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domingo, 11 de janeiro de 2015

Lição 03 EBD CPAD - Não terás outros deuses - 18.01.2015

Abordagem de Conteúdos Transversalizados com o Tema em Estudo
1º. Trimestre / 2015
Deuteronômio 5.6,7; 6.1-6

Reflexão: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3; Dt 5.7).

Amar a Deus, temê-lo e adorá-lo de todo coração e sinceridade – Deus é um ser singular. Por isso, a nossa adoração e devoção devem ser exclusivas.


Desde a antiguidade, contratos, convênios ou constituições seculares requerem uma boa introdução.

Na Bíblia este preâmbulo representa mais que uma mera cláusula introdutória. Do preâmbulo ao decálogo é expressa a soberania de Deus e o legítimo domínio sobre o seu povo – Israel.

“Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito da casa da servidão” (Ex 20.2; Dt 5.6).

Deus começa os Dez Mandamentos com o preâmbulo, antes de exigir deveres; antes de dar mandamentos, Deus liberta o seu povo.
A primeira ação de Deus é libertação, evangelho, dádiva – só depois vem as exigências. Eu sou o Senhor teu Deus” e “Eu te tirei da terra do Egito da casa da servidão”.

A primeira afirmação é uma declaração da autoridade divina. A segunda é uma afirmação daquilo que Ele faz:

“Eu sou o teu libertador” – uma declaração da salvação divina. Isto mostra que o fundo histórico dos Dez Mandamentos é o evangelho.

Esta expressão – “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito da casa da servidão”, é considerada o prefácio de toda a Lei (Ex 20.2).

Antes, Deus já tinha se revelado a Moisés em momentos distintos. Lá na sarça ardente (Ex 3.2-8, 13-15; 4.22,23; 5.1-3; 7.12). Agora, ao outorgar a Lei, Deus lembra que tirou Israel da casa da servidão.

A casa da servidão se tornou na Bíblia, o símbolo da opressão social que os filhos de Israel sofreram no Egito.

A terra dos faraós era uma terra de bênção como o jardim do Senhor (Gn 13.10; Dt 10.11).

Mas, por causa da opressão dos filhos de Israel, e pela dureza com a qual os mesmos eram tratados, passou a ser chamada na história como um quartel de escravos.

Daí a expressão bíblica, casa da servidão (Dt 5.6; 6.12; 7.8; 8.14; 13.5,10; Is 24.17; Is 6.8; Mq 6.4).

Os judeus da atualidade consideram Ex 20.2 e Dt 5.6, como parte do primeiro mandamento. O núcleo do primeiro mandamento é: Não terás outros deuses diante de mim (Ex 20.3; Dt 5.7).

Quando Deus diz a Israel que o tirou da casa da servidão, essa afirmação apresenta o importante argumento de que o livramento misericordioso de Deus precede as exigências da lei e forma a base para a obediência de Israel. A graça precede e motiva as obras – Esse relacionamento entre graça e obras é o mesmo na nova aliança.

“Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3; Dt 5.7). O primeiro mandamento é o testemunho da singularidade de Deus.

Vemos como o Senhor revela seu caráter, seu ser e sua ação. Não terás outros deuses diante de mim, atinge diretamente a idolatria.

Quando Deus fez essa proibição, os filhos de Israel estavam envolvidos com o bezerro de ouro (Ex 32.1-10). A religião revelada no Sinai é plenamente contra a idolatria e abomina as imagens de escultura.

A versão crítica ou negativa ao primeiro mandamento, é a condenação explícita de qualquer forma de idolatria, seja visível ou invisível.

De todas as práticas das religiões falsas, o povo de Deus deve se abster: adivinhação, feitiçaria, necromancia, bruxaria, sacrifícios humanos e superstições (Lv 18.21-30; 19.26,31; 20. 6,27; Dt 16.21; 18.9-14).

Apenas o Deus verdadeiro deve ser adorado e somente ele conhece o futuro. Ele é o único a quem o crente deve ajuda sobrenatural.

Qualquer grupo religioso que se intitule de cristão ou não, que adore imagens de escultura sob qualquer pretexto ou em nome de algum personagem, seja em cima nos céus, embaixo na terra ou debaixo da terra, está invocando demônios.

Qualquer culto ou oferenda que se faz aos elementares da terra, do ar ou das águas, são oferendas aos demônios.

Em sua primeira carta aos Co 10.18-21, o apóstolo afirma que as coisas sacrificadas aos ídolos são na verdade sacrificadas aos demônios e não a Deus.

