nova criatura (Ef 2.1-4). Nesse processo, o Espírito Santo utiliza-se da Palavra de Deus, que tem o efeito de purificar “pela lavagem da água” (Ef 5.25,26).

Agora, o homem regenerado, muda seu pensamento de conformidade com o de Deus (Cl 3.10); seu entendimento é aberto para as coisas de Deus, que ele antes não entendia (1Co 2.15); seus sentimentos registram prazer pela presença de Deus (Sl 16,11), pois agora ele ama a Deus (1Jo 4.19) e seus irmãos (1Jo 3.14); sua vontade antes escravizada pelos desejos da carnalidade (Ef 2.2,3) agora se sujeita à vontade de Deus (Mt 6.10) e não vive mais pecando (1Jo 3.9); sua consciência é purificada (Hb 9.14) e torna-se sensível à voz de Deus (Rm 2.15).

Nicodemos ficou curioso para saber como se processava o novo nascimento, mas Jesus não lhe explicou como, apenas disse o porquê isso era necessário (Jo 3.3). Na conversa com Nicodemos Jesus destacou a atuação indispensável e soberana do Espírito Santo na regeneração.

Ele age como quer e onde quer, demonstrando as multiformes maneiras de atuação na vida do crente, porém sempre de forma perceptível, ou seja, há evidência de sua atuação. Se essas evidências não forem perceptíveis não houve regeneração m(Jo 3.8), e sem regeneração, não é possível dar sequência ao processo de salvação, que é a adoção e a santificação.
Santificados em Cristo – A santificação é um agir conjunto do crente com o Espírito Santo, que produz nele a vontade de viver conforme os preceitos do evangelho de Jesus e esforçar-se para, em tudo, ser um imitador de Cristo.

Santificação também é a capacidade de reconhecer as fraquezas humanas e apresentá-las sempre diante de Cristo, de onde procede a capacidade de vencê-las. Quanto mais transparente se é nesse relacionamento com Ele, não escondendo nada, tanto mais possibilidades de santidade são adquiridas.

Ainda que a justificação e a santificação sejam quase inseparáveis na experiência da vida cristã, ambas devem claramente se distinguir na compreensão, pois a justificação é um ato exclusivo de Deus alcançado através da fé; já a santificação é o trabalho em cooperação do crente com o Espírito Santo (Ef 4.12), o agente santificador.

É Ele que nos fortalece no esforço da santificação. Esta é momentânea na justificação do crente, ou seja, Deus o vê como santo, ainda que sua santidade precise ser aperfeiçoada; mas a santificação também é a contínua operação do Espírito Santo, pela qual Ele livra o pecador justificado da corrupção do pecado, santifica toda a sua natureza à imagem de Deus e capacita-os às boas obras.

Santificação é morrer para o pecado (Rm 6.10,11), como disse Paulo, note, porém, que não é o pecado que morre, e sim o crente que morre para o pecado, segundo escreveu Pearlman: “A morte cancela todas as obrigações e rompe todos os laços. Por meio da união com Cristo, o cristão morreu à vida antiga, e os grilhões do pecado foram quebrados. Da maneira em que a morte dava fim à servidão do escravo, assim a morte do crente que morreu para o mundo, libettou-o da servidão ao pecado”.

Conclusão – Às vezes achamos que podemos ser continuamente bons e santos (1Jo 1.10), mas, na verdade, somos simultaneamente justos e pecadores, ou seja, Deus absolutamente nos vê santos em Cristo; no entanto, nossa santificação é relativa em relação a nossa natureza inclinada ao pecado (Rm 7.15). Por isso exige-se um esforço e dependência constante do Espírito Santo para a santificação.

A verdade é que, mesmo depois de serem justificados, os crentes continuam cometendo pecados (Tg 3.2; 1Jo 1.8), embora não sejam mais escravos do pecado (Rm 6.2). A Bíblia mostra-nos claramente que os filhos de Deus muitas vezes cometem pecados bastante graves, como, por exemplo, Davi e Pedro. O próprio Jesus ensinou os discípulos a orarem diariamente pelo perdão dos pecados (Mt 6.12).

