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sábado, 16 de setembro de 2017

Lição 12 – O Mundo Vindouro - 17.09.17

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Abreu e Lima Pernambuco
 Pr Presidente Roberto José do Santos
Subsídios Bibliológicos para o Tema: A razão da nossa Fé – Assim cremos e assim vivemos:
Apocalipse 21.1-5
Por: Pr. João Barbosa
                                         
 O mundo conhecerá o reinado de Jesus durante o Milênio. Será um tempo de paz e harmonia jamais visto.
O Milênio envolverá o reinado espiritual e literal de Cristo. Alguns estudiosos pensam que Cristo reinará visivelmente em Jerusalém.

Grande parte das Escrituras Profética é dedicada ao Reino Milenar de Cristo. Essa Era Milenar, na qual os propósitos de Deus serão totalmente realizados na Terra, exige atenção considerável.

O Milênio não é um fim, mas, somente um meio para que se chegue ao Estado Eterno. Será um período de preparação para o Estado Eterno, uma transição do mundo antigo para o novo mundo – da antiga criação para a nova (Ap 21 – 22).

A terra inteira será renovada (Is 11.6-9). A paz e a santidade governarão juntas (Is 2.3,4). Toda a vida em seus aspectos científico, social e espiritual terão progressos impressionantes. O mal, só esporadicamente aparecerá e será duramente punido (Is 65.20).

A duração da vida dos homens será grandemente aumentada, e o mal retornará uma vez mais por um breve espaço de tempo, sendo rapidamente punido (Is 65.20).

 O Juízo –  Todos os ímpios terão de prestar contas dos seus atos perante o Supremo Juiz.

A Bíblia nos fala de uma eternidade passada e uma eternidade futura (Sl 90.2; Hb 13.8).E antes desta nova eternidade ter início, a Era atual deve acabar. Is 51.6, declara que os céus desaparecerão como fumaça, e a terra envelhecerá como se fosse uma roupa (Is 13.10,13, 34.4; Sl 102.26; Ez 32.7,8; Jl 2.10).

Em Rm 8.18-22 fala do gemer da criação por causa da sua escravidão e decadência e seu profundo desejo de ser liberta dessa condição.
Em 2Pe 3.7,10, temos ali uma indicação de como ocorrerá essa libertação da criação: Os céus passarão com grande estrondo e as obras que nela há serão descobertas.

A decadência que mantém a criação escravizada deve ser destruída, para que a criação se uma aos filhos de Deus, no Novo Céu e na Nova Terra.
João nos fala que a Terra e os Céus fugiram da presença de Cristo. E não foram achados lugar para eles.

A ideia de fugir da presença de Deus retrata um julgamento. Moisés não podia olhar para a face de Deus e permanecer vivo (Ex 33.20).

A criação igualmente fugirá da sua presença. Aqui temos a mesma ideia de Ap 16.20 e Ap 6.14 em que todas as ilhas fugiram, e os montes desapareceram com o abalo do Céu no sétimo juízo das taças, há uma conotação de destruição total. 

A segunda declaração: e não foi achado lugar para eles é igual a Ap 12.8, onde afirma que Satanás e os anjos caídos perderam seu lugar no Céu.

 O Destino Final dos Mortos – Os salvos que morreram em Cristo aguardam a ressurreição no céu e os ímpios a esperam no Hades, em sofrimento indizível.

A palavra portuguesa inferno vem do termo latino infernus, que significa “o que está abaixo”, “inferior”, “subterrâneo”.

No imaginário mitológico dos gregos e dos romanos, o Hades e o Infernus referiam-se a alegadas prisões subterrâneas onde as almas ficariam encerradas, após a morte física.

De acordo com o pensamento hebraico e grego, o Hades, originalmente, não era um lugar onde habitavam seres conscientes sofrendo tormento.

Gradualmente, porém, foram sendo atribuída as almas do Hades (a qualidade) um estado de consciência e, juntamente com isso, as ideias de recompensa para as almas boas e de castigo para as almas más.

Posteriormente os hebreus passaram a dividir o Sheol, que é equivalente ao Hades dos gregos, em compartimentos para os bons e outros compartimentos para os maus, além de dar o nome de Paraíso para o compartimento das almas boas.

