Texto da Lição: Joel 1.1; 2.28-32
I - OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:
- Explicar o
contexto histórico, a estrutura e a mensagem do livro de Joel.
- Compreender que o Espírito Santo é uma pessoa divina.
- Saber que o livro
de Joel é escatológico.
II - TEXTO ÁUREO:
“E nos últimos dias acontecerá , diz Deus, que do
meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas
filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão
sonhos” (Atos 2.17).
III – VERDADE PRÁTICA: O Espírito Santo não veio ao mundo cumprir uma
missão temporária, mas guiar a igreja até a vinda do Senhor.
IV – PALAVRA CHAVE: Derramamento
O termo em destaque equivale as ações de
espalhar, dispersar, distribuir, esparzir, verter, repartir, propagar e
difundir.
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| ADM ODIVELAS - Lisboa - Portugal 2008 |
V COMENTÁRIO –
Apresentação
Quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja, em
Jerusalém,
muitas pessoas ficaram atônitas com o fenômeno, pois viram gente
simples falando línguas totalmente desconhecidas deles.
Outros, no entanto, zombavam,
afirmando que essas pessoas estavam “cheias de mostos” ou “embriagadas”.
Nessa
ocasião o apóstolo Pedro se levantou, junto dos demais apóstolos (At 2.14) e
expôs sistematicamente os pontos centrais da revelação de Deus através de Jesus
Cristo.
Ele evocou a profecia de Joel a
respeito do derramamento do Espírito Santo (At 2.15-21). E conclamou-os: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja
batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do
Espírito Santo.
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a
vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso
Senhor, chamar” (At
2.38,39).
OBJETIVO
1: Explicar o contexto histórico, a estrutura e a
mensagem do livro de Joel.
Quase nada se sabe virtualmente acerca do
profeta Joel, seu ministério, sua família, nem mesmo sua vida pessoal; apenas
que ele era profeta do reino de Judá e que o seu pai chamava-se Petuel (Jl 1.1).
Alguns situam as profecias de Joel em cerca de 800 a.C., enquanto outros
imaginam ser dos tempos pós- exílicos.Apesar de suas profecias terem sido dirigidas
especificamente ao reino do Sul, Judá, a sua mensagem é universal.
Se
aceitarmos a data mais antiga, então o seu ministério se deu na época em que
Judá estava sob a regência de Joiada durante a infância de Joás (2Cr 3.16-21;
22 – 24).
Assim sendo, é possível que tenha conhecido
Elias, quando ainda era menino, e por certo era contemporâneo de Eliseu. Joel
escreveu uma obra prima poética, falando sobre a devastadora praga de
gafanhotos que havia assolado a Palestina (Jl 1.4;2.25).
O profeta vê nessa calamidade uma visitação
do Senhor e se refere a ela como um tipo do castigo final do mundo, o “Dia do
Senhor“ (Jl 1.15). Como muitos outros profetas, Joel prediz o futuro à luz do
tempo presente, um acontecimento iminente como símbolo de um acontecimento
futuro.
Por isso ele vê na invasão dos gafanhotos um
indício da invasão vindoura do exército assírio (Jl 2,1-7; Is caps 36 e 37). Projetando
sua visão ainda mais para o futuro ele vê a invasão da Palestina pelos exércitos
confederados do Anticristo.
Para compreender melhor os terríveis efeitos
que essa praga dos gafanhotos teve sobre Judá, basta analisarmos a ocorrência desse
tipo de juízo divino sobre o Egito afetando grandemente aquela nação (Ex
10.1-19).
Todavia, seu poema profético envolve quatro
mensagens centrais. Além da espantosa devastação produzida pelos gafanhotos
(símbolo da ira divina, e de poder predizer outros juízos divinos).
Joel também falou da frutificação renovada da
terra, sob a condição de arrependimento; o dom do Espírito nos últimos dias e o
julgamento final das nações que tinham perseguido ou causado dano à nação de
Israel.
Os estudiosos conservadores vêm sentido
escatológico ainda mais profundo em seus escritos, afirmando que eles se
aplicam ao final da nossa dispensação. De fato, o esquema profético de Joel é o
mais completo do Antigo Testamento, embora o autor nos apresente esse esquema
em largas pinceladas.
O estilo de Joel é dramático e prende a
atenção do leitor. Os processos da natureza, bem como aqueles provocados pelos
homens estão sob o controle de Deus de tal modo que, em todas as vicissitudes
da vida, a nossa responsabilidade primária é diante de Deus.
O juízo de Deus
não consiste em mera vingança. Antes é um meio de produzir o bem, visando
especificamente esse bem. Joel é anterior a todos os profetas
literários, pois tem-se como certo que ele escreveu suas profecias 835 a.C.
