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sábado, 6 de abril de 2019

O TABERNÁCULO - UM TIPO DE CRISTO - 07.04.19 Exodo 25.1-9


ESTUDO 01.2T.2019 - O TABERNÁCULO - UM TIPO DE CRISTO - 07.04.19
Exodo 25.1-9
Por: Pr. João Barbosa

Um dos estudos mais proveitosos a que um crente pode se dedicar é o de tipologia bíblica porque a tipologia é uma técnica, associada bem de perto à alegoria, mediante a qual pessoas, eventos, instituições ou objetos de qualquer espécie passam a simbolizar ou ilustrar a pessoa de Jesus Cristo, ou então aspectos da fé, da doutrina, das práticas, das instituições cristãs, etc.

Os tipos bíblicos são “sombras” ou representações da realidade. Um exemplo é a Lei de Moisés que era a sombra dos bens futuros mas não continha a imagem exata das coisas (Hb 10.1).

Os tipos, em determinadas circunstâncias, podem aparecer associados aos eventos relacionados ao povo de Deus.

Exemplos – A passagem de Israel pelo Mar Vermelho, a caminhada no deserto, a água da rocha, a serpente no deserto. Todas estas coisas são figuras ou símbolos para a igreja dos dias atuais (1Co 10.1-11).

Um tipo assemelha-se a uma alegoria, mas visto que tem melhores bases bíblicas tem ocupado um estudo maior, retendo um importante papel dentro da interpretação cristã.

Há muitas alegorias nas páginas da Bíblia, mas no NT há um número muito maior de tipos do que de alegorias. Os rabinos tinham mais interesse no estudo dos símbolos, tipos, alegorias e parábolas.

A tipologia tem um pano de fundo judaico, e era extremamente popular entre os rabinos. Os manuscritos do Mar Morto provêm ilustrações tanto da interpretação alegórica quanto da interpretação tipológica.

Era natural que os autores do NT quase todos judeus, acostumados com o estudo do VT, tivessem visto tipos claros no NT. É bom destacar que o antítipo é sempre superior ao tipo. Exemplo – o cordeiro pascal (Ex 12.3-7, 21-29; Jo 1.29; 1Co 5.7).

Os tipos são alicerçados na história e na revelação sagrada (Mt 12.40). São proféticos (Jo 3.14; Gn 14, comparado com Hb 7). Fazem parte integral da história sagrada e da doutrina cristã, e não de pensamentos inventados por rabinos e cabalísticos (1Co 1.10,11).

São todos cristocêntricos (Lc 24.24,44; At 3.24). São excelentes para instrução e edificação. Cada tipo provê uma espécie de janela que permite a entrada de luz sobre o assunto estudado. O maior desses exemplos é a carta aos Hebreus. Vemos ali como funcionam e se aplicam os tipos bíblicos.

No estudo das divisões do tabernáculo podemos acompanhar o passo a passo do crescimento espiritual do povo de Deus tomando por base a recomendação apostólica:

“Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18). O crescimento na graça segundo as divisões daquele primeiro tempo israelita relaciona-se de perto com as três pessoas da trindade.

Começando pelo Espírito Santo, prosseguimos na pessoa do Filho de Deus e alcançamos em Deus Pai a medida da estatura da plenitude de Cristo.

Nessa ascensão espiritual estão as três principais virtudes do cristianismo – a fé, a esperança e o amor – bem como as fases da nossa frutificação: Trinta, sessenta, e cem por um (Mc 13.23), ou seja: fruto, mais fruto e muito fruto (Mc 4.8; Jo 15.1-5; 1Co 13.13).

Os tipos são figuras, ou lições, pelas quais Deus tem ensinado ao seu povo seu plano redentor e seus elevados propósitos para a vida cristã. São amostras de coisas vindouras e não a verdadeira imagem destas coisas (Cl 2.17; Hb 8.5;10.1).

A Bíblia usa diversas palavras para tipo, como: Sinal (Jo 10.25), figura (At 7.43; Rm 5.14; 1 Co 10.11), forma (Rm 6.16,17),l parábola, alegoria (Hb 9.9), modelo (At 7.44; Hb 8.4,5), sombra (Cl 2.14; Hb 8.5), exemplo (Fp 3.17; 1Tm 4.12; 1Pe 5.3; 2Pe 2.6).

