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sábado, 6 de julho de 2019

A GRACIOSA DOUTRINA DA MORDOMIA CRISTÃ -07.07.19


A GRACIOSA DOUTRINA DA MORDOMIA CRISTÃ -07.07.19
Lucas 16.1-8, 42; Mt 20.8
Por: Pr. João Barbosa

MORDOMIA – (gr. oikonomia, que significa “administração de um lar”). A administração de deveres ou bens pelos quais a pessoa é responsável.

A pessoa que administra o lar é chamada “mordomo” (oikonomos “lei da casa”) ou “superintendente” (epitropos).

A ideia tem suas raízes na instituição da escravidão. O senhor nomeava um escravo para administrar seu lar com todo o patrimônio, inclusive ensinar e disciplinar os membros da família, especialmente outros escravos e as crianças.

Um exemplo clássico é a posição de José na casa de Potifar (Gn 39.4-6). A ideia comum de mordomia é encontrada em várias passagens do NT, notavelmente na parábola do administrador infiel (Lc 16; Mt 20).

O tutor de uma criança menor também podia ser chamado de mordomo (Gl 4.2). Um oficial do governo podia ser chamado mordomo (oikonomos). Na Bíblia Almeida atualizada ARA, é chamado tesoureiro ou procurador (epitropos) Lc 8.3.

A ênfase moderna na mordomia dos bens, embora seja uma realidade, o estudioso dessa doutrina deve ter cuidado para não obscurecer o fato de que a mordomia básica do cristão é a da vida e pregação ensinada no verdadeiro evangelho, e isto inclui o modo de como utilizar toda sua vida e não somente os bens e o dinheiro.

Deus confia seus bens ao homem, a fim de que este o administre com sabedoria, diligência, honestidade e fidelidade. Trata-se de uma relação de confiança entre Deus e o homem que está fundamentada no favor divino e não na lei.

Deus designou o homem como gestor ou mordomo da sua criação, com o imperativo divino de sujeitá-la e dominá-la (Gn 1.27-30; 2.15,16).

Após a queda do homem, a doutrina da mordomia não foi revogada. Deus sempre reivindicou ser o dono absoluto de tudo o que existe, e que os homens são apenas seus mordomos (Sl 24.1; 50.12; Ag 2.8; Cl 1.16).

No NT, Jesus ensinou a doutrina da mordomia em várias de suas parábolas: A do servo vigilante (Lc 12.35-48), a das dez minas (Lc 19.11-27), a dos trabalhadores da vinha (Mt 20.1-16 e a dos talentos (Mt 25.14-30).

Jesus não só nos ensinou sobre o que é mordomia, como viveu e ensinou como o mordomo chefe. Ele usou os dons que Deus lhe confiou para ensinar, pregar e curar.

O apóstolo Paulo também ensinou esta graciosa doutrina onde cuja ideia central no ensino do grande apóstolo é a de que cada crente é um mordomo (oikonomos de Deus).

A exigência de Deus para seus mordomos é de que cada um se ache fiel (1Co 4.1,2 – Almeida NAA), e tenha vida irrepreensível.

O apóstolo Pedro ensina também que cada crente deve servir uns aos outros com o dom que recebeu, como um bom mordomo da multiforme graça de Deus (1Pe 4.10).

A aplicação prática desta doutrina na vida da igreja, hoje, é de extrema importância. Isto porque esta doutrina nos constrange e nos obriga a colocar Deus em primeiro lugar na nossa maneira de viver.

Não vivemos mais para nós, mas para Deus. Jesus diz: Busquem em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas (Mt 6.33 Almeida NAA).

Num ensino cuidadoso desta doutrina aprendemos que não podemos dar nada para Deus, pois tudo é dele. Os dízimos e as ofertas são apenas devoluções que realizamos como expressão de confiança e dependência dele.

Assim se expressava Davi: “Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos” (!Cr 29.14). Jamais devemos esquecer que o que temos foi Deus que nos deu temporariamente para que possamos administrar essa porção de seus bens que está sobre nossos cuidados.

Nunca digas, pois, no teu coração: a minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te da força para adquirires riquezas, para confirmar sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais como hoje se vê  (Dt 8.17,18).