Uma palavra de sentido mais profundo era Geena, que se referia a um lugar de chamas; e foi em ligação a esta palavra que a ideia de punição eterna tornou-se proverbial.

O Antigo e o Novo Testamento usam dezoito símbolos diferentes para discorrer sobre o Inferno. Cada um contribui um pouco para uma compreensão do ensino bíblico acerca do assunto.
Mesmo com estas dezoito descrições, nosso conhecimento sobre o Inferno é muito limitado.


1. O primeiro termo que descreve simbolicamente o local de sofrimento é Sheol, que é utilizado por sessenta e seis vezes no AT, sendo traduzido por inferno, trinta e uma vezes (Dt 32.22; Sl 9.17; 18.5; Is 14.9), e por sepultura também trinta e uma vezes (1Sm 2.6; Jó 7.9; 14.13), e três vezes traduzido por abismo (Nm 16.30.33; Jó 17.16).

Esta era a denominação do AT para a habitação dos mortos. Não se tratava apenas de um estado de existência, mas de existência consciente (Dt 18.11; 1Sm 28.11-15; Is 14.9).

Deus era soberano sobre aquele lugar (Dt 32.22; Jó 26.6). Era considerado um destino temporário e os justos anteviam sua ressurreição e remoção daquele lugar para a vida no milênio (Jo 14.13-14, 19, 25, 27; Sl 16.9-11, 17.15; 49.15; 73.24).

2. Hades – Os tradutores da Septuaginta grega, utilizavam a palavra Hades para traduzir Sheol.
Hades também designava “o além” no pensamento grego. A palavra grega Hades representa o mundo inferior, o reino dos mortos nas obras clássicas.

Na septuaginta, é quase sempre utilizada para traduzir Sheol, e no NT, tem quase sempre um relevo negativo. É utilizada exclusivamente para descrever o lugar de castigo dos ímpios.

Na descrição do Hades, a principal passagem do NT é Lc 16.19-31, que descreve a condição de um homem rico e ímpio e um homem pobre e piedoso (Lázaro).

O homem pobre morreu e foi levado pelos anjos para o Seio de Abraão, mas o rico ao morrer foi sepultado (Lc 16.22).

O castigo no Hades inclui ser queimado, separação e solidão, condenação em função das lembranças, sede, deterioração – mal cheiro.

O homem rico e ímpio podia ver sobre “um grande abismo” (Lc 16.26), o local onde ficavam os salvos; porém o homem rico não tinha como escapar de seus tormentos.

A relativa proximidade entre o mendigo e o homem rico sugere que, originalmente, o Hades e o Paraíso – o Seio de Abraão – ficavam no mesmo lugar.

Ao morrer, na cruz, Cristo desceu “as regiões inferiores da terra” e “levou cativo o cativeiro”. Ele, em seguida, subiu daquele lugar (Ef 4.8-10).
Muitos comentaristas acreditam que o Paraíso foi, naquele momento, separado do Hades e levado ao Terceiro Céu.

Novos Céus e Nova Terra – Os crentes viverão eternamente com Jesus Cristo na cidade santa, a Nova Jerusalém.

O Céu na era presente é o lugar em que Deus habita. O Senhor diz “O céu é o meu trono” (Is 66.1). E Jesus nos ensina a orar “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9).
Depois de consumada a sua obra na cruz e subir aos céus, Jesus está a destra de Deus.

O Céu pode ser definido da seguinte maneira: Céu é o lugar em que Deus torna conhecida da forma mais completa a sua presença abençoadora.

A Bíblia fala de três Céus – 1º. O céu atmosférico – Que é o espaço visível, ou troposfera: Região atmosférica respirável que envolve o nosso planeta. Gn 7.11,12 diz: “As janelas dos céus se abriram, e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites”.

Aqui, a palavra “céu” diz respeito à cobertura atmosférica que envolve o mundo, que é onde ocorre o círculo da água. No Sl 147.8 está escrito: “Deus cobre o céu de nuvens”. Este é o primeiro céu.