Nos sacrifícios do AT a oferta era em favor de todos que comiam (Lv 7.15-18). Por meio deste ato as pessoas se identificavam com a oferta e afirmavam a sua devoção a Deus, a quem ela era oferecida.

Paulo por meio disto está declarando que qualquer sacrifício feito a um ídolo, significa identificar-se com esse ídolo. Um autêntico cristão não pode participar de nenhuma adoração a algum ser, a não ser a Deus.

Os ídolos e as coisas sacrificadas a eles não têm natureza espiritual nem poder nelas mesmas (1Co 10.6-8), pois os ídolos representam demônios (Ef 6.10-18).

Nos ídolos não há nada de Deus, mas, uma força espiritual satânica (Dt 32.17; Sl 106.37).

Os ídolos são artifícios em forma de imagens. Nada são, não possuem nenhum prestígio, não entendem. Têm olhos e não vêm; têm ouvidos e não escutam; têm lábios e não falam; têm cabeça e não pensam; têm braços que não se movimentam e pés que não andam (Sl 115.4-8).

São muitas as referências bíblicas que nos mostram com detalhes as implicações do primeiro mandamento (Ex 22.20).

Sacrificam aos deuses e não somente ao Senhor. Levam a destruição. Sacrifícios a ídolos é uma calamidade.

O testemunho das Escrituras é: Não se encurve às imagens de escultura (Dt 5.6-10).

Dt 13 e 14 referem-se às três espécies mais comuns de idolatria praticadas por Israel:

Altares, colunas e poste-ídolos (Ex 34.13). Essas formas visíveis tornaram-se práticas comuns no reino dividido (1º. e 2º. Reis). Por ser zeloso, Deus adverte o povo escolhido a não adorar esses deuses (Ex 34.14).

É necessário derrubar os altares, quebrar as colunas e cortar os poste-ídolos. Isso aconteceu apenas duas vezes na história de Israel:

No reinado de Ezequias (2Re 18.1-4) e Josias (2Re 22.1,2; 2Cr 34.4). Em ambos os casos o povo presenciou um avivamento espiritual.

Confiar na suficiência de Deus – A visão positiva é evidente nesta frase “Não terás outros deuses”. Nós não precisamos de deuses, porque podemos confiar na suficiência de Deus.

Não temos motivos para querer outros deuses ou precisar deles. Se Deus nos é suficiente, confiamos e esperamos somente nele.

Se temos um problema para resolver, uma decisão a tomar, oramos, acreditando que ele nos guia, como Pedro sugeriu: “...lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7).

Para aquele que crê na suficiência de Deus restam apenas palavras de gratidão e adoração. Salomão orou: “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus, nem embaixo na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti” (1Re 8.23).

Em meio a todo culto a Baal no monte Carmelo, a confiança na suficiência de Deus foi renovada, quando o fogo do Senhor consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e ainda lambeu a água que estava na valeta ao redor do altar.

Lá o povo novamente reconheceu a singularidade e exclusividade de seu Deus e confiou na suficiência dele: “O Senhor é Deus! O Senhor é Deus! (1Re 18.39).

A crença na suficiência de Deus também caracteriza a oração do rei Ezequias relatada em (1Re 19.15-19) e em (Is 37.16-20).

Nela o rei exéquias expressa sua total fé na suficiência, singularidade e exclusividade do Deus Javé: “Ó Senhor Deus de Israel, tu estás entronizado acima dos querubins, tu somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizestes os céus e a terra (2Re 19.15; Is 37.16b).

O período dos juízes encerra a triste história de um ciclo vicioso de quatrocentos e trinta anos de infidelidade espiritual de Israel.

Toleraram-se outros povos, casaram-se com mulheres pagãs, adoraram deuses falsos, tornaram-se cativos de reis estrangeiros, choraram por socorro, eram libertados por Deus mediante juízes para depois repetirem as lições não aprendidas.

O texto de 2Reis 17.33, relata a origem do sincretismo religioso dos samaritanos. Segundo o testemunho do Saltério, haverá glória, alegria, comunhão e domínio divino entre os que temem ao Senhor (Sl 16.1-3; 97.1-6, 8-12). Mas muitas penas e confusão entre os que servem imagens de esculturas (Sl 97.7).