BIBLIOGRAFIA:
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Como Estudar e Interpretar a Bíblia. Editora CPAD, 1986
Bíblia Tradução Revista e Atualizada. SBB
Bíblia Nova Almeida Atualizada
DYRNESS, William A. e KARKAINEN, Veli. Dicionário Global de Teologia. Editora Hagnus. São Paulo 2017
Dízimos e Ofertas são para Hoje? – Princípio Bíblico sobre o Privilégio de Entregar o LOPES, Hernandes Dias Pr. e CASSIMIRO, Arival Dias. Dízimo e as Ofertas. Editora Luz e Vida. São Paulo, 2017
RADMACHER, EARLY D. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento. Editora Central Gospel. Rio de Janeiro, 2010
ELWELLE. Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã. Editora Vida Nova. São Paulo, 2009
CHAMPLIIN. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia –  Editora Hagnus. São Paulo, 2006

sábado, 15 de junho de 2019

O SACERDÓCIO DE CRISTO E O LEVITISMO - 16.06.19


O SACERDÓCIO DE CRISTO E O LEVITISMO - 16.06.19
Êxodo 28.1; Levítico 8.22; Hebreus 7.23-28; 1Pe 2.9
Por: Pr. João Barbosa

Cristo como Sacerdote – O propósito da antiga ordem do sacerdócio levítico era ensinar ao povo que a expiação pelos pecados exigia a provisão de uma vítima inocente no lugar do pecador, e o derramamento do sangue quando aquela vítima sofre a morte que o pecador merecia.

A ordem levítica não podia efetuar essa expiação, mas conservava viva a expectativa da vinda do sacerdote perfeito e do oferecimento de um sacrifício perfeito afim de cumprir as promessas evangélicas cumpridas nas Escrituras do |NT.

A nova ordem do sacerdócio é a de Melquisedeque, que consiste na pessoa singular que é o nosso Redentor Jesus Cristo (Hb 7.23-28).

A perfeição do seu sacerdócio é confirmada pelo fato de que ele é para sempre (Sl 110.4), que o seu sacerdócio foi oferecido de uma vez por todas (Hb 7.27), e que ele, com sua obra de expiação já completada, agora está entronizado na glória celestial (Hb 1.3; 10.12; 12.2).

A perfeição do seu sacerdócio é estabelecida pela impecabilidade da sua vida terrestre como o filho encarnado, nosso próximo como ser humano. O significado disso é que, em contraste com o primeiro Adão, que sofreu derrota e, na sua queda, arrastou consigo a raça humana.
Jesus, “o último Adão” (1Co 15.45,47), tomou sobre si a nossa humanidade afim de redimi-la e elevá-la em si próprio para uma posição gloriosa que sempre tinha sido o seu destino.

Isto significa que, ao ir para a cruz, aquele que estava sem pecado tomou sobre si os nossos pecados e sofreu a rejeição e a morte devida a nós, os pecadores, “o justo pelos injustos” (1Pe 2.22-24; 3.18; Hb 4.125; 7.26-28), como a vítima inocente fornecida pela graça e pela misericórdia de Deus (1Pe 1.18,19).

Ainda, que ele não é apenas o nosso sacerdote sacrificador, como também o sacrifício em si mesmo, porque foi a si mesmo que ele se ofereceu por nós, e, portanto, nele temos a provisão do substituto perfeito, um equivalente genuíno, nosso próximo (Hb 12.14,15), que verdadeiramente toma o nosso lugar.

Por isso, recebemos a certeza de que pela vontade de Deus “temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”, porque ele “com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb 10.10,14).

A nova ordem do sacerdócio cumprida na única pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, substituiu totalmente, a ordem antiga. Com Cristo como nosso único grande sacerdote que vive para sempre, agora não há lugar para qualquer sucessão de sacerdotes sacrificadores, nem necessidade deles.
Agora que ele ofereceu o único sacrifício perfeito de si mesmo, não há lugar para qualquer outro sacrifício ou qualquer repetição de sacrifícios. Em Cristo Jesus, tanto o sacerdócio como o sacrifício foram cumpridos e finalizados.

A necessidade de um sacerdócio – Era a pecaminosidade universal do homem que tornava necessário um sacerdócio que oferecesse sacrifícios. E os sacrifícios oferecidos realizavam ou simbolizavam os meios para reconciliação entre o homem pecador e o seu criador santo.

A função do sacerdócio, portanto, era uma função mediadora. A outorga da lei através de Moisés está associada à instituição do sacerdócio arônico ou levítico.

A lei e o sacerdócio são simultâneos na sua origem e inseparável na sua operação (Hb 7.11). A razão disso é que os israelitas, assim como o restante da humanidade, eram pecadores, portanto, ao serem confrontados com a lei, que é o padrão divino da retidão, eram violadores desta.