E as muitas pessoas piedosas mencionadas na Bíblia pediram perdão pelos seus pecados (Sl 32.5; 51.1-4; 130.3,4). Essa constatação, porém, não pode ser uma desculpa para que os deslizes espirituais e o pecado sejam tratados com lassidão ou indolência; muito pelo contrário, exige-se mais cuidado e vigilância para não se cair em tentação (Mt 6.13; 26.31).


Extraído da obra de POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD Rio de Janeiro 2017

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Arrependimento e Fé para a Salvação - 26.11.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
   Arrependimento e Fé para a Salvação - 26.11.17
Texto Bíblico: Atos 2.37-41
Por: Pr. João Barbosa
                                         
Arrependimento – A importância do arrependimento não é sempre conhecida em nosssos dias como deveria ser. Mas, nos dias apostólicos era um dos temas centrais que aparecia em primeiro lugar.
Quase todas as pregaçoes iniciais, tinham como base o arrependimento (Mt 3.2; 4.17; Lc 1.15; Lc 24.47; At 2.38; 3.19). Isso porém, não é somente tema para o NT; no AT, o tema arrependimento está em foco em vários de seus elementos proféticos.
Arrependimento era a mensagem dos profetas da antiga aliança (Dt 30.10; 1Re 17.13; Jr 8.6; Ez 14.6; 18.30). Arrependimento foi o ponto alto da pregação de João Batista (Mt 3.13.2), de Cristo (Mt 4.17; Lc 13.3,5) e também dos doze apóstolos (Mc 6.12;) e em particular de Pedro no Dia de Pentencostes (At 2.38; 3.19).
Era também um dos fundamentos na pregação de Paulo (At 20.21; 26.20). A mudança dispensacional não tornou desnecessário o arrependimento em nossos dias.
Arrependimento é definitivamente uma ordem para todos os homens em qualquer tempo ou lugar “Deus anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30).
No campo inicial da salvação, o arrependimento é um fundamento e a base necessária; isto, porém, sem excluirmos a fé e a graça (Mt 21.32; Hb 6.1).
O arrependimento como uma mudança de mente, conforme depreendemos de seu sentido mais claro, tem três aspectos distintos: o intelectual o emocional e o volitivo.
a) O elemento intelectual – Este subentende uma mudança de ideia em relação ao pecado, a Deus e ao próprio Eu.
O pecado passa a ser reconhecido como culpa pessoal; Deus, como aquele que justamente exige o perdão; e o “Eu” como maculado e desamparado (Rm 3.20).
O arrependimento inclui mudança da mente, acerca do pecado, do Eu, de Deus e do destino (Mt 21.29,39; 27.3; 2Co 7.8; Hb 7.21).
b) O elemento emocional – este subentende uma mudança de sentimento. É a fase do arrependimento na qual pensamos mais frequentemente; na realidade, a palavra arrepender vem do latim “reprus plus poenitere”, “ficar triste de novo”.
Temos por isso que lembrar que tristeza pelo pecado e desejo de perdão são aspectos do arrependimento (Sl 5.1,2; 2Co 7.9,10).
c) O elemento volitivo – Este elemento subentende uma mudança da vontade e da posição em que se encontra. Esta é a volta íntima contra o pecado.
É apresentada na Escritura pela palavra grega “metanoia”, que significa “mudança de ideia ou pensamento” (Mt 3.8,11; At 5.31; 20.21; Rm 2.4; 2Co 7,9.10; 2Pe 3.9).
Podemos afirmar que a verdadeira fé nunca existe sem o arrependimento. Os dois são inseparavelmente unidos.
Arrependei-vos”, essa expressão marca a principal exigência para que haja perdão de pecados, e com o arrependimento tem início a conversão, que é o primeiro passo da regeneração.
A conversão ainda não é a “regeneração” propriamente dita; mas antes, faz parte dela, sendo o início do novo nascimento. Sem conversão não há regeneração, embora a conversão não encerre a totalidade da regeneração.
Contudo, a verdadeira conversão é uma transformação interna da alma, e esse é exatamente o primeiro passo da regeneração.
Em que consiste o arrependimento? O verdadeiro arrependimento é um ato divino que transforma o homem, mas que depende da reação positiva do homem, uma vez inspirado pela fé. Quando isso acontece seus passos seguintes são:
1. É o começo do processo da santiicação (Mt 3.8-12).
