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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Salvação e Livre-Arbítrio - 19.11.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  Salvação e Livre-Arbítrio - 19.11.17
Texto Bíblico: João 3.14-21
Por: Pr. João Barbosa
                                         
Eleição é a escolha que Deus faz para com uma nação, uma tribo, uma família ou um indivíduo com fins específicos e determinados por ele. Cabe ao homem lutar com todas as suas forças afim de que a eleição de Deus na sua vida permaneça para sempre e jamais ele venha a tropeçar.
“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição, porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Pe 1.10,11).
Exemplo disso é a escolha de Abraão e sua descendência, que, depois, viera a formar a nação de Israel. Deus chamou o patriarca e fez-lhe promessa, e este livremente respondeu ao chamado de Deus; porém, diante dele, estava a possibilidade de não atender ao convite.
A eleição de Israel (Is 51.2; Os 11.1) e alguns indivíduos  de maneira específica, é pontual na história, porque Deus tinha o propósito de através desta nação, trazer o Salvador.
Por ser uma eleição pontual, ela não pode servir de base, em se tratando de salvação, para estabelecer uma eleição absoluta e específica apenas para determinadas pessoas e outras não.
A liberdade de escolha para obedecer que Deus deu para Israel e a desobediência e rebeldia do povo fizeram eles perderem algumas das bênçãos prometidas (Jr 6.30; 7.29). E, assim servisse-nos de exemplos para não repetir os mesmos erros (1Co 10.6,11).
Por mais que pareça a eleição não trouxe privilégios para a nação de Israel, mas, sim, responsabilidades. No entanto, por não conseguir cumprir sua parte na eleição, Israel nunca deixou de ser alvo do amor de Deus, embora sofresse as consequências por não agirem como povo de Deus.
A eleição divina é o ato pelo qual Deus chama os pecadores para salvação de Cristo Jesus e torna-os santos (2Pe 1.10; Rm 8.29,30). Essa eleição é proclamada através da pregação do evangelho (Jo 1.11; At 13.46; 1Co 1.9), e Deus deseja que todos sejam salvos e respondam afirmativamente ao chamado para a salvação (At 2.37; 1Tm 2.4; 2Pe 3.9).
Os que crerem serão salvos; os que não crerem, porém, serão condenados (Mc 16.16). Alguns, ao ouvirem o evangelho, se endurecem ainda mais em seus pecados (Jo 1.11; At 17.32) e perdem a oportunidade de salvação.
A eleição é uma decisão de Deus desde a eternidade, mas é condicionada a vontade humana. Entretanto, essa vontade não prejudica em nada a vontade de Deus. Ele não é pego de surpresa diante da livre vontade humana, pois ele previu essa vontade.
Podemos com toda certeza afirmar que o que Deus predestinou foi, de fato, a vontade humana, no sentido de ela ser completamente livre, ou seja, ele criou o homem determinando que este teria liberdade de escolha.

“Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para salvação, em santificação e fé da verdade” (2 Ts 2.13).
Pr. Antonio Gilberto ensina que “na Bíblia, menciona-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45.4; 41.8,9) e a da igreja (Ef 1.4) e a individual, como a de Abraão (Ne 7.9) e a de cada crente” (Rm 8.29).
O Pr. Severino Pedro propõe outra forma. Ele classifica a eleição de quatro maneiras: 1. Preventiva, quando Deus usa de vários meios para impedir o mal na vida dos que são chamados e atendem a sua salvação (Gn 20.6).
2. Permissiva, que diz respeito às coisas que Deus não proibe nem restringe, mas fica na vontade do homem (Dt 8.2).
3. Diretiva, que se baseia na vontade perfeita de Deus dirigida à vontade humana (Gn 50.20).
4. Determinativa, que é quando Deus decide e executa conforme a sua soberana vontade (Jó 42.2).
O Livre-Arbítrio – Foi uma doutrina desenvolvida pelos pais da igreja durante os primeiros quatrocentos anos de sua história. Só no quinto século o bispo Agostinho de Hipona depois de sua polêmica com o monge inglês Pelágio, ensinou sobre a graça irresistível, isto porque com a queda o homem perdera o direito de escolha e que agora Deus destina uns para a salvação e outros para a condenação.
Doutrina essa ensinada pelos reformadores principalmente Calvino, mas refutada por Armínio. A divergência entre o ensino de Armínio e o de Calvino é com relação à atuação da graça para salvação do homem no sentido de a decisão ser humana ou divina para isso.
A doutrina Arminiana desse ponto afirma que não apenas, portanto, a cruz de Cristo é necessária para solicitar e obter a redenção, como a fé do sacrifício de Cristo na cruz também é necessária para obter a posse dessa salvação.
Armínio escreveu inúmeras obras que foram traduzidas para o português que defendem o sinergismo na salvação (crença na cooperação divino-humana) onde existe a vontade humana amalgamada ao propósito divino.
Contra o momegismo de Calvino que ensina que Deus é quem determina a salvação e quem se salvará, excluindo a participação humana (a graça irresistível).
O livre-arbítrio é a possibilidade que os seres humanos têm de fazer escolhas e tomar decisões que afetam seu destino eterno, especificamente quando se trata de sua salvação, ou seja, cabe a cada um deixar-se convencer pelo Espírito Santo e ser salvo por Jesus ou não, embora, Deus dê para todos a oportunidade da salvação (1Tm 2.3,4).
Eleição divina e Livre-Arbítrio – A graça de Deus opera sinergicamente com o livre-arbítrio. Isto é, a graça deve ser recebida para ser eficaz. Não há quaisquer condições para que a graça seja dada, mas há uma condição para que ela seja recebida – a fé.
Em outras palavras, a graça justificadora de Deus trabalha cooperativamente, não operativamente. A fé é pré-condição para se receber o dom da salvação (Rm 10.8-10). A fé logicamente é anterior à regeneração, visto que somos salvos “por meio da fé” (Ef 2.8,9), e “justificados pela fé” (Rm 5.1).
Deus fez somente boas criaturas. Ao final de quase todos os dias da criação ele diz: “Deus viu que era bom” (Gn 1.4,10,12,18,21,25) e, quanto ao último dia declara:
“Deus viu tudo que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gn 1.31). Salomão acrescenta: “Assim, cheguei a esta conclusão: Deus fez os homens justos” (Ec 7.29). As escrituras nos dizem explicitamente que “Tudo o que Deus criou é bom” (1Tm 4.4).
É um Deus absolutamente bom. Não pode fazer uma coisa má. Somente uma criatura perfeita pode vir das mãos de um criador perfeito. Uma das coisas que Deus deu as suas criaturas boas foi um bom poder chamado livre-arbítrio.
A graça humana intrinsecamente reconhece a liberdade como um bem; somente aqueles que usurpam e abusam desse poder a negam e, todavia, a valorizam e buscam para si mesmos.
As pessoas nunca marcham contra a liberdade. Ninguém vê uma multidão nas ruas carregando cartazes dizendo: “Abaixo a liberdade” ou “queremos a escravidão de novo”! Mesmo que alguém fale contra a liberdade, ainda assim, está falando a favor dela, visto que valoriza a liberdade de expressar ideias.
Em resumo, a livre escolha é um bem inegável, visto que afirma o próprio bem, mesmo quando existe a tentativa de negá-la. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. E se o filho vos libertar, então, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.32,36).
Uma conclusão oportuna para este breve estudo da resposta necessária de fé da parte do ser humano é ler as palavras dinâmicas de Ap.22.17. Aqui, o apóstolo João claramente estende o convite gracioso de Deus a todos:
“O Espírito e a noiva dizem: vem! E todo aquele que ouvir diga: vem! Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida”.



Consultas:
POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD RJaneiro 2017
ELWELL Walter A. Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009
DR. LLOYDE-JONES Martyn. Grandes Doutrinas Bíblicas Vl 1. Edit. PES – São Paulo, 1996
Bíblia de Estudo Almeida. SBB – Revista e Atualizada
GEISLER, Norman. Eleitos mas livres. Editora Vida. São Paulo, 2016
DANIEL Silas. Arminianismo – A mecânica da salvação. CPAD. Rio de Janeiro, 2017

HUNT Dave. Que amor é, este? Editora Reflexão. São Paulo, 2015

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Salvação pela Graça - 12.11.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
  A Salvação pela Graça - 12.11.17
Texto Bíblico: Romanos 5.6-10,15,17,18,20; 11.6
Por: Pr. João Barbosa
                                         