Sem dúvida, a lei dada por Deus é santa, justa, boa e espiritual (Rm 7.12,14). E como tal, demarca o caminho da vida: ao guardar fielmente os seus preceitos, o homem viverá (Lv 18.5; Ne 9.29; Mt 19.16,17; Rm 10.5; Gl 3.2).

Mas o problema radical do homem é que ele é pecador. A lei desmascara o homem e revela que ele é: um violador da lei; e “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23; Ez 18.4,20).

Consequentemente, Paulo escreve: “e o mandamento que me fora para a vida, verifiquei que esse mesmo se tornou para a morte” (Rm 7.10). Não que haja algo de errado com a lei; a culpa é do homem que viola a lei (Rm 7.13).

Daí a necessidade de a formulação da lei ser acompanhada pela instituição de um sacerdócio para mediar de um modo redentor entre Deus de o pecador que violou a sua lei e precisa ser restaurado da morte para a vida.

O sacerdócio do crente – permanece, no entanto, um sacerdócio que pertence aqueles que pela fé foram unidos com Cristo. Costuma-se chamá-lo “o sacerdócio de todos os crentes”.

É por isso que o apóstolo Pedro descreve os cristãos como “sacerdócio santo” cuja função é “oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1Pe. 2.5,9).

Esses sacrifícios espirituais não são, de modo algum, sacrifícios de redenção, mas, sacrifícios de gratidão a Deus pelo sacrifício de Cristo, o único sacrifício redentor totalmente suficiente, quando ele se ofereceu no Calvário por nós, pecadores.

É por isso que somo exortados a “apresentar os nossos corpos” e a nós mesmos, “por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1); e ao nos sacrificarmos de boa vontade, expressamos o nosso sacerdócio espiritual nos atos de louvor e gratidão e no serviço altruísta ao nosso próximo quando ministramos as suas necessidades.

O exercício desse sacerdócio é resumido nas palavras de Hebreus 13.15,16: “por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. Não negligencies igualmente a prática do bem, e s mútua cooperação; pois com tais sacrifícios Deus se agrada”.

Em seu célebre ensaio “O ministério cristão”, J.D. Lightfoot, não somente insiste em que “como indivíduos, todos os cristão são igualmente sacerdotes”, mas também chama a atenção ao fato de que nos ofícios ministeriais enumerados em 1Co 12.28 e Ef 4.11, “há silêncio total a respeito das funções sacerdotais:

Porque o cargo mais exaltado na igreja, o dom mais sublime do Espírito, não transmite nenhum direito sacerdotasl que não fosse desfrutado pelo membro mais humilde da comunidade cristã”.

Sua afirmação a respeito do reino de Cristo no primeiro parágrafo do ensaio não é menos enfática: “acima de tudo, não possui nenhum sistema sacerdotal.

Não interpõe nenhuma tribo ou classe sacerdotal entre Deus e o homem, por cujo exclusivo intermédio Deus é reconciliado e o homem perdoado. Cada membro individual tem comunhão pessoal com a cabeça divina, Cristo.

A pessoa tem responsabilidade imediata diante dele, e é diretamente dele que ela obtém perdão e adquire força”. Essas palavras de um grande cristão e estudiosos do NT apresenta de modo admirável a posição da igreja apostólica sobre o sacerdócio. Porque na economia do NT só há um sumo sacerdote que é Cristo.




                     
BIBLIOGRAFIA:
Bíblia Tradução Revista e Atualizada. SBB
WATER, Mark. Enciclopédia de Fatos da Bíblia. Editora Hagnus. São Paulo 2014
ANGUS, Joseph. História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnus, São Paulo, 2003
HENRICHSEN, Walter A. Depois do Sacrifício. Editora Vida. São Paulo, 1996
LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus – Comentário Esperança. Editora Esperança. Curitiba, 2013
ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Editora Vida Nova. São Paulo 2009

terça-feira, 4 de junho de 2019

O SISTEMA DE SACRIFÍCIO JUDAICO NO TABERNÁCULO E NO TEMPLO DE SALOMÃO


O SISTEMA DE SACRIFÍCIO JUDAICO NO TABERNÁCULO E NO TEMPLO DE SALOMÃO - 09.06.19
Levítico 1.1-3; 2.1-3; 3.1,2; 7.1,2; 1Jo 2.1,2
Por: Pr. João Barbosa

O Sacerdócio – Desde a época em que a fumaça do sacrifício de Abel subiu até Deus até a morte de Jesus Cristo na cruz do Calvário, a história da raça humana está intimamente ligada a altares, sacerdotes e sacrifícios.