Existem também alguns nomes para os antítipos: verdadeira figura (1Pe 3.21), mesma imagem (Hb 10.1), coisas celestiais (Hb 9.23), verdadeiro (Hb 9.24), Espírito (2Co 3.6).

O tipo é o objeto da lição, a revelação temporária de uma pessoa, um acontecimento ou uma instituição vindoura. O antítipo é o cumprimento daquilo que havia sido predito no tipo.

São necessários um ou mais pontos de afinidade entre o tipo e o antítipo (Cl 2.14-17; Hb 10.1). O tipo precisa ser profético em todos os tipos de semelhança com o antítipo, e precisa verdadeiramente prefigurar as coisas vindouras (Jo 3.14; Rm 5.14; Hb 8.5; 9.23,34; 1Pe 3.21).

O tipo é sempre terrestre, o antítipo pode ser tanto terrestre como celestial (Hb 8.5;9.24; 1Pe 3.21). Desde que tipo e antítipo, ou seja, figura e cumprimento necessitem ser preordenados como parte de um mesmo plano divino, nunca podem ser escolhidos pelo homem (2Tm 3.16).

Por isso, a autoridade dos tipos e sua aplicação provêm unicamente da Bíblia, que exige o endosso de pelo menos três testemunhas para confirmar uma verdade (2Co 13.1). Com estas observações, agora podemos considerar alguns exemplos bíblicos de tipo e antítipo.

“Adão, como o primeiro homem na história da humanidade, é a figura daquele que havia de vir” (Rm 5.14c). Cristo é o primeiro da nova criação. Pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça, o dom abundou por um só homem, Jesus Cristo (Rm 5.15).

Adão foi feito alma vivente (Gn 2.7), Jesus Cristo é chamado “      o último Adão em espírito vivificante (1Co 15.45b). Pela desobediência de Adão muito foram feitos pecadores; pela obediência de um, que é Jesus Cristo, muitos serão feitos justos (Rm 5.19).

O pecado de Adão impediu o caminho da árvore da vida porque um querubim foi posto ali com uma espada inflamada (Gn 3.24). O Senhor Jesus Cristo abriu um novo e vivo caminho para o santuário de Deus (Hb 10.20).

Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

 Abraão reconheceu que Melquisedeque era sacerdote de Deus. Deu-lhe o dízimo e foi abençoado por ele. Abraão sendo o pai do povo judeu foi abençoado por aquele a cuja ordem Jesus pertence.

A exposição de Hebreus 7, é para provar que Jesus Cristo é superior ao sumo sacerdote Arão, visto que antes de Arão aparece Melquisedeque, tipo de Jesus.

Em Gn 14 é mencionado Melquisedeque, sem pai, sem mãe, sem genealogia. Os judeus davam grande valor à genealogia. Só se podia exercer um cargo importante se fosse conhecida a origem familiar.

Quando voltaram do cativeiro no tempo de Esdras e Neemias, alguns que não provaram o registro das genealogias foram rejeitados, e considerados imundos e proibidos de comerem das coisas sagradas (Ed 2.62,63; Ne 7.64,65).

Entendemos que Melquisedeque era um homem descendente de Adão e Noé; mas sua genealogia nos dias de Abraão não era desconhecida e Deus não quer que ninguém identifique quem era Melquisedeque.

Pela mentalidade dos rabinos, Melquisedeque não deveria se sacerdote de Deus. Mas ele foi aceito por Abraão e de sua ordem provém Jesus.

Ele era o rei de Salem e rei de paz. Salem quer dizer paz e era o nome de Jerusalém; Jesus Cristo, depois de destruir o reino do Anticristo, reinará em Jerusalém como rei de paz.

Continuando os exemplos de tipo, podemos ver em José um dos mais perfeitos tipos de Cristo no AT. José, amado por seu pai Jacó (Gn 37.3) – Jesus, amado de Deus (Mt 3.17).

José foi odiado pelos seus irmãos (Gn 37.4) – Jesus, foi odiado pelos judeus (Jo 15.24).

José foi enviado pelo seu pai para encontrar seus irmãos (Gn 37.13-24). Jesus foi enviado por Deus para salvar a humanidade, mas foi traído e morto por seus irmãos, os judeus e condenado (Jo 1.12; 1Jo 4.14).

