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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Família e a Escola Dominical - Lição 11 - 2º. Tri. 2013 - EBD CPAD – 16.06.2013

Síntese do Estudo Bíblico: Pr. João Barbosa
 
Portugal - Ano 2008
Texto da Lição: Neemias 8.1-7                
I  - OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:
1.      Conhecer a origem da Escola Dominical.
2.      Aprender as finalidades da Escola Dominical.
3.      compreender o quanto a Escola Dominical fortalece a família.  
II  - REFLEXÃO BÍBLICA:
“Ajunta o povo, homens, e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam, e temam ao SENHOR, vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta Lei”.
(Deuteronômio 31.12)
III - DESENVOLVIMENTO:
 A Escola Dominical, a Escola de ensino que evangeliza enquanto ensina conjugando assim os dois lados da comissão de Jesus à Igreja conforme Mateus 28.20, e Marcos 16.15; não é uma parte da Igreja, é a própria Igreja ministrando ensino bíblico metódico. Milhões e milhões de vidas são discipulados nos bancos da Escola Dominical. É sem dúvida a maior agência de serviço voluntário em todo o mundo.

Essa Escola ministra o ensino da Palavra de Deus de forma acessível a todos os alunos – desde o berçário aos adultos – contemplando todas as faixas etárias, se torna de grande significado moral e espiritual para toda a família.  Em virtude de conforme afirmam os estudiosos, a personalidade ser definida aos sete anos, o que se aprende nesta fase, reflitirá decisivamente em nosso desenvolvimento psíquico, emocional, afetivo e social, influenciando-nos por toda a vida.
 A Escola Dominical é gratuita e conta com o apoio de homens e mulheres devidamente competentes, que voluntariamente lecionam a Palavra de Deus. É o maior trabalho que se pode realizar na igreja. Os seus professores e organizadores não têm qualquer retorno financeiro a não ser a alegria de saber que são instrumentos de Deus para abençoar vidas através do ensino da Bíblia Sagrada. Os que exercem esse ministério sabem que esta é a maior recompensa.
 O movimento religioso que deu origem a Escola Dominical como a temos hoje, começou em 1780, na cidade de Gloucester, no Sul da inglaterra. O seu fundador foi o jornalista evangélico episcopal Robert Raikes, de 44 anos, redator do “Gloucester Journal” da Inglaterra.

Raikes foi inspirado a fundar a Escola Dominical ao sentir compaixão pelas crianças de sua cidade, perambulando pelas ruas, entregues à delinquência, pilhagem, ociosidade e ao vício sem qualquer orientação moral nem espiritual, brigavam muito e falavam palavrões incessantemente. Ele, que já há quinze anos trabalhava com os detentos  das prisões da cidade, pensou no futuro daquelas crianças e decidiu fazer algo em seu favor, a fim de que mais tarde não fossem também parar nas cadeias.

O marco inspirador que levou Raikes a reunir as crianças para lhes ensinar a Palavra de Deus remonta ao Antigo Testamento, quando o Senhor deu ordem aos israelitas para que priorizassem a educação dos filhos, onde os pais tinham a responsabilidade de ensinar a seus filhos a respeito dos atos do Senhor em favor dos filhos de Israel (Sl 78.5; Dt 4.9,10). Esse ensino prosseguiu durante e após o cativeiro babilônico quando foi fundada as sinagogas chegando até os dias do Novo Testamento.

As sinagogas eram um centro de instrução onde os meninos judeus aprendiam a respeito da lei. Mesmo havendo essas escolas a educação no lar era prioritária. O próprio Jesus como menino judeu, participou do ensino nas sinagogas, pois seus pais cumpriam os rituais judaicos (Lc 2.21-24,39-42) de forma tal que já em sua pré adolescência Jesus sabia de cor a Torá e chegava a confundir os doutores da Lei (Lc 2.46,47).

Raikes procurava as crianças em  plena rua e em casa dos pais e as conduzia ao local de reunião, fazendo-lhes apelos para que todos os domingos estivessem ali reunidas. De acordo com as diretrizes de Raikes, nas reuniões dominicais, além do ensino da Bíblia Sagrada eram também ministrada às crianças rudimentos de linguagem, aritmética e instrução moral e cívica.

O ensino das Escrituras consistia quase sempre de leitura e recitação. Em seguida, teve início a prática de comentar os versículos lidos. Muito depois é que surgiu a revista da Escola Dominical, com lições seguidas e apropriadas.

Raikes enfrentou oposição. As igrejas da época encararam o surgimento da Escola Dominical como inovação e coisas desnecessárias. Os mais zelosos acusavam Raikes de “profanador do domingo”. Diziam os seu opositores que reuniões de crianças mal comportadas, no templo, era uma profanação. Raikes não levava em conta tais insinuações e a obra continuava e tomava vulto.

O jornal do qual ele era redator foi uma coluna forte na defesa e apoio da nova instituição, publicando extensa série de artigos sobre o título A ESCOLA DOMINICAL, reproduzidos nos jornais londrinos. Foi assim o começo da Escola Dominical – o começo de um dos mais poderosos movimentos da história da igreja.

Alguns fatos históricos marcam a Escola Dominical. O primeiro deles em 20.07.1780, marca  a primeira ação da Escola Dominical quando Robert Raikes estabeleceu os seguintes compromissos: Experimentar por três anos o trabalho em andamento; Em seguida, ele divulgaria ao mundo os frutos da Escola Dominical.

Mal sabia Raikes que estava lançando os fundamentos de uma obra espiritual que atravessaria os séculos e abarcaria o globo terrestre chegando até nós, a ponto de ter hoje dezenas de milhões de alunos e professores, sendo a maior e mais poderosa agência de ensino da Palavra de Deus que a igreja dispõe.