No começo cada homem era seu próprio sacerdote. Caim e Abel “trouxeram” seus sacrifícios e apresentaram-nos a Jeová (Gn 4.1-5).

Após o dilúvio, Noé, reconhecendo a bondade de Deus, ergueu um altar sobre a terra purificada e ofereceu sacrifícios ao grande Deus que lhe livrou da destruição (Gn 8.20).

Com o passar do tempo, o cabeça da família fez as vezes de sacerdote no altar e conduziu a família a adoração a Deus.

Exemplos de altares de sacrifícios antes da lei – Abraão: construiu altares em Siquém, entre Betel e Aí (Gn 12.8-10; 13.1-3), e no monte Moriá (Gn 22.1-9).
Isaque: Construiu um altar em Berseba (Gn 26.18,23-25).
Jacó: ofereceu sacrifícios em Berseba em sua caminhada para o Egito a fim de encontrar-se com José (Gn 46.1).
Antes do êxodo, entre os filhos de Abraão não havia sacerdócio. Nenhuma lei oficial regulamentava as ofertas e sacrifícios; mas os sacrifícios eram, sem dúvida, oferecidos em obediência à ordem de Deus (Gn 4.1-5; 22.1-9; 35.1-3; Rm 10.17; Hb 11.4).

Por determinação da lei, quando foi promulgada por Deus no monte Sinai o sumo sacerdócio devia ser desempenhado por membro da casa de Arão, e durante o tempo de maior pureza ritual pelo primogênito daquela família.

Todavia, Nadabe, o filho mais velho de Arão, morreu por causa de sua impiedade, sendo ainda seu pai Arão o sumo sacerdote.

Sucedeu então que aquele alto lugar foi ocupado por Eleazar, cuja linhagem foi sucedida séculos depois por Eli, um descendente da família de Itamar, quarto filho de Arão.

Mas no tempo de Salomão o sumo-sacerdócio voltou para a família de Eleazar, e nela permaneceu até o cativeiro da Babilônia. Arão foi consagrado sumo-sacerdote por Moisés, e os seus filhos eram os sacerdotes (Lv 8).

No reinado de Davi eram tão numerosos os descendentes de Eleazar e Itamar que não podiam ser todos empregados ao mesmo tempo como sacerdotes.
Foram por consequência divididos em vinte e quatro turnos ou ordens, servindo cada turno em rotação semanal, duas vezes no ano alunar (1Cr 24).

Cada ordem tinha o seu chefe, e são esses chefes provavelmente os “príncipes dos sacerdotes”, que tantas vezes se referem os evangelhos.

Ao seu cuidado estavam os sacrifícios os serviços religiosos no templo, sendo as funções sacerdotais, na sua maior parte, determinada por sorte a cada um.

Os levitas – Todos os sacerdotes eram levitas, isto é, descendentes de Levi por Coate e Arão. Todavia, Levi teve outros filhos, cujos descendentes se empregavam em serviços públicos.

Eles auxiliavam os sacerdotes, formavam a guarda do tabernáculo, e levavam-no de lugar para lugar (Nm 4.2,22,29).

No reinado de Davi, todo o pessoal do culto, não contando com os sacerdotes, estavam divididos em três classes, sendo cada uma destas classes subdivididas em vinte e quatro turnos.

A primeira classe estava de serviço junto dos sacerdotes para os ajudar, a segunda formava o coro dos cantores do templo, a terceira constituía o corpo dos guardas e porteiros do templo (1Cr 24 – 26).

É provável, que os levitas, quando não estivessem de serviço no templo, fossem os instrutores do povo, pois eles eram a classe instruída de Israel.

Para sustentação da grande família dos levitas havia quarenta e oito cidades, com uma faixa de terra em volta de cada uma.

Tinham também o dízimo de todos os produtos e do gado do campo, cabendo aos sacerdotes o dízimo desse dízimo (Lv 27.30; Nm 35.1-8).

Participavam também do dízimo daqueles produtos o que o povo geralmente deviam gastar nos sacrifícios das festividades, para os quais eles eram convidados (Dt 14.22-27).

Os materiais do sacrifício – Eram tomados tanto do reino vegetal como do reino animal, sendo que as ofertas que eram tomadas do reino animal eram chamadas de ofertas de sangue ou cruentas e se usavam no preparo das duas espécies de sacrifícios o sal mineral que era o emblema da pureza.