2º. O céu estelar – É onde estão as estrelas, a lua e os planetas. As Escrituras usam esta palavra, “céu”, para descrever esta região (Gn 1.14-17). Este é o
segundo céu.

3º. O céu mencionado por Paulo em 2Co 12.2 – É onde habitam Deus, seus santos anjos e os santos que já partiram. Os outros dois céus passarão (2Pe 3.10), mas este é eterno.

As Escrituras revelam que o “céu” não é limitado por dimensões físicas, como altura, profundidade e largura. O céu parece ultrapassar todos esses conceitos e vai muito além (1Re 8.27).

Na mensagem de Cristo à Igreja de Filadélfia, ele fala sobre o reino eterno como “a Nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus” (Ap 3.12).

Nos últimos capítulos da Bíblia, o apóstolo João fala sobre “a Grande Cidade, a Nova Jerusalém, que de Deus descia do céu” (Ap 21.10). Novos Céus e Nova Terra combinados em um grande reino que engloba os dois domínios.

O paraíso da eternidade é deste modo revelado como um grandioso reino, que une o Céu e a Terra em tamanha grandiosidade e glória que ultrapassa todos os limites da imaginação humana e das dimensões da terra.

Onde está localizado o Céu – O Céu, portanto, não se encontra em um lugar específico determinado por limites físicos ou visíveis. Ele transcende o conceito de espaço-tempo.

É provável que o Céu faça parte do que lemos na Bíblia sobre Deus habitar na eternidade (Is 57.15). O local da habitação de Deus – o Céu – não está sujeito às dimensões finitas ou a limites normais.

Neste aspecto o reino dos céus invade e passa a governar a vida de cada crente em Cristo. 

Espiritualmente, o cristão torna-se parte do céu nesta vida, com todos os direitos de um cidadão celestial, aqui e agora. Era exatamente isso que Paulo dizia ao afirmar: “Mas a nossa cidade está nos céus”
 (Fp 3.20).


 Bibliografia:
Lições Bíblicas EBD CPAD - 3º. Trimestre 2017. Comentarista: Pr. Esequias Soares
SOARES Esequias. A Razão da nossa Fé – Assim cremos, assim vivemos. CPAD RJaneiro 2017
HOEKEMA. A. Anthony. A Bíblia e o Futuro – Escatologia Futura e Escatologia Realizada – 3ª. Edição. Editora Cultura Cristã. SPaulo,2012.
PENTECOST. J. Dwight. Manual de Escatologia – Uma análise detalhada dos eventos futuros. 8ª. Edição. Edit. Vida. São Paulo, 2010.
WALVOORD John F. Todas as Profecias da Bíblia. Edit. Vida, SPaulo, 2012
OLSON N. Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD. RJaneiro, 1979.
HAYE. Tim. Bíblia de Estudo Profética. Editora Hagnus. São Paulo, 2005.
GEISLER Norman. Teologia Sistemática: Vl 2. Pecado – Salvação. A Igreja –As Últimas Coisas. SBB – Rio de Janeiro 2010
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática – Atual e Exaustiva. Editora Vida Nova. SPaulo, 1999
Hamplin, R.N, Ph.D. Enciclopédia de Biblia, Teologia e Filosofia Vl 4. Edit. Hagnus, SPaulo.
COHEN.Armando C.Estudo sobre o Apocalipse. CPAD. RJaneiro
POHL, Adolf. Apocalipse de João – Comentário esperança. Vl II. Editora Ev. Esperança Curitiba, 2001
CHAFFER e Lewis Sperry. Teologia Sistemática Vl 3 & 4. Editora Hagnos. SPaulo, 2003
HINDSON T. Lahaye Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica.  CPAD. RJaneiro, 2010.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A Reforma Protestante - 12.09.2017

Por Pr. João Barbosa
O declínio do Papado – Entre os séculos XIV e XV, a igreja medieval começou a enfrentar uma série de crises que preparara o caminho para a Reforma Protestante.

A primeira dessas crises desafiou a base da autoridade eclesiástica, representada pelo papa e pelos Concílios.