José foi vendido por seus irmãos (Gn 37.28). Jesus foi vendido por um de seus apóstolos (Mt 26.14,15). José foi tentado e venceu a tentação (Gn 39), Jesus venceu a tentação do deserto (Mt 4.1-11).

José foi preso junto com dois criminosos, um foi salvo, o outro condenado (Gn 40) – Jesus foi preso e crucificado entre dois malfeitores, um foi morto o outro foi salvo (Lc 23.32,33).

José foi levantado e exaltado no Egito (Gn 41.14,43,44) – a Jesus foi dado todo poder, tanto no céu como na terra (Mt 28.18). Com trinta anos José começou a sua missão no Egito (Gn 41.46) – Com trinta anos Jesus começou o seu ministério (Lc 3.23). José teve uma noiva não hebreia (Gn 41.45) – De igual modo, Jesus (Ef 5.25,27).

A tribulação obrigou os irmãos de Jesus a procura-lo (Gn 42) – O mesmo acontecerá com o povo judeu que vai procurar Jesus durante a Grande Tribulação e reconhece-lo como Messias (Mt 24.21; Zc 12.10; Is 26.16).

Através de José vieram reconciliação e bênçãos para seus irmãos (Gn 45 – 46) – Jesus trará a paz para o seu povo (Is 11.12; 35).

No tempo de José todos os povos foram abençoados por causa do seu trabalho (Gn 41.57). Através de Jesus todos os povos serão alcançados (Is 2.1-5; 4.2-6; 11.10). Moisés é o personagem referido em maior número de livros da Bíblia. Seu nome aparece em trinta e um dos livros do volume sagrado.

É chamado: servo do Senhor (Ex 14.31); fiel em toda casa (Nm 12.7; Hb 13.5); homem de Deus (Dt 33.1); o maior dos profetas (Dt 34.10.11); foi o escolhido de Deus (Sl 106.23).

Moisés tinha muitos pontos semelhantes a Jesus: ameaçado de morte e preservado por Deus (Ex 2.2-10;Hb 11.23); Jesus também foi preservado por Deus (Mt 2.13-15).

Moisés dominou as águas do mar (Ex 14.21); Jesus acalmou a tempestade (Mt 8.26). Moisés alimentou uma multidão (Ex 16.15-16; Jo 6.31); Jesus também alimentou multidões (Jo 6.12).

Moisés teve seu rosto iluminado (Ex 34.35); Jesus foi transfigurado (Mt 17.1-5). Os irmãos de Moisés estiveram contra ele (Nm 12.1); Jesus também teve seus irmãos contra ele (Jo 7.5).

Moisés intercedeu pelo povo (Ex 32.32); Jesus intercedeu pelos seus apóstolos (Jo 17.9). Moisés escolheu setenta auxiliares (Nm 11.16); Jesus enviou setenta discípulos (Lc 10.1). Moisés esteve a sós quarenta dias em jejum (Ex 24.18); Jesus jejuou quarenta dias no deserto (Mt 4.2).

Moisés andava com as doze tribos de Israel, Jesus andava com doze apóstolos. Moisés apareceu depois da sua morte (Mt 17.3); Jesus também apareceu depois da sua morte (At 1.3).

Temos ainda outros tipos:
Eva – tipo da igreja; Caim – tipo os que confiam nas suas obras; Enoque – tipo do arrebatamento da igreja; Moisés – tipo dos santos ressuscitados; Noé – tipo dos que habitarão à nova terra.

Abraão – tipo dos crentes que andam pela fé; Ló – tipo dos crentes que andam pela vista; Ismael – tipo do crente carnal; Isaque – tipo do crente espiritual; Esaú – tipo da velha natureza.