As ofertas cruentas eram ofertas pelo pecado, oferta pela transgressão ou culpa, oferta queimadas ou holocausto e oferta de paz ou sacrifício pacífico.

Do reino vegetal, empregava-se para os sacrifícios, certos alimentos como farinha, trigo torrado, bolos e incensos, e as libações como sendo, por exemplo, vinho no seu estado natural ou fermentado (Fp 2.17).

Estes sacrifícios andavam ordinariamente unidos, e eram considerados como uma adição aos sacrifícios de ações de graça, feitos com fogo (Nm 15.5-11; 28.7-15; Lv 14.10-21).

Os animais oferecidos eram bois, cabras e carneiros, devendo ser sem mancha, não podiam ter menos de oito dias, nem mais do que três anos.

As pombas eram também oferecidas em alguns casos (Lv 5.7). Nunca se ofereciam peixes e os sacrifícios humanos eram expressamente proibidos (Lv 20.25).

O lugar do sacrifício – Os sacrifícios eram oferecidos somente no pátio, que estava à entrada do tabernáculo, e mais tarde no templo (Lv 17.1-9; Dt 12.5-7).

Havia, porém, de tempos em tempos sacrifícios em outros lugares (Jz 2.5; 6.26; 13.19; 1Sm 7.17; 9.12; 11.15; 16.5; 1Re 18.19-32).

Conclusão – O sistema sacrificial dominou toda história da fé religiosa hebraica, mas alguns dos profetas posteriores começaram a sentir que o sistema de sacrifícios não satisfaziam as necessidades mais profundas do adorador.

A “rejeição” do sistema estava no ar (Am 5.21-27; Is 1.10-20; Sl 51.16,17). Uma mudança total veio com o Messias – Jesus Cristo.

Sacrifícios no NT – Jesus, seus discípulos e os primeiros cristãos, ainda vivendo no contexto judaico do AT observaram as exigências do sistema sacrificial.

Cristo não exigiu sua abolição (Mt 5.24). Ele ordenou aos leprosos que haviam sido limpos que cumprissem as leis sacrificiais (Mt 8.4; Lc 17.14).

Ele previu que sua própria morte seria um sacrifício vicário (Mc 10.45; Mt 20.28). O Evangelho de João refere-se a ele como “o cordeiro de Deus” que remove os pecados do mundo (Jo 1.36; Ap 13.8).

Os romanos destruíram Jerusalém em 70 d.C. e, com a cidade também, o sistema sacrificial dos judeus.

Esse sistema não foi restaurado, e os cristãos passaram a considerar o “sacrifício sangrento” de Jesus Cristo, o Messias, o cumprimento de todos os tipos e sombras do antigo sistema de sacrifícios.

O livro de Hebreus é uma grande elaboração sobre este tema (Hb 8.7; 10.1), para declarações específicas de sumários.

O Espírito Eterno tornou seu sacrifício totalmente eficaz (Hb 9.13,14). A Redenção era vista no sangue de Cristo (1Pe 1.18,19,24).

Em 1João lemos sobre a expiação e a limpeza do pecado em Cristo (1Jo 1.7; 2.22; 5.6,8; Ap 1.5). Em Rm 12.1 o sacrifício ideal é o próprio homem espiritual que se torna um “sacrifício vivo”, ao cumprir o desejo de Deus para sua vida (Rm 15.16; Fp 2.17; 4.18; 1Pe 2.5).


                      
BIBLIOGRAFIA:
HABERSHON Ada. Manual de Tipologia Bíblica. Editora Vida. São Paulo, 2003
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Como Estudar e Interpretar a Bíblia. Editora CPAD, 1986
ALMEIDA, Abraão O Taberrnaculo e a Igreja. Editora CPAD. Rio de Janeiro, 2018
MELO, Joel Leitão de.  Sombras, Tipos e Mistérios da Bíblia. Editora CPAD, 1989
Bíblia Tradução Revista e Atualizada. SBB
WATER, Mark. Enciclopédia de Fatos da Bíblia. Editora Hagnus. São Paulo 2014
ANGUS, Joseph. História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnus, São Paulo, 2003
BROWN, e. Raymond. Novo Comentário Bíblico de São Jerônimo – Antigo Testamento. Editoras Academia Cristã e Paulus. SPaulo, 2007
CHAMPLIIN. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia – Vl 7  Editora Hagnus. São Paulo, 2006

sábado, 6 de abril de 2019

O TABERNÁCULO - UM TIPO DE CRISTO - 07.04.19 Exodo 25.1-9


ESTUDO 01.2T.2019 - O TABERNÁCULO - UM TIPO DE CRISTO - 07.04.19
Exodo 25.1-9
Por: Pr. João Barbosa