Reflexão: A graça de Deus emanou do seu coração amoroso para salvar o homem perdido, por meio do sacrifício vicário de Cristo Jesus. A nossa salvação é resultado dessa graça divina
Para um melhor entendimento do que é a graça, precisamos ter uma real compreensão do que é misericórdia, compaixão e amor.
Misericórdia – do latim (miser, miseria + cordis + coração), que literalmente significa ter o coração voltado para a miséria de outrem.
É a compaixão de Deus direcionada para o ser humano. Através deste sentimento imensurável, o Senhor mostra que sua misericórdia sempre triunfa.
Basta o ser humano se arrepender de seus pecados para que o justo juiz lhe estenda toda sua longanimidade (Lm 3.22).
Foi a misericórdia de Deus que o levou a enviar o seu único filho para que morresse em nosso lugar, a fim de que viéssemos a ter a vida eterna (Jo 3.16).
Assim, podemos afirmar que graça não é misericórdia ou amor. A graça, portanto, é vista da misericórdia, porque esta é sobre “todas as suas obras” (Sl 145.5).
E aquelas, somente sobre aqueles que aceitam a Cristo como Salvador (Ef 2.8,9; Tt 2.11).
Definição de graça: A graça pode ser definida como “o favor eterno e totalmente gratuito de Deus, manifestado na concessão de bênçãos espirituais e eternas às criaturas culpadas e indignas”.
A graça é a concessão de favores a quem não tem mérito próprio, e pelos quais não se exige compensação alguma.
Não somente a graça é dada aqueles que não têm mérito próprio, como é dada aos que merecem condenação.
Por ela ser imerecida, ninguém pode reivindicá-la como direito, se o pudesse não seria graça.
Graça é mérito não excludente (Rm 4.4,5).
 A graça é uma só, mas ela se manifesta em incontáveis formas. As duas formas principais são: A graça  comum e a graça salvífica ou salvadora.
Graça comum é a graça pela qual ele dá às pessoas inúmeras bênçãos que não fazem  parte da salvação.
A palavra comum, aqui, significa alguma coisa comum a todas as pessoas, não restrita somente aos crentes em Cristo.
A graça comum expressa a bondade divina sobre toda a criação de Deus. Quando falamos de graça comum e graça salvífica ou salvadora, não estamos falando  de duas classes de diferentes graça no mesmo Deus, mas que a graça de Deus se manifesta no mundo de duas maneiras diferentes.
A graça comum é diferente da graça salvífica em seus resultados. A graça comum não conduz à salvação em seus recebedores. Ela é dada igualmente a crentes e incrédulos. A graça comum não flui da ação resgatadora de Cristo, pois os incrédulos não consideram a morte de Cristo.
A graça de Deus é estendida a todas as dimensões da vida e não somente na salvação. È o que os teólogos chamam de graça comum. Ela é vista no domínio físico quando diz que Deus faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos (Mt 5.44,45).
A graça salvadora ou salvífica – Na visão do apóstolo Paulo, a graça salvadora é o próprio Cristo (Tt 2.11).
Ela ultrapassa o conceito e o sentido da graça comum, que é disponível para “todos os homens”, independente de crerem em Deus ou não. A graça comum é manifestada  pela “revelação natural”, pela natureza (Sl 19.1-6).
A graça salvadora também está á disposição de “todos os homens”, mas só é alcançada por aqueles que crerem em Deus e aceitam Cristo como Salvador.
É também chamada de “graça especial” porque é “revelada pela revelação” especial de Deus, em sua palavra. Todas as bênçãos que recebemos nesta vida são em última análise imerecidas – todas elas nos vêm pela graça.
O apóstolo Pedro entendia que a vida cristã se vive pela graça (1Pe 5.12).
Deus se utiliza de diversas atividades da igreja para dispensar diversas bênçãos da sua graça, é o que o Espírito Santo se utiliza para distribuir as bênçãos aos salvos.
Graça é a maneira pela qual Deus se dispõe a receber, de braços abertos, o pecador, não obstante sua santidade absoluta e o estado miserável em que se encontra aquele que dele se desviou. É uma bênção ou um favor verdadeiramente imerecido e indevido, que dfeus concede em sua soberania.