Jacó – tipo do crente transformado; no casamento de Isaque, Abraão – tipo de Deus o Pai; Sara – tipo de Israel; Isaque – tipo de Jesus Cristo; Rebeca – tipo da igreja; Eliezer – tipo do Espírito Santo; Quetura – tipo do Israel restaurado.                              
BIBLIOGRAFIA:
CABRAL, Elienai. Livro e Lição EBD do Segundo Trimestre  2019. O Tabernáculo – Símbolo da Obra Redentora de Cristo. Editora C PAD. Rio de Janeiro 2019
HABERSHON Ada. Manual de Tipologia Bíblica. Editora Vida. São Paulo, 2003
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Como Estudar e Interpretar a Bíblia. Editora CPAD, 1986
ALMEIDA, Abraão O Tabernáculo e a Igreja. Editora CPAD. Rio de Janeiro, 2018
MELO, Joel Leitão de.  Sombras, Tipos e Mistérios da Bíblia. Editora CPAD, 1989
Bíblia Tradução Revista e Atualizada. SBB
CHAMPLIIN. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia – Vl.  Editora Hagnus. São Paulo, 2006



sábado, 30 de março de 2019

ORANDO COMO JESUS ENSINOU - 31.03.19


                           ORANDO COMO JESUS ENSINOU - 31.03.19
Mateus 6.5-15
Por: Pr. João Barbosa

Esta oração ensinada por Jesus faz parte do Sermão do Monte, onde Jesus proclama o código do reino messiânico.

O Sermão do Monte está em Mt 5.1 – 8.1 e Lc 6.17-49. Todos os aldeamentos antigos, como no período neolítico, têm sido explorados pelos arqueólogos, no Oriente Próximo.

O local onde Jesus proferiu esse sermão, segundo o texto, foi em um certo monte perto de Cafarnaum, em que havia um pequeno planalto, onde Jesus podia sentar-se com os seus discípulos, para ouvir distintamente os seus ensinos.

Este lugar era também acessível a uma grande multidão. No Sermão do Monte Jesus proclama os princípios fundamentais do reino messiânico – o reino de Deus dentre as quais destacamos três interpretações.

Primeiro, a interpretação espiritual da lei, segundo a reafirmação da ética do Velho Testamento elevando o padrão moral, e terceiro, proclamação da justiça do reino de Deus.

O Sermão do Monte tem por tema fundamental o reino de Deus e sua justiça. Trata-se do reino espiritual exposto por Jesus aos seus discípulos. E no sentido mais amplo o Sermão do Monte é a lei do Espírito.

Os mestres do judaísmo se haviam desviado dos ensinos espirituais do reino de Deus, obscurecendo-os com seus ritos e tradições orais, para dominar todos os povos.

Jesus rompe definitivamente com o sistema rabínico das tradições, proclamando em seu código do reino os princípios de consciência e de liberdade religiosa.

Como exemplo temos a quebra do sábado, atribuída a Jesus pelos rabinos. Esta suposta transgressão da lei não era a quebra do verdadeiro sábado; o que Jesus fez foi rejeitar a ridícula exegese rabina, apelando pelos princípios fundamentais do sábado.

O reino de Deus estava no mundo antes mesmo de Deus revelar-se a Jesus Cristo em carne. Havia sido gradualmente revelado o homem por Deus pelos patriarcas e profetas.

Agora, o próprio filho de Deus, o próprio soberano do reino dos céus, pessoalmente o estava revelando de modo completo, expondo aos seus discípulos a natureza do reino divino (Lc 7.21).

E o reino de Deus continua sobre a terra até a consumação dos séculos, mas a sua natureza é eterna. “O teu trono, ó Deus, é pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino” (Hb 1.8).

E aos crentes em Cristo Jesus “Será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador e Jesus Cristo” (2Pe 1.11).

A oração modelo de Jesus, é uma espécie de paradigma para todas as nossas orações a Deus. Nesta oração modelo de Jesus encontramos três partes principais: Invocação, petição e conclusão.

a) Invocação: “Pai nosso que estás nos céus”. Nesta invocação Jesus ensina a nossa parentela espiritual de filhos adotivos de Deus; e sem esta filiação espiritual, não se pode, realmente orar ao Pai Celeste.

Ora, se somos filhos, muito podemos esperar de nossas petições. O adjetivo possessivo “nosso” implica a fraternidade espiritual dos filhos adotivos de Deus.

Somos irmãos, pela fé mútua em Cristo Jesus, que é o filho unigênito do Pai Celestial. Por isso, podemos, pois, orar ao Pai e também interceder a favor de nossos irmãos na fé.