Repetidas vezes os profetas se levantaram contra a idolatria do povo de Deus (Is 57.5-8; Jr 2.20,24; 3.6; Ez 6.1-14; Os 2.3,5), condenando de forma específica a prostituição espiritual nos lugares altos, em Israel e Judá.

As trágicas consequências da desobediência ao primeiro mandamento são: pestinência, morte, fome, rejeição, deportação, pragas e, separação da comunhão com o Senhor.

Daí podemos concluir que quebrar o primeiro mandamento significa cultuar qualquer coisa visível ou invisível, exterior ou interior, pessoal ou impessoal.

“...sabemos que o ídolo de si mesmo nada é (1Co 8.4). Com isso ele minimiza a questão, não querendo dizer que os ídolos não são uma realidade, mas que eles não possuem nenhuma divindade em si.


Fonte de pesquisa: SOARES Esequias – Comentarista da Revista do Mestre – EBD CPAD – 1tri 2015
SOARES Esequias. Os Dez Mandamentos – Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD. 1ª. Edição. RJaneiro, Outubro / 014.
CHAMPLIN. Enciclopédia de|Bíblia teologia e Filosofia Vl3
REIFLER, Hans Ulrich. A Ética dos Dez Mandamentos. Soc. Religiosa Edições Vida Nova. SPaulo, 1992.
CHAFFER. Teologia Sistemática – Vl.8 Editora Hagnus. SPaulo, 2003.
FRAME, John M. A Doutrina da Vida Cristã. Editora Cultura Cristã. SPaulo, 2013
PORTELA, Solano. A Lei de Deus Hoje. Editora Os Puritanos. SPaulo, 2000
KEVAN, Ernest. A Lei Moral. Editora Os Puritanos. SPaulo, 2000
Bíblia de Estudo Macartur – Versão Almeida Revista e Atualizada


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Lição 02 EBD CPAD - O Padrão da Lei Moral - 11.01.2015

Abordagem de Conteúdos Transversalizados com o Tema em Estudo
1º. Trimestre / 2015
Deuteronômio 9.9-11; 10.1-5

Reflexão: “Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85.10)

A transitoriedade da Lei para a dispensação da Graça – Os teólogos cristãos têm distinguido três tipos de Leis dentro do código mosaico.

Essas são as leis morais (questões do bem e mal, que não se alteram com a passagem do tempo);

as leis cerimoniais (os ritos que acompanhavam a legislações mosaica, quanto aos preceitos que não envolviam questões morais, e que podiam ser alterados com a passagem do tempo);

e as leis civis (os estatutos que governavam os cidadãos de Israel, questões agrárias, e etc. E que não tinham aplicação a povos fora da antiga nação de Israel, excetuando, talvez, como ideia sugestiva).

O argumento de muitos teólogos cristãos, pois, é que os crentes em Cristo que o aceitaram como Senhor e Salvador, estão na obrigação de observar somente os preceitos morais, ao passo que os outros tipos de lei tornaram-se obsoletos com a morte e ressurreição de Cristo  (Hb 10.1,11,12).

É verdade que o Novo Testamento incorpora a lei moral em seus ensinamentos éticos; mas faz isso através da lei espiritual.

Porém, a lei moral do Antigo Testamento não é nosso guia nem nosso impulsionador. Esses dois ofícios pertencem ao Espírito Santo (Rm 8.1).

A lei cerimonial inclui coisas que eram altamente obrigatórias e morais, como a circuncisão. Porém, o Novo Testamento descontinuou completamente essas cerimônias, que não fazem parte na prática cristã, embora ela sinalizem realidades espirituais (At 15.19,20)

– “Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue”.

A lei de Deus e os Dez Mandamentos não são a mesma coisa. Os Dez Mandamentos encabeçam os demais preceitos entregues por Deus a Moisés no monte Sinai desde Ex 19.16-19, até Lev 26.46 e 27.34.

Esses preceitos são identificados com frequência como estatutos, juízos, leis e mandamentos. Muitos deles são repetidos nos livros de Números e Deuteronômio.


Todo esse sistema legal integra o Pentateuco, que aparece na Bíblia como lei, livro da lei, lei de Moisés, lei de Deus, e lei do Senhor.

Então, o que a Bíblia quer dizer quando usa as palavras Lei de Deus? O termo aparece sete vezes nas Escrituras, quatro no AT e três no Novo, e nenhum lugar diz respeito ao Decálogo.

As quatro primeiras ocorrências referem-se a toda a lei de Moisés e ao Pentateuco como livro. Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus (Js 24.26).