A
mensagem divina foi entregue ao profeta por meio da palavra (Jl 1.1). O pano de
fundo histórico e propósito do livro é a grande praga de gafanhotos e o
julgamento divino, ou dia de juízo, simbolizado por aquela praga, foram o que
deu origem ao livro.
Grandes pragas de gafanhotos ocorriam
periodicamente, no Oriente Próximo, até onde a história é capaz de registrar,
pelo que é impossível identificar qualquer praga particular, como aquela
mencionada por Joel.
Se este livro foi escrito em tempos
pré-exílicos, em antecipação ao castigo das nações de Israel e de Judá, pelos
assírios e babilônios, respectivamente, então esse foi um dos motivos da
composição do livro. Todavia, uma coisa não podemos esquecer: Joel antevia um
julgamento divino final, o “Dia do Senhor”.
Alguns eruditos vinculam as profecias de
Joel, ao Armagedom através da invasão da Palestina por parte de potências
gentílicas do norte (Jl 2.1-10). A destruição desses exércitos invasores
aparece em (Jl 2.1-11). O arrependimento da nação de Israel no fim, é visto em (Jl
2.12-17), nos últimos dias (At 2.16,17).
Também há menção à infusão ou derramamento do
Espírito, em bases mundiais em (Jl 2.12-17), nos últimos dias, o que para nós
parece ainda futuro. Todavia, devemos entender que, para Pedro, o início do
cristianismo já marcava o início dos “últimos dias” (At 2.16,17).
O retorno do Senhor Jesus ao mundo – a
parousia, é visto em (Jl 2.30-32), e o recolhimento do disperso povo de Israel
em sua própria terra, em (Jl 3.1-16). Em seguida aparecem as bênçãos do reino
milenar (Jl 3.17-21).
Naturalmente o livro fala do arrependimento,
a condição “sine qua non”, para
alguém estar espiritualmente preparado para aqueles momentos dos acontecimentos
finais.
O derramamento universal do Espírito Santo
aparece em (Jl 2.28,29). Os cristãos primitivos aplicavam isso ao Pentecostes e
aos seus resultados, conforme se vê em Atos 2,16 ss, mas não exclusivamente a
eles,
porque o restante do Novo Testamento prevê um derramamento muito maior e
cabal do Espírito Santo, durante o período da Grande Tribulação, com uma
colheita de almas inigualável em toda a história do mundo.
“Depois
destas coisas vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as
nações, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos
de vestiduras brancas, com palmas nas mãos, e clamavam em grande voz, dizendo:
Ao nosso Deus que se assenta no trono e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap
7.9,10).
OBJETIVO 2. Compreender que o Espírito Santo é
uma pessoa divina.
O Espírito
Santo está presente em toda a Bíblia que o mostra claramente como uma pessoa e
não como uma mera influência. Ele é inteligente (Rm 8.27). Tem emoções (Ef
4,30), e vontade (At 16.6-11; 1 Co 2.11).
O Espírito
Santo é divino. Ele é chamado textualmente de Deus de Israel (2Sm 23.2,3). Ele
é igual ao Pai e ao Filho em poder, glória e magestade. Ao longo da história o
Espírito Santo sempre revestiu homens de Deus a fim de equipá-los para serviços
especiais.
Um exemplo
notável no Antigo Testamento, era José,
a quem fora outorgado o Espírito para capacitá-lo a agir de modo eficaz na casa
de Faraó (Gn 41.38-40). Também Bezalel e Ooliabe, aos quais Deus concedeu a
plenitude do seu Espírito para que fizessem o trabalho artístico necessário à
construção do Tabernáculo, e também para ensinarem aos outros (Ex 31.1-11;
35.30-35).
A plenitude do Espírito Santo, não é exatamente a mesma coisa que o
Batismo no Espírito Santo no Novo Testamento.
No Antigo
Testamento o Espírito Santo vinha sobre uns poucos indivíduos selecionados para
servirem a Deus de modo especial e os revestia de poder (Ex 31.3). O Espírito do
Senhor veio sobre muitos dos juízes tais como Otniel (Jz 3.9,10), Gideão (Jz
6.34), Jefté (Jz 11.29) e Sansão (Jz 14.5,6; 15.14-16).
Estes exemplos revelam
o princípio divino que ainda perdura; quando Deus opta por usar grandemente uma
pessoa, o seu Espírito vem sobre ela.
Note-se
que, nos tempos do Antigo Testamento o Espírito Santo vinha apenas sobre umas
poucas pessoas, enchendo-as a fim de lhe dar poder para o serviço ou a
profecia. Não houve nenhum derramamento geral do Espírito Santo sobre Israel.
O derramamento do Espírito Santo de forma mais
ampla (Jl 2.28,29; At 2.4,16-18) começou no grande dia de Pentecostes.