Temos acesso ao Pai, em nome de seu Filho, Jesus Cristo, que nos fez filhos de Deus, pela fé nele. “Mas, a todos quanto o receberem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Isto é, aos que crerem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1.12).

Agora consideremos os diversos aspectos da petição, na oração modelo de Jesus:

b) Petição: “ Santificado seja o teu nome”.
“Santificado seja o teu nome.” O primeiro objetivo de todas as nossas petições deve ser a santificação do nome de Deus. Deus é santo. Seu nome é santo. Deus existe por si. “O nome expressa seu divino Ser”. É um só.

Não há nem pode haver um nome igual. “Eu Sou O Que Sou” é o seu santo nome. E, como pode ser santificado o nome de Deus? O terceiro mandamento do decálogo responde: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.”

Como filhos adotivos de Deus, recebemos Dele o mandamento: “Sede santos, porque eu sou santo.” Lv 11:44,19:2.

E Jesus: “Sede vós, pois, perfeitos como é perfeito vosso Pai que está nos céus” Mt 5:48. Diante da santidade de Deus, o homem deve temer e tremer.

Por isso, os crentes devem evitar o uso constante de certas expressões e interjeições, como: “Se Deus quiser; Meu Deus do céu!!!” E outras frases semelhantes, em que se usa o nome Deus.

É preciso eliminar completamente, do vocabulário de um súdito do Reino de Deus, expressões tais como: Puxa vida!

Outro aspecto da oração modelo é: “Venha o teu reino.” O reino de Deus é a vinda de Jesus Cristo para governar a vida do homem, pela graça de Deus, mediante a fé no filho do Deus vivo e único Salvador e Senhor de nossa alma.

O reino de Deus estava no mundo; e, quando Adão e Eva se converteram e se arrependeram dos seus pecados e creram e aceitaram o perdão e a salvação pela fé Naquele que havia de nascer da descendência da mulher, o ungido de Deus, o Messias, o Rei, que seria Jesus Cristo, eles entraram no reino eterno de Deus, porque Cristo entrou em seus corações, pela fé Nele e neles fez morada.

E o reino de Deus ainda está no mundo, e todos quantos se arrependem e aceitam Cristo como Salvador, são pela graça de Deus, regenerados pela obra exclusiva do Espírito Santo, na base do sacrifício de Cristo na cruz.

Sim, entrando no reino de Deus, porque Cristo entra no coração do crente que se torna súdito do reino de Deus. E o reino de Deus está no mundo até a consumação dos séculos, e de eternidade a eternidade, porque o reino de Deus é eterno.

Infelizmente, os rabinos judeus, os doutores da lei e os intérpretes do Velho Testamento por causa dos seus pecados e incredulidade não podiam compreender o Espírito da revelação de Deus ao homem.

Por isso a mentalidade deles, em geral, era que o reino de Deus fosse temporal e político, e que os judeus seriam os mentores do mundo, sob o comando de um messias enviado de Jeová.

Mas, graças a Deus, que, mesmo entre os judeus, havia muitos crentes verdadeiros, os quais, embora às vezes, estivessem um tanto confusos quanto ao reino de Deus, contudo, chegaram a interpretar o espírito e a natureza do mesmo.

Quanto a nós, o mestre nos ensina a orar: “Venha o Teu reino.” Pela graça de Deus podemos compreender que, quando oramos: “Venha o Teu reino”, isto significa:

Venha o Senhor Jesus Cristo entronizar-se no coração de todos os pecadores que arrependidos, confessem seus pecados e creiam em Jesus como seu Salvador, seu Senhor, seu Rei, e seu Deus.

Esta oração é uma súplica missionária para que o reino de Deus alcance todos os quadrantes da Terra. É uma súplica para que o Senhor da seara vocacione e envie obreiros para sua seara. É uma súplica para dedicação completa da vida do crente ao serviço do mestre.

Quando os súditos do reino de Deus oram pela conversão de pecadores, quando trabalham no serviço de evangelização, quando pregam o evangelho ou entregam um folheto evangelístico ao pecador, quando contribuem financeiramente para a causa do evangelho, estão orando: “venha o teu reino.” É a oração missionária.

“Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu.” Que significa fazer a vontade de Deus? – É obedecer, de coração, aos seus santos mandamentos. Para obediência é preciso submissão da vontade, é necessário “crucificar o homem velho”, que quer dizer fazer a vontade da carne e fazer a vontade do espírito.