Deus não tem nenhuma obrigação de perdoar. Ninguém tem o direito de cobrar tal coisa de Deus. Ele, no entanto, perdoa por causa da graça. A iniciativa é sempre de Deus.
A oração particular, o culto, o estudo da Bíblia, a fé, o ensino da Palavra, o batismo tanto nas águas como no Espírito Santo, a santa ceia do Senhor, a oração uns pelos outros, a adoração, o ofertório, os dons espirituais, a comunhão, a evangelização e o ministério individual, todos esses meios estão disponíveis aos salvos dentro da igreja.
O Espírito santo lança mão de todos eles para conceder através deles, incontáveis tipos de bênçãos aos crentes em Cristo Jesus. Esta lista são meios da graça que o Senhor concede através deles, bençãos incontáveis aos que lançam mão destas dádivas de Deus.
Numa perspectiva bíblico-teológica, “graça” é fundamentalmente uma palavra sobre Deus – sua iniciativa não coagida e demonstrações amplas e extravagantes do seu cuidado e favor para com todos.
Por um lado, seu favor é derramado indiscriminadamente “para com os ingratos e maus” (Lc 6.35). Por outro lado, os desesperados, o pobre e o marginalizado podem ter certeza de que sua compaixão objetiva a eles, em  primeiro lugar.
 A graça de Deus é dada livremente, mas também possibilita e provoca uma resposta humana, para que as pessoas sejam convencidas a se comportarem perante Deus em adoração.
 A graça é eterna – As obras da graça não são feitas num atropelo, às carreiras, para resolverem um problema surgido de última hora. As obras da graça de Deus foram idealizadas antes de serem manifestas aos homens.
Elas foram propostas antes de serem comunicadas a eles. Paulo afirma que Deus “nos salvou e nos chamou com a santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1.9).
Deus nos deu tudo, antes de tudo existir. Por essa razão Pedro diz que fomos resgatados de nossa vã maneira de viver, não com coisas corruptivas, como prata ou ouro que por tradição recebestes de vossos pais. Mas, com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incomtaminado, o qual, em outros tempos foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nesses últimos tempos por amor de nós (1Pe 1.18-20; Ap 13.8; 17.8; Tt 2.2).
Antes que clamemos ele ouve, e quando ainda estivermos clamando, ele responde (Is 65.24).
Graça é uma atitude benevolente e incondicional em prol de outro e é também a manifestação da essência de Deus assim como Ele é. Quando Ele libera graça, não está ofertando algo que é seu, mas, sim, auto-ofertando-se, pois amor incondicional é o que o constitui em sua essência.
O crente precisa conhecer “três verdades básicas: quão grande é o nosso pecado, quão grande é a graça de Deus que nos redimiu e quão grande deve ser nossa gratidão a Deus por sua graça”.
Exercitar a gratidão diante de grandes ou pequenos gestos da graça de Deus demonstra um coração que avançou em sua caminhada espiritual e reconheceu a grandeza da superabundante graça oferecida na cruz.
Os que compreendem a graça devem desenvolver a incrível a incrível capacidade de simplesmente se deixarem presentear por Deus. Somente esses são justificados, porque aceitam ser aceitos “a despeito de ser inaceitável”, e assim se permitem embalar nos braços do amor e do perdão.
Para os filhos de Deus, côncios da graça do Pai, tudo é presente e dádiva. Não há reinvidicação nem presunção de méritos, mas somente grati9dão e ação de graças, pois a graça de Deus aceita o inaceitável.  
Consultas:
POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD RJaneiro 2017
ELWELL Walter A. Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009
DR. LLOYDE-JONES Martyn. Grandes Doutrinas Bíblicas Vl 1. Edit. PES – São Paulo, 1996
Bíblia de Estudo Almeida. SBB – Revista e Atualizada
ALEXANDER, T.Desmond. Novo Dicionário de Teologia Bíblica. Editora Vida. SPaulo, 2009
RENOVATO Elinaldo. As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais. Rio de Janeiro, 2015 – CPAD
SPERRY. Lewis Chafer. Teologia Sistemática. Editora Hahnus. SPaulo, 2008.GRUDEM Wayne.

Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A Abrangência Universal da Salvação - 05.11.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
 A Abrangência Universal da Salvação - 05.11.17
Texto Bíblico: João 3.16-18; 1Timóteo 2.5,6
Por: Pr. João Barbosa
                                         
A universalidade do pecado – A obra expiatória de Cristo tornou-se necessária por causa da universalidade do pecado que atingiu toda a raça humana e também por causa da seriedade do pecado porque este corrompeu o ser humano e prejudicou sua comunhão com Deus. Também por causa da incapacidade do homem de resolver por si mesmo esse problema.

Portanto, a universalidade, a seriedade e a incapacidade humana apontam para Cristo como único possível para fazer a expiação. Assim, foi necessária a obra expiatória de Cristo, que ele padecesse e se sacrificasse para aniquilar o poder do pecado (Rm 5.21).

O sacrifício expiatório de Jesus teve lugar na cruz do Calvário e foi a substituição do justo pelo pecador. Ele pagou o preço por nossos pecados, tomou sobre si, venceu a morte e ressuscitou (Is 53.4,5,11; 1Pe 2,24). A expiação é a suprema expressão do amor do Pai para com a humanidade através de Jesus Cristo o seu filho (Jo 3.16).

No AT, o pecado é tratado mediante a oferta de um sacrifício. Desta forma, o holocausto seria aceito “para fazer expiação” (Lv 1.4). Assim como acontece com a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa (Lv 4.20; 7.7) e especialmente com os sacrifícios no Dia da Expiação (Lv 16).

É lógico que o sacrifício seria ineficaz se fosse oferecido num espírito errado. Pecar “atrevidamente” (Nm 15.30,31). Isto é, com soberba de coração. Esta verdade é repetida e explicada com mais detalhe no NT. Ali, fica claro que todos os homens são pecadores (Rm 3.23) e que o inferno os aguarda (Mc 9.43; Lc 12.5).

Mas fica igualmente claro que Deus deseja trazer a salvação e já a trouxe na vida, morte, ressurreição e ascensão do seu filho. O amor de Deus é aquilo que envolve todas as coisas no que diz respeito à salvação do homem (Jo 3.16; Rm 5.8).

É da vontade do Pai que os homens sejam salvos, e a salvação é levada a efeito, não com um simples gesto, por assim dizer, mas por aquilo que Deus tem feito em Cristo: “Deus está em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19). Uma reconciliação levada a efeito pela morte de Cristo (Rm 5.10).

O NT enfatiza sua morte, e não é por acidente que a cruz veio a ser aceita como símbolo da fé cristã, ou que palavras tais como “crucial” vieram a ter o significado que agora possuem. A cruz é absolutamente central à salvação conforme o NT a ver. É aspecto distintivo do cristianismo.

Outras religiões têm seus mártires, mas a morte de Jesus não foi a de um mártir. Foi a de um Salvador. A sua morte salva os homens de seus pecados. Cristo tomou o lugar deles e sofreu a morte deles (Mc 10.45; 2Co 5.21).  A culminação de um ministério em que ele, coerentemente, se fez um com os pecadores.

Em sua morte, Cristo salientou a seriedade do pecado e a severidade da justiça de Deus, e triunfou sobre as forças do pecado e da morte, liberando-nos de seus poderes. Dessa forma a expiação implica em que a “humanidade de Jesus significa que sua morte expiatória é aplicável aos seres humanos; sua Deidade significa que sua morte pode servir para expiar os pecados de toda humanidade”.

Todos foram afastados de Deus por causa do pecado (Rm 3.23); todos se inclinam para o mal (Sl 14.3; Mc 10.18) não há homem justo sobre a terra (Ec 7.20). O pecado é tão terrível para o ser humano que a Bíblia afirma que ele tem o poder de afastar as pessoas de Deus e impedir as orações (Is 59.2) e ainda de tornarem as pessoas alvos de sua ira (Hb 10.27).

Somando a isso, o homem sofreu perda física, psíquica, social e espiritual. Além disso, a natureza também foi atingida pelo pecado e sofreu sérias consequências (Gn 3.17-19), assim como ainda sofre por causa da degradação, poluição e destruição dos homens que, em sua ganância a destrói fazendo-a gemer (Rm 8.22) aguardando novos céus e nova terra (1Pe 3.13), através da sua redenção.

Portanto, sua morte é a expiação dos pecados, do hebraico “kapar” que significa cobrir (no sentido de ocultar) o pecado. Isaias escreveu que “Ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar, quando a sua alma se puser por expiação do pecado...” (Is 53.10). Se alguém pecasse no AT, precisaria oferecer um animal pela culpa para “cobrir” a ofensa (Lv 6.2-7).

 Significando que o pecado foi coberto por uma vítima inocente, e, portanto, não seria mais visto, tornando-se invisível aos olhos de Deus. Esse mesmo princípio individual era usado para os pecados da nação (Lv 4.13-20).

Nesse sentido, o sacrifício de Cristo, é infinitamente muito mais abrangente, pois ele não apenas cobre os pecados, como também os remove completamente apagando-os e, portanto, perdoando-os (Hb 10.4-10) como se nunca houvesse cometido pecado.