OBJETIIVO 3. Saber que o livro de Joel é
escatológico.
O livro do Profeta Joel é sobretudo escatológico. O primeiro capítulo
descreve a desolação causada em Judá por uma invasão de gafanhotos – um dos
instrumentos do julgamento divino mencionado por Moisés em sua profecia (Dt 28.38,39)
e por Salomão em sua oração (1 Re 8.37). e que havia sido usado por Deus contra
o Egito (Ex 10.12-20).
A principal mensagem de Joel é que Deus julga, e essa mensagem da
realidade do juízo divino, conforme orientação do profeta ao povo, não deveria
ser esquecida, mas recontada às gerações seguintes (Jl 1.3).
Não é àtoa que Deus permitiu que essa obra inspirada pelo Espírito Santo
ficasse para a posteridade, para que sua mensagem nunca fosse olvidada e
pudesse reverberar durante séculos, despertando vidas.
Joel fala do derramamento do Espírito Santo nos últimos dias e faz alusão
ainda sobre aparição de sinais em cima no céu e embaixo na terra, de sangue,
fogo e colunas de fumaça, do sol convertendo-se em trevas, e da lua tornando-se
sangue (Jl 2.30,31).
São manifestações teofânicas de Jeová para revelar a si mesmo e também
para executar juízo sobre o pecado (Ex 19.18; Ap 8.7). O primeiro advento de
Cristo e o derramamento do Espírito Santo são eventos introdutórios aos
“últimos dias” (Ap 2.17).
Os sinais cósmicos acompanhados de fogo, coluna de fumaça, etc., ausentes
do dia de Pentecostes, dizem respeito à Grande tribulação, no epílogo da
história, “antes que venha o grande e
terrível dia do Senhor” (Jl 2.31,; At 2.20).
CONCLUSÃO:
A
vinda do Espírito Santo, além de revestir os crentes em Jesus, resulta também
em salvação a todos que desejam encontrar a vida eterna. O apóstolo Paulo
termina a citação de Joel com estas palavras:
“Todo aquele que
invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2.21). O apóstolo Paulo citou essa
passagem referindo-se a Jesus e afirmando que o Meigo Nazareno é o mesmo grande
Deus Jeová de Israel (Rm 10.13).
O
derramamento do Espírito Santo inaugura a dispensação da igreja, que,
acompanhado de grandes sinais, faz do cristianismo uma religião sui generis. A igreja continua recebendo
o poder do alto e prossegue anunciando a salvação a todos os povos.
Nisso
vemos a múltipla operação do Espírito Santo, revestindo de poder os crentes em
Jesus e convencendo o pecador de seus pecados (At 1.8; Jo 16.7-11). Há
dimensões tanto presentes quanto futuras em todas as aplicações de Joel no Novo
Testamento.
Os
dons do Espírito que começaram a fluir através do povo de Deus, no Pentecostes,
ainda se acham à disposição dos crentes no tempo presente (1 Co 12.1 – 14.40).
Além
disso, os versículos que precedem a profecia a respeito do Espírito Santo e a
analogia da colheita com as chuvas temporãs e seródias (Jl 2.23-27), e os
versículos que se seguem, e os sinais que se darão nos céus no final dos
tempos, (Jl 2.30,32),
indicam que a profecia sobre o derramamento do Espírito
(Jl 2.28,29), inclui não somente a chuva inicial no Pentecoste, como também um
derramamento final e culminante sobre toda a raça humana no final dos tempos.
Consultas:
Li0ções Bíblicas
EBD-CPAD - 4º. Trimestre 2012 – (Comentarista: Esequias Soares).
COELHO, Alexandre e
DANIEL, Silas. Os Doze Profetas Menores. CPAD – Rio de Janeiro, 2012.
Bíblia de Estudo
Pentecostal – CPAD
ANDRADE, Claudionor
Corrêa. Dicionário Teológico. 8ª. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
CHAMPLIN. R. N. O Antigo
Testamento Interpretado Versículo por Versículo.. Editora Hagnos.
CHAMPLIN. R. N. Dicionário
do Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo.. Editora Hagnos.
DOCKERY, David S. Manual Bíblico Vida Nova –
1ª. ed. São Paulo, Editora Vida, 2001.
RICHARDS Lawrence. Comentário Bíblico do
Professor. 3ª. Imp. São Paulo: Editora Vida, 2004.
DAVIDSON, F. O Novo Comentário da Bíblia. 3ª.
ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 1997.
RADMARCHER, Earl
D.; ALLEN, Ronald B; HOUSE, H. Wayne. O Novo Comentário Bíblico do
Antigo Testamento com Recursos Adicionais. 1ª. ed. Rio de Janeiro. Editora
Central Gospel, 2010