Nossa natureza pecaminosa, nosso temperamento irritável ou impulsivo, medroso ou covarde, o orgulho, a vaidade, os vícios de toda sorte de fraquezas humanas devem submeter-se à vontade soberana de Deus.

O exemplo perfeito da submissão da vontade humana à divina nos é dado por Jesus no Getsêmani: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice, todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.”

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje.” Tudo que somos, tudo que julgamos possuir, tudo quanto existe é de Deus. E o “pão de cada dia” também vem de Deus, porque é de Deus.

O trabalho para ganhar o pão cotidiano é ordenado por Deus e enobrece o homem; e Deus, portanto, tem prazer em que o homem lhe peça.

c) Conclusão: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”. O perdão de Deus ao pecador está condicionado pelo perdão do pecador ao seu semelhante.

Deus é misericordioso em perdoar. O homem deve também usar de misericórdia para com o seu próximo que peca conta ele.

Segundo o ensino de Jesus, nenhum pecador pode esperar o perdão de Deus se não tiver o espírito de perdoar seu semelhante.

Digo: Espírito de perdão, porque, muitas vezes, o ofendido está pronto a perdoar o ofensor, mas este não se arrepende de seu erro.

Neste caso, o ofendido deve permanecer no espírito de perdão, amando o seu inimigo, mas o ofensor é responsável diante da justiça divina por não se haver arrependido e pedido perdão ao ofendido.

“E não nos deixe cair em tentação”. Toda tentação tem sua origem no mal e no príncipe das trevas, Satanás. A provação, porém, pode vir de Deus.

O ser tentado não é propriamente pecado, mas o cair na tentação é pecado. Jesus foi tentado em tudo que o homem é tentado, mas não pecou.

Então, o que fazer, quando tentados? Simplesmente, não dá atenção alguma à tentação, e enfrentá-la refugiando-se em Deus pela fé e pela oração.

E, quando o crente tem a infelicidade de cair na tentação, somente lhe resta uma coisa a fazer: arrepender-se imediatamente e pedir perdão a Deus de seus pecados.

“Mas livra-nos do mal”. Constantemente, a nossa oração deve ser: Senhor, “livra-nos do mal”. Estamos cercados, em nossa vida cotidiana por um sem número de tentações e se faz necessário que estejamos constantemente vigiando e orando:

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”. E muito mais do que isso, constantemente nossa oração deve ser elevada ao trono da graça, em ações de graças pelas inumeráveis vezes que o |Senhor nos tem livrado do mal e que nós nem mesmo nos apercebemos. Quanto as palavras de Jesus nos vers. 14 e 15 de 6 de Mateus, “porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens, tão pouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas”.

Não é propriamente a conclusão da oração modelo, mas, uma série de advertências aos súditos do reino de Deus sobre o perdão que devemos aos nossos ofensores. Sem a qual nossas orações não serão atendidas e nossos pecados também não nos serão perdoados. Essa é a batalha espiritual do crente em sua luta contra a carne e o sangue e contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.
OLIVEIRA Miqueias. Batalha Espiritual por Princípios Bíblicos. BV Films Editora Eireli, Rio de Janeiro, 2016
GIOIA, Egídio. A Harmonia dos Evangelhos. Editora Juerpe. Rio de Janeiro, 1981
BARCLAY Willliam. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito Vol.2. Editora Vida Nova São Paulo, 2010
BUBECK Mark I. O Adversário. Edições Vida Nova. São Paulo, 1993
CHAMPLIIN. Novo Dicionário Bíblico. Editora Hagnus. São Paulo, 2018

terça-feira, 19 de março de 2019

A IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA NA VIDA DO CRENTE - 24.03.19


A IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA NA VIDA DO CRENTE - 24.03.19
Mateus 26.36-46
Por: Pr. João Barbosa

Todos os aldeamentos antigos, como no período neolítico, têm sido explorados pelos arqueólogos, no Oriente Próximo. Esses aldeamentos exibem restos de posições elevadas e fortificadas, torres de vigias e outras construções feitas de pedra.