Um dos estudos mais proveitosos a que um crente pode se dedicar é o de tipologia bíblica porque a tipologia é uma técnica, associada bem de perto à alegoria, mediante a qual pessoas, eventos, instituições ou objetos de qualquer espécie passam a simbolizar ou ilustrar a pessoa de Jesus Cristo, ou então aspectos da fé, da doutrina, das práticas, das instituições cristãs, etc.

Os tipos bíblicos são “sombras” ou representações da realidade. Um exemplo é a Lei de Moisés que era a sombra dos bens futuros mas não continha a imagem exata das coisas (Hb 10.1).

Os tipos, em determinadas circunstâncias, podem aparecer associados aos eventos relacionados ao povo de Deus.

Exemplos – A passagem de Israel pelo Mar Vermelho, a caminhada no deserto, a água da rocha, a serpente no deserto. Todas estas coisas são figuras ou símbolos para a igreja dos dias atuais (1Co 10.1-11).

Um tipo assemelha-se a uma alegoria, mas visto que tem melhores bases bíblicas tem ocupado um estudo maior, retendo um importante papel dentro da interpretação cristã.

Há muitas alegorias nas páginas da Bíblia, mas no NT há um número muito maior de tipos do que de alegorias. Os rabinos tinham mais interesse no estudo dos símbolos, tipos, alegorias e parábolas.

A tipologia tem um pano de fundo judaico, e era extremamente popular entre os rabinos. Os manuscritos do Mar Morto provêm ilustrações tanto da interpretação alegórica quanto da interpretação tipológica.

Era natural que os autores do NT quase todos judeus, acostumados com o estudo do VT, tivessem visto tipos claros no NT. É bom destacar que o antítipo é sempre superior ao tipo. Exemplo – o cordeiro pascal (Ex 12.3-7, 21-29; Jo 1.29; 1Co 5.7).

Os tipos são alicerçados na história e na revelação sagrada (Mt 12.40). São proféticos (Jo 3.14; Gn 14, comparado com Hb 7). Fazem parte integral da história sagrada e da doutrina cristã, e não de pensamentos inventados por rabinos e cabalísticos (1Co 1.10,11).

São todos cristocêntricos (Lc 24.24,44; At 3.24). São excelentes para instrução e edificação. Cada tipo provê uma espécie de janela que permite a entrada de luz sobre o assunto estudado. O maior desses exemplos é a carta aos Hebreus. Vemos ali como funcionam e se aplicam os tipos bíblicos.

No estudo das divisões do tabernáculo podemos acompanhar o passo a passo do crescimento espiritual do povo de Deus tomando por base a recomendação apostólica:

“Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18). O crescimento na graça segundo as divisões daquele primeiro tempo israelita relaciona-se de perto com as três pessoas da trindade.

Começando pelo Espírito Santo, prosseguimos na pessoa do Filho de Deus e alcançamos em Deus Pai a medida da estatura da plenitude de Cristo.

Nessa ascensão espiritual estão as três principais virtudes do cristianismo – a fé, a esperança e o amor – bem como as fases da nossa frutificação: Trinta, sessenta, e cem por um (Mc 13.23), ou seja: fruto, mais fruto e muito fruto (Mc 4.8; Jo 15.1-5; 1Co 13.13).

Os tipos são figuras, ou lições, pelas quais Deus tem ensinado ao seu povo seu plano redentor e seus elevados propósitos para a vida cristã. São amostras de coisas vindouras e não a verdadeira imagem destas coisas (Cl 2.17; Hb 8.5;10.1).

A Bíblia usa diversas palavras para tipo, como: Sinal (Jo 10.25), figura (At 7.43; Rm 5.14; 1 Co 10.11), forma (Rm 6.16,17),l parábola, alegoria (Hb 9.9), modelo (At 7.44; Hb 8.4,5), sombra (Cl 2.14; Hb 8.5), exemplo (Fp 3.17; 1Tm 4.12; 1Pe 5.3; 2Pe 2.6).

Existem também alguns nomes para os antítipos: verdadeira figura (1Pe 3.21), mesma imagem (Hb 10.1), coisas celestiais (Hb 9.23), verdadeiro (Hb 9.24), Espírito (2Co 3.6).