2. Juntamente com a fé, perfaz a conversão: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos” (At 3.19).
3. É determinado por Deus (At 17.30) e é conferido por ele (2T, 2.25).
4. Só a bondade de Deus nos leva ao arrependimento (Rm 2.4).
5. É necessário para o perdão dos pecados (At 2.38; 3.19;8.22).
Arrependimento / Conversão – Quando o filho pródigo disse essas palavras: “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai”. Isto é arrependimento. E quando o evangelista   diz “E levantando-se, foi ter com o seu pai”. Isto é conversão.
– A fé é um dos elementos da salvação: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).
Todos sabemos que a salvação é uma dádiva divina e que, necessariamente é Deus quem salva o homem, pois é impossível que o homem se salve por si mesmo.
A salvação, portanto, é um ato de Deus, mas também requer algum esforço por parte do homem em direção a Deus.
“Ninguém é salvo forçado”. Por isso é necessário que alguns elementos essenciais cooperem para a salvação, fazendo com que a pessoa humana seja aquilo que Deus quer que seja.
A Bíblia nos mostra que certos elementos se faz necessário para a salvação, tais como a fé, a graça, a regeneração, a justificação, a expiação, o perdão, o arrependimento, a reconciliação a redenção a santificação e a adoção.
Todos esses elementos estão presentes e acoplados á salvação plena de Deus ao homem.
A importância da fé – A Bíblia declara que somos salvos pela fé. Entre os cristãos a fé mais exercitada é a fé salvadora (Lc 18.42; Ef 2.8).
Ela pode também ser chamada de fé subjetiva ou interior (Rm 10.8,9). É o princípio básico para que o homem se aproxime de Deus crendo na sua existência (Hb 11.6; At 2.44).
Definição teológica de fé – Biblicamente falando a Escritura define a fé da seguinte maneira: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das que se não veem” (Hb 11.6).
Teologicamente define-se fé como a atitude mediante a qual o homem abandona toda confiança em seus próprios esforços para obter a salvação de Deus.
É a atitude de completa confiança em Cristo, de dependência exclusiva dele a respeito de tudo quanto está envolvido na salvação.
O significado de fé – Por fé queremos dizer a soma total da doutrina cristã, conforme contida nas Escrituras (Lc 18.8; At 6.7; 1Tm 4.1; 6,10 Jd v.3).
Uma outra palavra conhecida por fé no AT é confiança. Diz Scofield: é a palavra característica no AT para descrever fé.
Ela ocorre cento e cinquenta e duas vezes ali. É a tradução da palavra hebraica que significa buscar refúgio (Rt 2.12), apoiar-se (Sl 56.3) e esperar (Jó 35.14).
A essência da fé – Consiste em receber o que Deus tem revelado e pode ser definida como aquela confiança em Deus e em seu filho Jesus Cristo a quem ele enviou, que o recebe como Salvador e Senhor, e produz obediência, amor e obras de acordo com a revelação da vontade de Deus (Jo 1.12. Tg 2.14).
Salvação – A salvação é pela graça, mas a fé é o elemento indispensável (Ef 2.8,9). A fé é a porta de entrada das bênçãos oriundas da salvação, que são: justificação, a regeneração, reconciliação, adoção, perdão, santificação, glorificação e vida eterna.
Além dos benefícios inerentes à salvação, a fé ainda permite a cura de enfermidades (Mc 16.18; Tg 5.15), batismo no Espírito Santo (Mc 16.17;), a vitória contra o mundo (!Jo 5.4), contra a carne (Gl 2.20), contra o Diabo (1Pe 5.8,9).
A salvação nos traz paciência (Tg 1.3), proteção contra os dardos inflamados do malígno (Ef 6.16). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6).

  


Consultas:
POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD RJaneiro 2017
ELWELL Walter A. Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009
Bíblia de Estudo Almeida. SBB – Revista e Atualizada
GEISLER, Norman. Eleitos mas livres. Editora Vida. São Paulo, 2016
DANIEL Silas. Arminianismo – A mecânica da salvação. CPAD. Rio de Janeiro, 2017
HUNT Dave. Que amor é, este? Editora Reflexão. São Paulo, 2015

 PEDRO. Severino da Silva. A doutrina da Predestinação. Editora CPAD Rio de Janeiro, 1989