Em 1302, o papa Bonifácio VIII (1235-1303) promulgou uma bula em que afirmava que todo o poder espiritual e temporal pertence aos pontífices romanos, decidindo, assim, que qualquer pessoa que quisesse obter a salvação tinha de submeter-se ao papa e sem submissão ninguém poderia fazer parte da igreja.

O Império Bizantino que dominou o Oriente durante quase dez séculos, herdeiro e extensão do antigo Império Romano, chegou ao fim no ano de 1453.

Já nos séculos XII e XIII, o Império Bizantino dava seus primeiros sinais de enfraquecimento, com as cruzadas e a ascensão comercial das cidades italianas, acontecimentos responsáveis por sua desestruturação.

Ainda assim, Constantinopla era, até o momento de sua queda, uma das cidades mais importantes do mundo, funcionando como uma ponte para as rotas comerciais que ligavam a Europa à Ásia por terra, sendo o principal porto nas rotas entre o mar Negro e o mar Mediterrâneo.

Em abril de 1453, o exército do sultão Maomé II (1432 – 1481), com cerca de 80 mil homens, artilharia pesada e mais de 100 navios, sitiou a cidade.

Constantinopla era defendida por 7 mil soldados e cerca de 20 navios. Mesmo com os bizantinos conquistando duas vitórias animadoras, não conseguiram resistir ao cerco e ao ataque final, que ocorreu em 29 de maio de 1453.

Já com tropas mulçumanas dentro da cidade, tendo ultrapassado as muralhas, o momento final do cerco se deu quando, após a queda dos muros da cidade, o imperador Constantino XI Paleólogo (1404 – 1453), com espada em punho, partiu para o combate corpo a corpo, para nunca mais ser visto.

A queda de Constantinopla teve grande impacto no Ocidente. A trágica queda da grande cidade, perante os turcos e otomanos, marcou o fim da Idade Média e o início de uma nova era chamada Renascença.

De acordo com alguns autores, o Renascimento (Renascença) foi um movimento de ruptura, que surgiu em oposição à "escuridão cultural e intelectual" verificada na Idade Média.

Enquanto alguns autores defendiam que o Renascimento foi um movimento de separação de muitas filosofias da época medieval, outros indicam que foi um movimento de continuidade e que por isso está inevitavelmente relacionado com a Idade Média.

A Renascença permitiu o surgimento de gênios como Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, Nicolau Copernico entre outros que contribuíram com a invenção de instrumentos científicos com a inovação na arquitetura, na escultura, na pintura e na música.

A Renascença e a Reforma Protestante – A época que antecedeu a Reforma Protestante foi de grande inquietação, um período marcado por muitas mudanças na cultura e na sociedade, assinalando o final da Idade Média e o início da Idade Moderna.

Entre as mudanças as mais dramáticas foram: decadência do poder feudal e o fortalecimento do poder nacional representado pelo rei; florescimento urbano, ocorrido na transição do feudalismo para o capitalismo.

Nesse novo sistema econômico, os meios de produção e distribuição pertencem à propriedade privada e têm fins lucrativos, e as decisões sobre oferta, preço, distribuição e investimentos não são feitas pelo governo.

Os lucros eram granjeados pelos proprietários, que investiam em empresas e estas pagavam aos trabalhadores os salários.”

Essa era, que começou em meados do século XV, ficou conhecida como “Renascença”, em virtude da redescoberta dos valores culturais da Antiguidade Clássica.

Tais redescobertas nortearam as mudanças ocorridas nesse período, trazendo à tona um ideal humanista que afirmava a dignidade do homem, fazendo deste um investigador da criação.

De fato, foi um tempo de grandes descobrimentos, mas também de disputas. Imperadores, reis generais e papas lutavam entre si.
Assim foi moldada a Europa moderna e deu-se início à criação dos estados nacionais.

A era dos descobrimentos – Com a cidade de Constantinopla sob o domínio mulçumano, o comércio entre Europa e Ásia declinara subitamente.

Nem por terra nem por mar os mercadores cristãos conseguiam passagem para as rotas que levavam à Índia e a China – de onde provinham as especiarias usadas para conservar alimentos e também os artigos de luxo e para onde se destinavam as mercadorias mais valiosas.