O NT nos dá várias indicações do princípio em que a expiação é efetuada. Dessa forma, um sacrifício deve ser oferecido – não sacrifício de animais que não pode ser eficaz para os homens (Hb 10.4), mas o sacrifício perfeito de Cristo (Hb 9.26; 10.5-10). Cristo pagou a devida penalidade do pecado (Rm 3.25,26; 6.23; Gl 3.13).

Ele nos redimiu (1Co 6.20; Gl 5.1). Ele fez uma nova aliança (Hb 9.15). Ele obteve a vitória (1Co 15.55-57). Ele levou a efeito a propiciação que desvia a ira de Deus (Rm 3.25), fez a reconciliação que transforma inimigos em amigos (Ef 2.16). Seu amor e sua paciente perseverança diante do sofrimento deram o exemplo (1Pe 2.21); devemos tomar a nossa cruz (Lc 9.23).

Nossa participação nisso é simplesmente corresponder com arrependimento, com fé e com o viver santo.

REFLEXÃO
A retidão de Deus é o seu amor pela santidade, e a justiça de Deus é a sua abominação peço pecado.

Consultas:
POMMERENING, Claiton Ivan. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho a Verdade e a Vida. CPAD RJaneiro 2017
ELWELL Walter A. Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã. Ed. Vida Nova. SPaulo, 2009
WYCLIFFE. Tradução Degmar Ribas Junior.  Ed. CPAD. Rio de Janeiro, 2016
DR. LLOYDE-JONES Martyn. Grandes Doutrinas Bíblicas Vl 1. Edit. PES – São Paulo, 1996
Bíblia de Estudo Almeida. SBB – Revista e Atualizada

ALEXANDER, T.Desmond. Novo Dicionário de Teologia Bíblica. Editora Vida. SPaulo, 2009

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A Obra Salvífica de Jesus Cristo - 29.10.17

Subsídios Teológicos e Bibliológicos para Estudo sobre:
A Obra Salvífica de Jesus Cristo - 29.10.17
Texto Bíblico: João 4.13-19
Por: Pr. João Barbosa
                                         
O tempo e a hora em que Pilatos apresentou Jesus ao povo – “Era a preparação da Páscoa”, isto é, sexta feira. “Era cerca da hora terceira” (Mc 15.25). Notemos, primeiramente, que quando Pilatos sentou-se na tribuna, a hora terceira estava para terminar, isto é, faltavam alguns minutos para o começo da hora sexta – nove horas da manhã ( Jo 19.14).

Este texto é um parêntese que o Evangelista João abre, à guisa de informação. Tem havido certa dificuldade em harmonizar esse texto com o de Mc 15.25, que diz que o Senhor foi crucificado à hora terceira. A explicação que harmoniza Jo 19.14 com Mc 15.25 se encontra no relato de Calvino. Ela se baseia no fato de que os judeus dividiam as doze horas de seu dia em quatro partes:

A hora terceira que começa as seis e ia até às nove horas; a hora sexta, que começava as nove horas e ia até as doze horas; a hora nona que começava as doze horas e ia até as quinze horas; e a hora duodécima que começava as quinze horas e ia até as dezoito horas.

Estas grandes divisões incluem as horas intermediárias, de modo que qualquer momento das seis às nove da manhã podia ser chamado a hora terceira, e qualquer momento das nove horas até o meio dia, podia ser chamado a hora sexta.

Desse modo não se faz violência a hora de João. Assim, tanto Marcos como João entendem dizer que Jesus foi condenado e crucificado lá pelas nove horas da manhã. Somente um deles chama aquele momento de hora terceira, a qual estava para findar; o outro o chama hora sexta que estava a começar.

Então Pilatos disse aos judeus: “Eis o vosso rei”. Ele já havia ridicularizado Jesus apresentando-o ao povo como um vencido. Agora o apresenta como rei dos judeus. Mas eles clamaram: tira-o, crucifica-o. A servís e o coração dos principais sacerdotes estavam definitivamente empedernidos.

Pilatos perguntou: “Hei de crucificar o vosso rei?” E a resposta capciosa dos judeus foi: “Não temos rei senão Cesar”. Mas uma vez Pilatos quis que a responsabilidade final do crime a ser consumado recaísse pesadamente sobre as autoridades religiosas judaicas, como também sobre o povo e, assim, teria argumentos para inocentar-se perante a lei romana. Mas as autoridades judaicas foram extremamente cautelosas e com falsos argumentos disseram não temos rei senão Cesar.