E leram o livro, na lei de Deus... (Ne 8.8,18; 10.29). Assim, as expressões “lei de Deus”, Lei do Senhor” e Lei de Moisés”, dizem respeito à mesma coisa (Ne 8.1; 8.18; Lc 2.22,23).

Trata-se do Pentateuco no seu todo e não do decálogo, do livro, e não das tábuas de pedra. As outras três aparecem somente em Romanos e nenhuma dizem respeito ao Decálogo (Rm 7.22,25; 8.7).

Os preceitos cerimoniais e civis derivam dos preceitos morais. Esses três tipos de leis estão presentes no Pentateuco, entretanto, tudo é a lei de Moisés.

Mas, em nenhum lugar do NT no qual aparece o termo “Lei” afirma-se que essa lei é moral, cerimonial ou civil.

O que significa quando o Senhor Jesus declara que não veio destruir a lei, mas cumprir?

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir... ” (Mt 5.17,18).

A lei teve a função de conduzir os homens a Cristo como um aio (Gl 3.24). A lei serviu de mestre-escola ou aio, mas, assim que Cristo veio, a lei perdeu essa função (Gl 3.24). Uma vez unido ao Pai, o crente não mais precisa de aio (Gl 3.25,26).

A lei era apenas uma sombra, e não a substância própria da espiritualidade (Cl 2.16,17). Todas as obrigações morais da lei cumpre-se na lei do amor (Rm 13.8-10).

A lei e a epístola aos Hebreus – A questão da lei do AT é destacada nessa epístola. Ali a lei é vista como cumprida em Cristo, o novo Moisés, superior ao antigo Moisés.

O antigo sacerdócio, que promovia a lei e cumpria suas exigências, foi substituído por Cristo, o nosso Sumo Sacerdócio.

Toda lei teve seu cumprimento nesse novo sumo sacerdote. O verdadeiro propósito da lei consistiu em antecipar a pessoa de Cristo, que cumpria todas as exigências e ofícios representados simbolicamente na lei.

Através do novo sumo sacerdote, os homens têm acesso final a Cristo. A introdução dessa epístola afirma isto, desde as suas primeiras declarações: “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo filho” (Hb 1.1,2).

A legislação mosaica era apenas uma sombra da superior revelação que seria dada em Cristo. Assim, aquela revelação inferior fora substituída por uma revelação superior, alicerçada sobre superiores promessas.

Uma antiga aliança foi assim substituída por um novo pacto (Hb 8.3-8; 10.1). E os que eram os ministradores e guardiães da lei foram substituídos e não aprimorados pelo eterno Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo (Hb 7.28; Sl 110.4).

Dentro da teologia cristã, a graça indica o favor divino gratuitamente oferecido com base na missão de Cristo, recebida na confiança humana através de sua morte vicária no Calvário (Tt 2.11) – “Portanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”.

A graça de Deus não é um simples atributo divino da graça, mas é o próprio Jesus Cristo, a graça encarnada, a dádiva graciosa de Deus à humanidade caída (Jo 1.14)

– “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai”.

Daí o apóstolo Paulo afirmar em sua carta aos Ef 2.8,9 – “Porque pela graça sois salvos mediante a fé, isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”. (Jo 1.17).

Fonte de pesquisa: SOARES Esequias – Comentarista da Revista do Mestre – EBD CPAD – 1tri 2015
SOARES Esequias. Os Dez Mandamentos – Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD. 1ª. Edição. RJaneiro, Outubro / 014.
CHAMPLIN. Enciclopédia de|Bíblia teologia e Filosofia Vl3
REIFLER, Hans Ulrich. A Ética dos Dez Mandamentos. Soc. Religiosa Edições Vida Nova. SPaulo, 1992.
CHAFFER. Teologia Sistemática – Vl.8 Editora Hagnus. SPaulo, 2003.
FRAME, John M. A Doutrina da Vida Cristã. Editora Cultura Cristã. SPaulo, 2013
PORTELA, Solano. A Lei de Deus Hoje. Editora Os Puritanos. SPaulo, 2000
KEVAN, Ernest. A Lei Moral. Editora Os Puritanos. SPaulo, 2000
Bíblia de Estudo Macartur – Versão Almeida Revista e Atualizada



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Lição 01 - Deus dá a sua Lei ao Povo de Israel - 04.01.2015

Abordagem de Conteúdos Transversalizados com o Tema em Estudo
1º. Trimestre / 2015
Exodo 20.18-22, 24; 24.4,6-8

        Reflexão: Ora, destruídos os fundamentos, o que poderá fazer o justo?
                                                   (Salmos 11.3)


Processo de desenvolvimento da lei de Deus – Por meio de Moisés, Deus ordenou a Faraó que libertasse Israel, de modo que pudesse cultua-lo (Ex 4.22,23; 5.1-3).