Por consequência, as cidades de Gênova e Veneza entraram em declínio, enquanto portugueses e espanhóis aproveitaram sua posição geográfica para o estabelecimento de rotas alternativas, chegando a lugares como África, Índia e América pela rota do Oceano Atlântico.

Em 1494, para evitar conflitos entre o reino de Portugal e o recém-formado reino da Espanha, foi estabelecido o Tratado de Tordesilhas, que dividia o mundo entre as duas potências. No século XVI, esses dois países tornaram-se os mais poderosos do mundo.

A Europa pega fogo – No período de 50 anos, de 1500 a 1546, sete papas passaram pelo Vaticano:
Alexandre VI (1492 – 1503).
Pio III (1503).
Júlio II (1503-1513).
Leão X (1513-1521).
Adriano VI (1522-1523).
Clemente VII (1523-1534)
Paulo III (1534-1549).
Em média, cada um deles reinou sete anos.

Com raras exceções, esses papas não honraram o nome de Deus nem o cargo que ocupavam.

A começar com o papa da “descoberta” do Brasil Alexandre VI, que se relacionou com uma senhora da nobreza romana, Vanozza de Cataneis, da qual teve quatro filhos entre eles o tristemente famoso César Bórgia que assassinou o marido da irmã e ela própria, Lucrécia Borja.

Os outros papas eram escandalosamente nepotistas e amantes do fausto e do poder. Os dois que mais prometiam tiveram pontificado muito curtos – Adriano VI (21 meses) e Pio III (25 dias).

Foi o papa Alexandre VI quem traçou a linha de Tordesilhas, sete anos antes da “descoberta” do Brasil, que separava as zonas de influência portuguesa e espanhola na esperança de acabar com a disputa entre os dois grandes países da época.

Foi nesse ambiente de profunda decadência doutrinária e moral que surgiram quase que simultaneamente, alguns movimentos espontâneos de reforma religiosa em vários países da Europa.

Na verdade, esses esforços de reforma da igreja começaram bem antes da expedição de Cabral, com João Wycliffe (1320-1384), na Inglaterra, e João Huss (1369-1415), na Tchecoslováquia. Wycliffe é conhecido como a Estrela D’Alva da Reforma.

Outra tentativa de reforma, de caráter mais regional e mais moral, aconteceu na última década do século XV com o dominicano Jerônimo Savanarola (1452 – 1498), na cidade de Florença.

Tanto Huss como Savanarola foram condenados à morte, este aos 46 anos, por ordem do papa Alexandre VI, e aquele aos 43 por ordem do papa Alexandre V.

A soma de todos os esforços da igreja realizados na primeira metade do século XVI, na Inglaterra, Escócia, Países Baixos, França, Alemanha, Suíça e Prússia, deu origem à segunda grande cisão da Igreja Cristã.

O primeiro cisma ocorreu 463 anos antes, com o nascimento da Igreja Católica Ortodoxa, também chamada Igreja Oriental. Trata-se da Reforma Protestante, levada a cabo por homens como Martinho Lutero (1483-1546).

Úlrico Zuinglio (1484-1531). Felipe Melancton (1497-1560). João Calvino (1509 a 1564) e John Knox (1514-1572).

A data mais importante da reforma é 31 de outubro de 1517, quando Lutero protestou publicamente contra o abuso na venda de indulgências, com a afixação de suas Noventa e Cinco Teses à porta da igreja do castelo de Wittenberg, na Alemanha, à época do pontificado de Leão X.

É bom lembrar que Lutero nasceu 17 anos antes da “descoberta” do Brasil e proclamou a reforma 17 anos depois.

Martinho Lutero – A tradição Luterana tem início com Martinho Lutero (1433-1546), na Alemanha.

Aos 18 anos, em 1501, foi enviado por seu pai, que desejava torna-lo um advogado, para a Universidade de Erfurt. Mas Lutero tinha consciência de sua própria miséria.

O fato decisivo que o levou a ingressar, em 1505 no mosteiro dos cônegos agostinianos foi o medo da morte, decorrente de uma violenta tempestade com que foi surpreendido quando retornava de sua casa para universidade.