A trágica e final decisão de Pilatos – “Então lho entregou para ser crucificado” (Jo 19.16). Assim consumou-se o processo mais iniquo e trágico de todos os séculos. O magistrado tombou vergonhosamente, primeiro diante de si mesmo, e, então, diante dos inimigos de Jesus.

Embora tivesse vontade e desejo de soltar a Jesus, contudo, o condenou à morte. Deveras, o homem, em seus delitos e pecados, é um escravo. “E, embora não achasse alguma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto” (At 13.28).

Pilatos personagem de alta classe e posição, representante da mais poderosa nação da terra, homem que devia ser o mais imparcial e defensor da equidade e da justiça, enfim, governador romano, ele oscilante entre dois juízos opostos em uma causa clara como a luz do meio dia. “Ele sabe e conhece onde está o direito, e age em sentido contrário: Diz-lhe a consciência que ele deve soltar o acusado, mas teme desagradar os acusadores e sacrifica, assim a justiça ao capricho dos maus, sanciona um, crime sem par na história, e consente a morte de um justo”.

A tradição diz que Pôncio Pilatos, no ano 36dC., foi acusado pelo governador da Síria, e que foi à Roma par defender-se, porém não conseguiu: Foi exilado para Gália e ali se suicidou.

No caminho da cruz: antes das nove horas da sexta feira (Mc 15.20-33; Mt 27.31-34; Lc 23. 26-33ª; Jo 19.17) – Nosso amado Senhor é revestido em suas próprias vestes ensanguentadas, e, lá fora, no pátio do pretório, uma cruz já estava preparada para ser por ele carregada até o suplício. “Depois de o terem assim escarnecido, despiram-lhe a púrpura e lhes puseram as vestes” (Mc 15.20). “Tomaram, pois, a Jesus; e ele carregando a sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota” (Jo 19.17).

Simão Cirineu ajuda a levar a cruz (Lc 23.26) – Não se sabe quem era realmente este homem, se algum judeu que em algum tempo houvesse habitado em Cirene (capital de uma pequena província da Líbia, na África, e corresponde à moderna Trípole), ou se algum gentio relacionado com a colônia judaica daquela capital e que estivesse interessado em saber quem era Jesus, nem podemos saber se ele era crente ou não, a não ser o que nos diz Marcos: “E obrigaram certo Simão, o cirineu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a carregar-lhe a cruz” (Mc 15.21).

Considerando este texto, notamos que esse cirineu era conhecido, e, portanto, possivelmente, poderia ser um prosélito que se tornara cristão. Mas, deste incidente, devemos ter em mente três fatos: Primeiro, que Jesus não pediu ao cirineu para levar sua cruz, embora não pudesse impedi-lo de o fazer.

Segundo, que Simão Cirineu foi obrigado pelas autoridades a levar a cruz do Senhor, portanto, Simão não agiu de forma voluntária; e, terceiro, Jesus tragou sozinho o cálice do sacrifício da cruz inteiramente e pagou a dívida dos pecadores totalmente (Mt 26.38-42).

O lugar da crucificação – “Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota que quer dizer lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinho misturado com fel. Mas ele provando não quis beber” (Mt 27.33-34). Caveira, que em hebraico se chama Gólgota e em português Calvário, era um lugar que ficava fora dos muros de Jerusalém, porém perto da cidade.

Os lugares históricos do Calvário, como também os do sepulcro de Jesus achavam-se situados fora das muralhas da cidade, e não dentro da mesma, como muitos, que observam ensinos tradicionais, até o dia de hoje, acreditam, e, quanto às supostas quedas de Jesus sob o peso da cruz, no trajeto para o Calvário, não existe nenhuma prova bíblica nem histórica. Os evangelhos nada dizem, portanto, não se deve acrescentar nada ao texto bíblico sob pena de perder a sua porção (Ap 22.18,19).


Jesus crucificado: as três primeiras horas na cruz – Das nove às doze horas de sexta feira (Mc 15.24-32; Mt 27.35-44; Lc 23. 33b -48; Jo 19.18-27). O ato da crucificação: Havia três tipos principais de cruzes: A cruz comissa em forma de T maiúsculo; a cruz decussata em forma de X maiúsculo e a cruz imissa + no formato popular a qual conhecemos hoje. O Senhor Jesus foi crucificado numa cruz imissa, porquanto, puseram no topo da cruz uma inscrição que declarava o motivo porque fora crucificado.