O tipo é o objeto da lição, a revelação temporária de uma pessoa, um acontecimento ou uma instituição vindoura. O antítipo é o cumprimento daquilo que havia sido predito no tipo.

São necessários um ou mais pontos de afinidade entre o tipo e o antítipo (Cl 2.14-17; Hb 10.1). O tipo precisa ser profético em todos os tipos de semelhança com o antítipo, e precisa verdadeiramente prefigurar as coisas vindouras (Jo 3.14; Rm 5.14; Hb 8.5; 9.23,34; 1Pe 3.21).

O tipo é sempre terrestre, o antítipo pode ser tanto terrestre como celestial (Hb 8.5;9.24; 1Pe 3.21). Desde que tipo e antítipo, ou seja, figura e cumprimento necessitem ser preordenados como parte de um mesmo plano divino, nunca podem ser escolhidos pelo homem (2Tm 3.16).

Por isso, a autoridade dos tipos e sua aplicação provêm unicamente da Bíblia, que exige o endosso de pelo menos três testemunhas para confirmar uma verdade (2Co 13.1). Com estas observações, agora podemos considerar alguns exemplos bíblicos de tipo e antítipo.

“Adão, como o primeiro homem na história da humanidade, é a figura daquele que havia de vir” (Rm 5.14c). Cristo é o primeiro da nova criação. Pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça, o dom abundou por um só homem, Jesus Cristo (Rm 5.15).

Adão foi feito alma vivente (Gn 2.7), Jesus Cristo é chamado “      o último Adão em espírito vivificante (1Co 15.45b). Pela desobediência de Adão muito foram feitos pecadores; pela obediência de um, que é Jesus Cristo, muitos serão feitos justos (Rm 5.19).

O pecado de Adão impediu o caminho da árvore da vida porque um querubim foi posto ali com uma espada inflamada (Gn 3.24). O Senhor Jesus Cristo abriu um novo e vivo caminho para o santuário de Deus (Hb 10.20).

Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

 Abraão reconheceu que Melquisedeque era sacerdote de Deus. Deu-lhe o dízimo e foi abençoado por ele. Abraão sendo o pai do povo judeu foi abençoado por aquele a cuja ordem Jesus pertence.

A exposição de Hebreus 7, é para provar que Jesus Cristo é superior ao sumo sacerdote Arão, visto que antes de Arão aparece Melquisedeque, tipo de Jesus.

Em Gn 14 é mencionado Melquisedeque, sem pai, sem mãe, sem genealogia. Os judeus davam grande valor à genealogia. Só se podia exercer um cargo importante se fosse conhecida a origem familiar.

Quando voltaram do cativeiro no tempo de Esdras e Neemias, alguns que não provaram o registro das genealogias foram rejeitados, e considerados imundos e proibidos de comerem das coisas sagradas (Ed 2.62,63; Ne 7.64,65).

Entendemos que Melquisedeque era um homem descendente de Adão e Noé; mas sua genealogia nos dias de Abraão não era desconhecida e Deus não quer que ninguém identifique quem era Melquisedeque.

Pela mentalidade dos rabinos, Melquisedeque não deveria se sacerdote de Deus. Mas ele foi aceito por Abraão e de sua ordem provém Jesus.

Ele era o rei de Salem e rei de paz. Salem quer dizer paz e era o nome de Jerusalém; Jesus Cristo, depois de destruir o reino do Anticristo, reinará em Jerusalém como rei de paz.

Continuando os exemplos de tipo, podemos ver em José um dos mais perfeitos tipos de Cristo no AT. José, amado por seu pai Jacó (Gn 37.3) – Jesus, amado de Deus (Mt 3.17).

José foi odiado pelos seus irmãos (Gn 37.4) – Jesus, foi odiado pelos judeus (Jo 15.24).

José foi enviado pelo seu pai para encontrar seus irmãos (Gn 37.13-24). Jesus foi enviado por Deus para salvar a humanidade, mas foi traído e morto por seus irmãos, os judeus e condenado (Jo 1.12; 1Jo 4.14).

José foi vendido por seus irmãos (Gn 37.28). Jesus foi vendido por um de seus apóstolos (Mt 26.14,15). José foi tentado e venceu a tentação (Gn 39), Jesus venceu a tentação do deserto (Mt 4.1-11).