No entanto, mesmo no mosteiro, ele se sentia incomodado e andava sempre triste por causa de seus pecados. A partir de 1512, depois de concluir seu doutorado em Teologia, 
Lutero começou a pregar na Universidade de Wittenberg sobre Salmos e sobre as Epístolas aos Romanos, Gálatas e Hebreus.

Ao estudar as Escrituras, Lutero percebeu que a culpa que o consumia não poderia ser removida nem mesmo se ele fizesse ainda mais penitências, e o deus que ele tanto temia não era o Deus que Cristo tinha revelado: “Noite e dia eu ponderei até que vi a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que o justo viverá pela fé.

Então eu compreendi que a justiça de Deus era aquela pela qual pela graça e pura misericórdia, Deus nos justifica através da fé.

Com base nisso ele sentiu estar renascido e ter passado através de portas abertas para dentro do paraíso.

Toda Escritura teve um novo significado, e, se antes a justiça me enchia de ódio, agora ela se tornou para mim inexprimivelmente doce, em um maior amor. Esta passagem de Paulo se tornou para mim um portão para o céu”.

Desse modo, Lutero desvencilhou-se da ideia medieval de que o homem se faz justo e entendeu que as Escrituras ensinam que Deus declara pecadores justos com base na perfeita obediência de Cristo, recebida somente por fé.

Compreendeu também que a doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, é “o artigo pela qual a igreja se mantém ou cai”.

Além de professor das Escrituras, Lutero era o pastor da igreja da cidade Wittenberg e a partir desse entendimento, começou a pregar sua fé recém-descoberta para a congregação.

Mas ao mesmo tempo, o monge dominicano João Tetzel (1465-1519), representante do papa Leão X, vendia indulgências na Alemanha. Para Lutero, tal prática era uma perversão do evangelho.

Segundo de conta, em 31 de outubro de 1517, ele afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg, o debate para o esclarecimento do valor das indulgências noventa e cinco teses, o que marcou o princípio da Reforma Protestante.

Esse tratado foi copiado, impresso e, em duas semanas se espalhou por toda Alemanha, e em dois meses, por toda Europa.

Os eventos se sucederam com rapidez. Em 1518, Frederico III, eleitor da Saxonia (1563-1525), deu seu apoio a Lutero, que, em 1519, participou de debate de Leipzig.

Em 10 de dezembro de 1520, Lutero queimou os livros de diretos canônicos e a bula papal que o ameaçava de excomunhão.

No início de 1521, ele foi convocado a Worms, perante o imperador do sacro império, Carlos V (1500-1558), e os príncipes da Alemanha, para dar contas de seu ensino.

Depois de dois dias de debate, em que o que estava em jogo era a autoridade das Escrituras, ao ser instado a retratar-se e retornar à comunhão com Roma, Lutero exclamou: 

“Já que me pede uma resposta simples, darei uma que não deixa margem a dúvidas: A não ser que alguém me convença pelo testemunho das Escrituras Sagradas ou com razões decisivas, não posso me retratar.

Pois não creio nem na infalibilidade do papa, nem na dos concílios, porque é manifesto que frequentemente se tenha equivocado e contradito.
Fui vencido pelos argumentos bíblicos, que acabo de citar e minha consciência está cativa à palavra de Deus.
Não posso e não quero retratar-me, porque é perigoso e não é certo agir contra sua própria consciência. Que Deus me ajude. Amém”.

Era a noite de 18 de abril de 1521 e o novo dia raiou para a cristandade. Em 1529, os príncipes católicos reuniram-se em torno de uma resolução que impedia a introdução da reforma em seus territórios, mas reclamavam liberdade de cultos romanos nos territórios conquistados pelo movimento reformador.

A recusa solene dos príncipes evangélicos, como se chamavam, de concordar com essa imposição tornou os reformadores conhecidos como “protestantes”.

Por fim, um dos grandes feitos de Lutero foi traduzir com um grupo de colaboradores toda a Escritura para o alemão. Essa edição foi publicada em 1534.

Ele trabalhou aperfeiçoando-a até o ano de sua morte. E, por essa época, sua influência já se havia espalhado não só pela Alemanha, mas por parte da Holanda, Suécia, Dinamarca e Noruega. Lutero foi sucedido por seu amigo Filipe Melanchton (1497-1560).