Assim, nas mais antigas aldeias do Iraque, ou nos níveis mais baixos do cômoro de Jericó têm sido encontrado estas formas de construção arquitetônica em uma época de grandes dificuldades de locomoção e comunicação e de contínuos ataques armados.

As torres de vigia eram uma necessidade imperiosa para a segurança das comunidades fossem elas grandes ou pequenas. Logo, tornou-se fácil transferir a ideia de uma torre de vigia literal, material, para uma postura mental de vigilância (Is 21.8).

No tocante ao crente, essa ideia quase sempre aparece vinculada à noção de oração, conforme se percebe, por exemplo, em Cl 4.2 – “Perseverai na oração, vigiando com ações de graça”.
As cidades antigas tinham muros, mas nem sempre eram suficientes. Por isso, era preciso ter guaritas com homens estacionados à procura de inimigos que poderiam atacar repentinamente.

Guaritas também eram colocadas nos morros, e nas torres construídas em postos militares avançados (2Sm 18.24-27; 2Re 9.17-20).

Havia também torres construídas em parreirais e plantações para protegerem de predadores humanos ou animais (2Cr 17.9; 20.14; Jó 27.18).

São vigias, profetas e ministros que cuidam do bem estar das nações e dos indivíduos (Is 21.6; 52.8; 62.6; Jr 6,17; Ez 3.17). Por outro lado havia também vigias falsos que faziam mal ao povo – atalaias cegos (Is 56.10).

O mandamento neotestamentário é obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossas almas, como quem deve prestar contas (Hb 13.17).

Nos dias do antigo testamento nas localidades mais precárias, era extremamente necessário “manter vigilância”, para que as comunidades fossem elas grandes ou pequenas pudessem sobreviver.

Por isto em muitos lugares havia os vigias, que tinham por função avisar ao resto da cidade, sobre a aproximação de qualquer pessoa, fosse ela amigável ou hostil.

Assim lemos: “Olharam pois, as sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim, e eis que a multidão se dissolvia, e fugia para cá e para lá.

Disse então Saul ao povo que estava com ele: Ora contai, e vede quem saiu de entre nós. E contaram, e eis que nem Jônatas nem seu pajem de arma estavam ali...” (1Sm 14.23).  

A menção ao ato de vigiar é extremamente comum no AT. Isso em sentido literal. Foi fácil passar do literalismo para a linguagem simbólica.

Conforme podemos exemplificar no Sl 127.1 – “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalha os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.”

No NT as mesmas noções de “vigilância” que encontramos no AT, são transferidas para o cuidado que a comunidade cristã deve ter para com a causa do Senhor e a sua vigilância quanto a parousia (segunda vinda de Cristo).

Lemos em 1Pe 1.13 – “Cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que nos está sendo revelada por nosso Senhor Jesus Cristo”.

Quando Jesus Cristo caminhava á sombra da cruz ainda no cenáculo, disse aos seus discípulos: “Assim como o Pai me ordenou, assim mesmo faço, para que o mundo saiba que eu amo o Pai” (Jo 14.31).

E então encaminharam-se “para o outro lado do ribeiro de Cedrom, onde havia um jardim.” Cremos, que Jesus continuou a falar com seus discípulo as palavras preciosas que estão escritas nos capítulos 15 e 16 do evangelho de João.

“Então chegaram a um lugar chamado Getsemani, e disse aos seus discípulos: sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar”.

Getsemani é o símbolo da expectativa agonizante do sofrimento de Jesus. Era um pequeno jardim nas imediações de Jerusalém, para onde Jesus muitas vezes se havia retirado, fugindo do burburinho da cidade, para descansar, na solidão e silêncio da noite, a comunhão íntima e santa com o Pai.

Neste recanto solitário havia recebido força, coragem e energias espirituais para enfrentar as lutas tremendas que lhes sobrevinham no seu santo ministério.

Como acabara de ter com os seus discípulos a tocante despedida do cenáculo, onde instituíra o monumento comemorativo de sua morte – a ceia do Senhor.

Agora chegou a hora final em que se havia de oferecer em holocaustos a Deus. Era alta noite. Atravessando o ribeiro de Cedrom, com seus discípulos, ali entrou. Jesus, sob a expectativa da cruz, luta com o Pai em oração:

“E disse Jesus aos seus discípulos: sentai-vos aqui enquanto eu vou ali orar. E levou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e começou a ter pavor e angustiar-se; e disse-lhes: a minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai”.