José foi preso junto com dois criminosos, um foi salvo, o outro condenado (Gn 40) – Jesus foi preso e crucificado entre dois malfeitores, um foi morto o outro foi salvo (Lc 23.32,33).

José foi levantado e exaltado no Egito (Gn 41.14,43,44) – a Jesus foi dado todo poder, tanto no céu como na terra (Mt 28.18). Com trinta anos José começou a sua missão no Egito (Gn 41.46) – Com trinta anos Jesus começou o seu ministério (Lc 3.23). José teve uma noiva não hebreia (Gn 41.45) – De igual modo, Jesus (Ef 5.25,27).

A tribulação obrigou os irmãos de Jesus a procura-lo (Gn 42) – O mesmo acontecerá com o povo judeu que vai procurar Jesus durante a Grande Tribulação e reconhece-lo como Messias (Mt 24.21; Zc 12.10; Is 26.16).

Através de José vieram reconciliação e bênçãos para seus irmãos (Gn 45 – 46) – Jesus trará a paz para o seu povo (Is 11.12; 35).

No tempo de José todos os povos foram abençoados por causa do seu trabalho (Gn 41.57). Através de Jesus todos os povos serão alcançados (Is 2.1-5; 4.2-6; 11.10). Moisés é o personagem referido em maior número de livros da Bíblia. Seu nome aparece em trinta e um dos livros do volume sagrado.

É chamado: servo do Senhor (Ex 14.31); fiel em toda casa (Nm 12.7; Hb 13.5); homem de Deus (Dt 33.1); o maior dos profetas (Dt 34.10.11); foi o escolhido de Deus (Sl 106.23).

Moisés tinha muitos pontos semelhantes a Jesus: ameaçado de morte e preservado por Deus (Ex 2.2-10;Hb 11.23); Jesus também foi preservado por Deus (Mt 2.13-15).

Moisés dominou as águas do mar (Ex 14.21); Jesus acalmou a tempestade (Mt 8.26). Moisés alimentou uma multidão (Ex 16.15-16; Jo 6.31); Jesus também alimentou multidões (Jo 6.12).

Moisés teve seu rosto iluminado (Ex 34.35); Jesus foi transfigurado (Mt 17.1-5). Os irmãos de Moisés estiveram contra ele (Nm 12.1); Jesus também teve seus irmãos contra ele (Jo 7.5).

Moisés intercedeu pelo povo (Ex 32.32); Jesus intercedeu pelos seus apóstolos (Jo 17.9). Moisés escolheu setenta auxiliares (Nm 11.16); Jesus enviou setenta discípulos (Lc 10.1). Moisés esteve a sós quarenta dias em jejum (Ex 24.18); Jesus jejuou quarenta dias no deserto (Mt 4.2).

Moisés andava com as doze tribos de Israel, Jesus andava com doze apóstolos. Moisés apareceu depois da sua morte (Mt 17.3); Jesus também apareceu depois da sua morte (At 1.3).

Temos ainda outros tipos:
Eva – tipo da igreja; Caim – tipo os que confiam nas suas obras; Enoque – tipo do arrebatamento da igreja; Moisés – tipo dos santos ressuscitados; Noé – tipo dos que habitarão à nova terra.

Abraão – tipo dos crentes que andam pela fé; Ló – tipo dos crentes que andam pela vista; Ismael – tipo do crente carnal; Isaque – tipo do crente espiritual; Esaú – tipo da velha natureza.

Jacó – tipo do crente transformado; no casamento de Isaque, Abraão – tipo de Deus o Pai; Sara – tipo de Israel; Isaque – tipo de Jesus Cristo; Rebeca – tipo da igreja; Eliezer – tipo do Espírito Santo; Quetura – tipo do Israel restaurado.                              
BIBLIOGRAFIA:
CABRAL, Elienai. Livro e Lição EBD do Segundo Trimestre  2019. O Tabernáculo – Símbolo da Obra Redentora de Cristo. Editora C PAD. Rio de Janeiro 2019
HABERSHON Ada. Manual de Tipologia Bíblica. Editora Vida. São Paulo, 2003
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Como Estudar e Interpretar a Bíblia. Editora CPAD, 1986
ALMEIDA, Abraão O Tabernáculo e a Igreja. Editora CPAD. Rio de Janeiro, 2018
MELO, Joel Leitão de.  Sombras, Tipos e Mistérios da Bíblia. Editora CPAD, 1989
Bíblia Tradução Revista e Atualizada. SBB
CHAMPLIIN. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia – Vl.  Editora Hagnus. São Paulo, 2006