Bibliografia:
FERREIRA Franklin. A Igreja Cristã na História - Das Origens aos Dias Atuais. Edições Vida Nova. São Paulo, 2013

CEZAR, Elben M. Lenz. História da Evangelização do Brasil – Dos Jesuítas aos Neopetencostais. Editora Ultimato. Minas Gerais, 2ª edição, agosto de 2.000
MELO, Esdras Cabral de. 500 Anos da  Reforma Protestante – Causas Consequências Contribuições. Editora Palavra de Vida, Pernambuco, 2017
Bíblia de Estudo da Reforma
OLSON Roger. História da Teologia Cristã – 2.000 de Tradição e Reformas. Editora Vida. São Paulo, 2001

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Lição 11 – A Segunda Vinda de Cristo - 10.09.17 - EBD CPAD

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Abreu e Lima Pernambuco
 Pr Presidente Roberto José do Santos
Subsídios Bibliológicos para o Tema: A razão da nossa Fé – Assim cremos e assim vivemos:
1 Tessalonicenses 4.13-18; Lucas 21.25-27
                       Por: Pr. João Barbosa                                                         
                                     http://nasendadacruz.blogspot.com
O escritor aos Hebreus falando do sacrifício expiatório de Cristo diz que ele apareceu uma vez para tirar os pecados de muitos; aparecerá segunda vez sem pecado aos que o esperam para a salvação (Hb 9.28).

Esta vinda, aos que o esperam para a salvação está diretamente relacionada ao arrebatamento da igreja ou à primeira parte da sua vinda.

A volta triunfal de Cristo será visível e em glória, e todo olho o verá, mesmo os que o traspassaram (Ap 1.7; Zc 12.10; Mt 24.29,30; 16.27).

No arrebatamento, o Senhor Jesus Cristo, virá para os seus santos (1Ts 4.13-18; 1 Co 15.51-58), e os levará sem que o mundo perceba.

Na sua volta triunfal em glória, o Senhor Jesus virá com os seus santos para livrar Israel das garras do Anticristo e todo olho verá (Ap 1.7).

O arrebatamento acontecerá antes da septuagésima semana de Daniel (Dn 9.24-27). A volta triunfal acontecerá no final da setuagésima semana de Daniel. Naquele dia estará os seus pés sob o monte das Oliveiras (Zc 14.4,5; Jd 14,15).

Assim como o Filho de Deus foi publicamente rejeitado e repudiado, naquele dia ele será publicamente apresentado por Deus em sua vinda em glória (Mt 16.27; 25.31).

A segunda vinda de Cristo como relatada pelo apóstolo Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses 4.13-18 e 1Coríntios 15.51-58 contém as principais revelações sobre o arrebatamento da igreja.

O AT e os evangelhos sinópticos, falam muito sobre a segunda vinda de Cristo, todavia, a revelação específica sobre a vinda de Cristo para levar a sua igreja deste mundo, tanto os crentes que estiverem vivos como os que já tiverem dormido no Senhor só foi revelada uma noite antes da crucificação (Jo 14.1-3).

Pelo fato de os apóstolos naquela ocasião não entenderem a diferença entre a primeira e a segunda parte da segunda vinda de Cristo, mal puderam ser instruídos quanto à diferença entre o arrebatamento da igreja e o retorno de Jesus para julgar a terra e estabelecer o seu Reino Milenial.

Um estudo cuidadoso dessas duas passagens de Tessalonicenses e Coríntios é muito importante para colocar estes assuntos dentro de uma perspectiva bíblica apropriada.

Fases do Arrebatamento – Podemos entender porque o apóstolo Paulo ao consolar o coração dos crentes tessalonicenses os exortou dizendo: Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer consigo (1Ts 4.14).

No dia em que Jesus descer dos céus com alarido, com voz de arcanjos, com trombetas de Deus, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro (1 Ts 4.15).

Naquela ocasião quando a trombeta de Deus for tocada e o arcanjo levantar sua voz, os mortos em Cristo que estão no pó sem importar o estado físico que estavam quando morreram, lá onde estiverem, eles ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão (Jo 5.25).