Porque o Senhor tomou somente os três discípulos mencionados, não nos foi declarado, mas cremos que o Senhor conhecendo-lhes o coração achou por bem agir assim. Era a tremenda e angustiosa expectativa de beber o cálice de pecado do mundo no sofrimento e morte na cruz.

Pecado que envolvia com o seu manto negro e frio os torturantes e angustiosos momentos que precedem qualquer drama da vida humana. No Getsemani, o mestre viu a negra nuvem da tormenta que se aproximava ao seu encontro.

Tão aterrorizantes eram os seus prenúncios, que o Senhor na sua natureza humana, sentiu até necessidade da companhia e simpatia dos seus queridos discípulos, a quem disse: “Ficai aqui, e vigiai comigo”.

Quantas vezes Jesus havia ficado com os seus discípulos para os animar e ajudar nos seus temores, nas suas lutas e nas suas tentações, mas agora é Jesus que lhes pede: “Ficai aqui, e vigiai comigo”.

A essência desta profundíssima tristeza de Jesus estava no seu extremo horror ao pecado.
Sentia que a pureza imaculada de sua alma ia ser manchada e enegrecida pelo pecado, não dele, mas do mundo.

Sentia a realidade da maldição da cruz. Sentia que ia ser maldito pela justíssima lei de Deus: “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”. (Gl 3.13; 1Pe 2.24).

Sentia que a espada da justiça divina ia cair sobre ele, transpassando-lhe o coração. Prostrou-se sobre o seu rosto, refugiou-se no seio do Pai e orou:

“Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice”; “Aba Pai, tudo te é possível, afasta de mim este cálice, todavia, não seja o que eu quero, mas o que tu queres”.

Jesus, como filho de Deus que se fez homem, faz ao Pai essa pungente rogativa. Mas ao mesmo tempo, deixa de modo absoluto a resposta com, a vontade soberana do Pai, porém, continuando prostrado em oração.

Em dado momento levanta-se e vai para junto de seus discípulos – achou-os dormindo. A angústia do mestre se agravou e então disse a Pedro: “Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora?”

E exortou-os: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espirito, na verdade está pronto, mas a carne é fraca”.

Esta solene advertência do mestre aos seus discípulos deve também alcançar o coração de todos nós que lhe seguimos.

Cada crente tem em sua vida um conflito. Este conflito é entre a carne e o espírito. Entre o bem e o mal, entre a pureza e o pecado, entre a justiça e a iniquidade.

A tentação para o pecado está constantemente nos assaltando. Devemos atentar para a exortação do Senhor: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação”.

Parecia que Jesus não fora atendido na primeira vez que orou. Mas sabendo que devia beber o cálice da amargura e da morte continuou a orar:

“Pai meu, se este cálice não pode passar de mim, sem que eu o beba, faça a tua vontade”. O Pai sabendo o que o seu Filho necessitava, enviou um anjo para confortá-lo (Lc 22.43).

Em sua agonia espiritual, pela terceira vez Jesus fez a mesma oração. E tão intensa foi esta terceira oração, que “o seu suor se tornou em gotas de sangue, que caia pelo chão” (Lc 22.44).

A ciência médica considera este fenômeno de “diapédese” ou seja a passagem dos leucócitos do sangue para o tecido conjuntivo e faz-se atravessando os vasos capilares.

Este processo ocorre geralmente quando uma parte do organismo fica lesionada, pelo que o processo de inflamação é necessário.

Também pode ocorrer a passagem de hemácias (ou glóbulos vermelhos) em casos patológicos como a diátese hemorrágica.

Resumidamente, a diapédese é a saída dos glóbulos brancos dos vasos sanguíneos, conforme descreve a “Wikpédia – a enciclopédia livre”.
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“Ao voltar terceira vez disse-lhes: dormi agora e descansai – basta, é chegada a hora. Eis que o Filho do Homem está sendo entregue nas mais dos pecadores. Levantai-vos, vamo-nos; eis que se aproxima aquele que me trai”.


OLIVEIRA Miqueias. Batalha Espiritual por Princípios Bíblicos. BV Films Editora Eireli, Rio de Janeiro, 2016
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