Nessa fase experimental  1780 – 1783, Raikes fundou sete Escolas Dominicais somente em Gloucester, tendo cada uma trinta alunos em média. Os abençoados frutos do trabalho logo surgiram entre as crianças, refletindo isso profundamente nos próprios pais. Estava dando certo a experiência do ensino com a Palavra de Deus.

Foi na data de 03.11.1783 em que Raikes triunfalmente publicou em seu jornal e correspondentes, o grande impacto do novo trabalho e a transformação ocorrida na vida das crianças, extensiva aos familiares. A partir daí as igrejas passaram a dar apoio ao trabalho de Raikes. A Escola Dominical passou das casas particulares para os templos, os quais enchiam-se de crianças. Desde então, na Inglaterra, a data de 03.11.1783 é considerada o dia natalício da Escola Dominical.

Antes de Raikes já havia reuniões semelhantes de instrução bíblica, mas foi ele quem usado por Deus, popularizou e dinamizou o movimento da Escola Dominical. O atual sistema de Escola Pública inspirou-se no movimento da Escola Dominical.

Após o despontar do século XIX, muitos outros países adotaram a Escola Dominical, sempre com excelentes resultados. A própria Inglaterra reconhece que foi preservada de movimentos políticos extremistas e radicais como o da revolução Francesa em 1789, graças ao despertamento espiritual através de Wesley,  White Field e a educação religiosa promovida pela Escola Dominical.

Durante muito tempo, só as crianças frequentavam a Escola Dominical, os adultos ingressaram posteriormente. Hoje em inúmeros lugares ocorre o inverso. Quase só os adultos são beneficiados ficando as crianças em último plano. Em 1784 – quatro anos após o início do movimento, a Escola Dominical já contava com duzentos e cinquenta mil alunos matriculados.


IV  - VERDADE PRÁTICA: A Escola Dominical considerada a Escola da família cristã, é de grande importância para a Igreja do Senhor Jesus, pois é considerada hoje um dos fatores de promoção do Reino de Deus e dos destinos do mundo, através dos cidadão nela formados. De uma obra tão pequena e humilde chegou a tão elevados dividendos cumprindo-se o que avalia o profeta Zacarias (Zc 4.10).

“Quem despreza o dia das coisas pequenas?” Para alguns a obra que Raikes realizava parecia sem importância. No entanto, nenhuma obra feita sob o poder do Espírito de Deus, e com sua bênção, deve ser considerada insignificante. Pelo contrário: tem valor e importância eternos.

No Brasil a Escola Dominical teve início em 19.08.1855 na cidade de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro. O fundador foi o Ms. Robert Kalley e sua esposa D. Sarah Poulton Kalley – casal de missionários da Igreja Congregacional. Eram escoceses. Ele fora um médico ateu que aceitou a Cristo sob circunstâncias especiais e chamado por Deus, entregou-se á obra missionária.

Na primeira reunião de Escola Dominical realizada pelo casal, na data acima, a frequência foi de cinco crianças. Essa mesma Escola Dominical deu origem à Igreja Congregacional no Brasil. Desde então o crescimento da Escola Dominical tem sido maravilhoso.

Antes de 1855 houve reuniões de Escola Dominical no Rio de Janeiro, porém em caráter interno e no idioma inglês entre os membros da comunidade americana. Remontando ao passado, as primeira reuniões de instruções bíblicas no Brasil, ocorreram durante a permanência aqui, dos crentes calvinistas que desembarcaram na Guanabara em 1557.

Nessa ocasião realizaram o primeiro culto evangélico em terras do continente americano em 10 de março do mesmo ano. A segunda fase de tais reuniões deu-se durante o domínio holandês  no Nordeste, a partir de 1630, por crentes da Igreja Reformada Holandesa, quando vários núcleos evangélicos foram estabelecidos nesta região.

Na mesma época  - primeira invasão holandesa, foram realizados cultos em Pernambuco e na Bahia onde também foram implantados núcleos evangélicos. Tudo foi interrompido com o fim do domínio holandês e a campanha movida pela Igreja Católica Romana de então. Mas em 1855 a Escola Dominical veio para ficar e ficou, avançando como fogo em campo aberto impelida pelo zelo de milhares de seus obreiros inflamados pelo Espírito Santo.

Desde então, vem a Escola Dominical crescendo sempre, em todas as denominações evangélicas.
E onde quer que estas cheguem, a Escola Dominical é logo implantada produzindo sem demora seus excelentes resultados na vida dos alunos, na igreja, no lar, na comunidade e sobretudo na nação inteira. Foi assim o começo da Escola Dominical – um dos mais poderosos avivamentos da história da Igreja. Não esqueçamos: A Escola Dominical nasceu como um movimento entre as crianças.
                                                                       
Consultas:
Lições Bíblicas EBD-CPAD - 2º. Trimestre 2013 – (Comentarista: Elinaldo Renovato).  - Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007                    
LIMA, Elinaldo Renovato de. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. Rio de Janeiro 2013. 1ª. Edição. CPAD
VEITE Jr. Gene Edwuard.  Tempos Pós-Modernos – Uma avaliação do pensamento cristão e da cultura de nossa época. São Paulo 1999. 1ª. Edição  Editora Cristã.
KOSTENBERGER, Andréas J. Deus, Casamento e Família – Reconstruindo o fundamento bíblico. São Paulo 2011 – Editora Vida Nova
Gilberto, Pr. Antonio – Manual da Escola Dominical – Edição CPAD
SCHALKWIJK, Frans Leonard. Igreja e Estado no Brasil Holandês. 1630 – 1640. Soc. Religiosa. Edt. Vida Nova

Revista Eclésia – abril. 2000

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