Paulo diz em sua carta aos Coríntios que tudo acontece num momento, num abrir e fechar de olhos ante à última trombeta.

O momento que Paulo se refere é a partícula indivisível do tempo. Os mortos ressuscitam em corpos incorruptíveis, afirma o apóstolo, e nós seremos transformados (1Co 15.52).

Paulo nos mostra que haverá duas ordens de ressurreição. Cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois, os que são de Cristo na sua vinda (1Co 15.23).

Por isso, Cristo ressuscitou dos mortos (1Co 15.20).
A ressurreição de Cristo é a garantia de que todos os crentes que dormirem firmes no Senhor ressuscitarão naquele dia.

Embora tenha havido algumas ressurreições tanto no Antigo como no NT (1Re 17.17-24; 2Re 4.32-35; 13.20,21) esses casos são chamados de ressuscitamento em vez de ressurreição pois, estes que se levantaram tornaram a morrer outra vez de morte natural.

No NT temos o caso de Lázaro (Jo 11.41-44), a filha de Jairo (Lc 8.41-55), o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-15), entre outros.

Não há dúvida de que este mundo ainda há de provar um tempo de “grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora”, como profetizado pelo Senhor Jesus Cristo (Mt 24.21).
Em Ap 3.10, Ele prometeu que guardaria os crentes “da grande tentação que há de vir sobre todo o mundo”. 

Tal tempo terá que ser pior do que qualquer coisa conhecida na história da humanidade; muito pior do que a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C, um milhão de vítimas.
Do que a peste negra (nove milhões de mortos), do que a primeira guerra mundial, (20 milhões de mortos) do que a devastação da segunda guerra mundial e o holocausto de Hitler (seis milhões de judeus e pelo menos (quatro milhões de cristãos mortos).

As Escrituras dão mais espaços para descobrir a vindoura tribulação do que qualquer outro evento profético.

Os profetas hebreus a mencionam trinta e nove vezes, chamando-a de “tempo de angústia de Jacó” (Jr 30.7). “Angústia”, tribulação (Dt 4.30) e muitas outras variantes que indicam tribulação.

O NT a chama de “o dia do Senhor” (1Ts 5.2). A ira de Deus (Ap 4.10; 15.1-7; 16.1) e a ira do Cordeiro (Ap 6.16,17).

Em Ap de 6 – 19, é descrito esses eventos da grande tribulação. Daniel o profeta hebreu que Jesus mais citou predisse que esses tempos difíceis durariam sete anos e seriam inaugurados com a assinatura de uma aliança de sete anos entre Israel e o “príncipe que há de vir” (chamado em outro lugar de Anticristo ou Besta).

Então ele predisse que essa “Besta” ou governante político quebraria tal aliança no meio da tribulação e profanaria o templo (Dn 9.26,27; 2Ts 2.9). Esse período é chamado de grande tribulação.

Com a vinda de Cristo em glória com a igreja glorificada, para por termo a grande tribulação, Cristo destruirá o Anticristo, julgará as nações e estabelecerá o reino milenial que é um reino literal e visível.




Bibliografia:
Lições Bíblicas EBD CPAD - 3º. Trimestre 2017. Comentarista: Pr. Esequias Soares
SOARES Esequias. A Razão da nossa Fé – Assim cremos, assim vivemos. CPAD RJaneiro 2017
HOEKEMA. A. Anthony. A Bíblia e o Futuro – Escatologia Futura e Escatologia Realizada – 3ª. Edição. Editora Cultura Cristã. SPaulo,2012.
PENTECOST. J. Dwight. Manual de Escatologia – Uma análise detalhada dos eventos futuros. 8ª. Edição. Edit. Vida. São Paulo, 2010.
WALVOORD John F. Todas as Profecias da Bíblia. Edit. Vida, SPaulo, 2012
OLSON N. Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD. RJaneiro, 1979.
HAYE. Tim. Bíblia de Estudo Profética. Editora Hagnus. São Paulo, 2005.
TOGNINI, Enéas. O Arrebatamento da Igreja. Edições Enéas Tognino. 1ª.  Edição 1970. SPaulo, 1970