Esta pena horrível era oriunda dos cartagineses, e os romanos a usavam para executar os escravos e não os cidadãos romanos. A vítima dessa cruel pena ficava muitas vezes, em agonia durante até quarenta e oito horas ou mais, conforme a resistência do crucificado. Puseram o Senhor estendido sobre o madeiro e cravaram-lhe as mãos e os pés. Quadro sanguinário e estarrecedor.

E nosso salvador sentiu toda dor física na sua realidade perfeita e absoluta, como qualquer corpo humano sentiria. Jesus era perfeitamente homem, em sua natureza física, e perfeitamente Deus em sua natureza espiritual.

A primeira palavra de Jesus na cruz – Cremos que foi nessa hora cruciante que Jesus proferiu a primeira palavra, ou dito na cruz, que é uma oração de profundíssima dor e angústia: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Uma das maiores e misericordiosas bênçãos que o pecador pode receber de Deus é o perdão de seus pecados.

Nos evangelhos, temos sete expressões proferidas por Jesus na cruz, que são chamadas abreviadamente, as sete palavras da cruz.

A segunda palavra de Jesus na cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). Esta segunda palavra de Jesus na cruz foi palavra de salvação a um grande pecador: o ladrão que estava na cruz a sua direita, que reconheceu que Cristo era Deus.

A terceira palavra de Jesus na cruz: “Ora, Jesus vendo ali sua mãe e ao lado dela o discípulo a quem ela amava disse a sua mãe: Mulher, eis ai o teu filho. Depois disse ao discípulo: eis ai tua mãe” (Jo 19.26,27a).

A quarta palavra de Jesus na cruz: “Eloi, Eloi, lamá sabactani, que traduzido é: Deus meu, Deus meu, porque m e desamparaste?” (Mc 15.34; Sl 22.1). “Foi em meio da natureza enlutada pelas trevas que Jesus proferiu estas palavras de inescrutável mistério, que a habilidade e o conhecimento humano não pode discernir. Essas palavras de suprema expressão de sofrimento moral e espiritual não é porque causa, mas porque fim, porém não se deve insistir na distinção.

A quinta palavra de Jesus na cruz: “Tenho sede” (Jo 19.28,29). O filho eterno de Deus, por quem e para quem todas as coisas foram criadas, agora, limitado à natureza humana, tem sede.

A sexta palavra de Jesus na cruz: “Está consumado” (Jo 19.30). Jesus estava na fase final e aguda de sua gloriosa obra expiatória da redenção do mundo perdido. Este foi o grito triunfal da vitória sob o pecado e Satanás. Nesta hora estava consumada a profecia do sacrifício vicário e redentor da cruz e a dispensação do VT e de todas as exigências da lei.

Os grilhões do pecado foram quebrados e as exigências justas da lei foram superadas pela soberana graça. Graça de Deus manifestada no sacrifício da cruz. Deus exigia justiça perfeita, absoluta ausência de pecado, no sacrifício oferecido para purificação do pecado. Jesus o consumou. Jesus consumou na cruz a obra total da salvação do pecador pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo crucificado, de vez e jamais se repetirá (Hb 10).

A sétima palavra de Jesus na cruz: Jesus, clamando com grande voz disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito, e, havendo dito isto expirou” (Lc 23.46). Este último clamor do alto da cruz ecoará até à consumação dos séculos. Este último clamor de Jesus proclamou que ele é o unigênito filho de Deus: E foi por ter declarar que era filho de Deus que fora condenado a morte de cruz.
REFLEXÕES:
É do alto da cruz que nos vem a mensagem do amor de Deus para com o mundo perdido (Jo 3.16).

È do alto da cruz que nos vem a graciosa mensagem do perdão dos pecados: “Pai, perdoa-lhes”

É do alto da cruz que vem o sublime exemplo do sacrifício da vida imaculada do filho de Deus. “E eu”, disse Jesus, “Quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12.30).

É do alto da cruz que nos vem a mensagem de que Jesus Cristo, o filho eterno de Deus, consumou completamente a obra redentora da salvação de no alma crente em Cristo: “Está consumado” (Jo 19.30).

É do alto da cruz que è proclamada a imortalidade da alma, que a vida eterna, para a glória eterna do crente em Cristo Jesus, o autor e consumados da fé: “Vou preparar-vos lugar para que onde eu estiver estejais vós também. Amém.



Fonte: Este estudo foi baseado nas Notas e Comentários À Harmonia dos Evangelhos de Egídio Gióia. Editora Juerpe. 2ª edição. Rio de Janeiro, 1981