Faraó endureceu o seu coração, mas Deus libertou Israel, e levou a nação a um lugar fora do Egito para cultua-lo.

Portanto, o encontro de Israel com Deus no monte Sina

É necessário atentarmos para o contexto histórico da ocasião. Foi a primeira vez que Deus falou coletivamente ao seu povo.

Existiram inúmeras preparações necessárias para ouvi-los. Estas estão todas relatadas em detalhes a partir do início do capítulo 19 do livro do Êxodo.

Quando lemos os capítulos 19 e 20 do Êxodo cuidadosamente procurando nos colocar na situação em que o povo estava passando naquela ocasião.

Podemos observar o temor do povo perante a santidade de Deus. Isso é impressionante. Tendo ouvido ao Senhor e a Moisés, o povo suplicou que Moisés intercedesse.

Após este contato com Deus tamanho era o temor do povo perante o Deus Todo-Poderoso (Ex 20.16-21). O incidente da entrega da lei e os acontecimentos mostram a fragilidade do povo de Deus, e do homem em geral.

Após a estupenda manifestação de poder e de santidade, o povo de forma muito rápida se esqueceram de Deus, e deixaram evidente sua ingratidão e criaram um ídolo, o bezerro de ouro e passaram a adorá-lo (Ex 32.1-35).

Neste capítulo fica evidente o desprezo do homem, caído, pelas ordenanças de Deus. Moisés apresenta o contexto de forma dramática: Trovões e relâmpagos (Ex 19.16; 20.18).

Espessa nuvens e trevas (Ex 20.21; Dt 4.11), um misterioso clangor de trombetas (Ex 19.16; 20.18) fumaça, fogo e terremoto (Ex 19.18), até ao meio dos céus (Dt 4.11).

Então, veio a coisa mais aterrorizante de todas: A voz do próprio Deus (Ex 19.9; Dt 4.12,33, 36; 5,22-26). Como outros milagres da Escritura, os fenômenos do Sinai fizeram três coisas: Foram as exibições do poder divino, forneceram instruções e geraram temor.

A singularidade dessa experiência (Dt 4.32,36), como os acontecimentos na montanha revelam a grandeza e a glória de Deus (Dt 5.24).

Como instrução, esses fenômenos reforçam as palavras de Deus (Dt 4.10,36). Eles servem para confirmar Moisés como o mediador da aliança de Deus (Ex 19.9; 20.18,19),

também confirmam o conteúdo da lei (Ex 20.22-26; Dt 4.10), a certeza da misericórdia e do julgamento de Deus (Dt 4.24,33) no contexto, e a identidade do próprio Deus (Dt 4.35,36).

Os fenômenos também geraram temor, nos dois sentidos que consideramos no capítulo 19: terror do julgamento (Ex 19.16; 20.18,19; Dt 5.5,25; Hb 12.18-21) e reverência santificadora (Ex 20.20; Dt 4.10).

Portanto, essa ocasião particular deixou uma marca profunda nos israelitas. Deuteronômio se refere a isso como o grande “dia da congregação”, quando o povo estava reunido (Dt 9.10; 10.4; 18.16).

Também é um grande dia na história da igreja do Novo Testamento, pois esse acontecimento também é parte da nossa história. Deus nos deu os títulos dado a Israel em Ex 19.6 e 1Pe 2.9. Chegamos ainda mais perto de Deus na nova aliança, por meio de Cristo (Hb 12.18-22).

Mas essa experiência é paralela a Ex 19. E Hebreus, como Êxodo, nos lembra que “nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29). “Então falou Deus todas estas palavras: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.1-3;).


A lei    que Deus deu a Moisés divide-se em três aspectos distintos – Não podemos conseguir a salvação seguindo leis, mas não devemos desprezar essa dádiva graciosa de Deus para nossa instrução.

É verdade que não podemos conseguir a salvação seguindo a Lei, mas também é verdade que demonstramos amor quando obedecemos os mandamentos (Jo 14.15-21).

Uma das grandes dificuldades do nosso entendimento é que a expressão “Lei de Deus” é bastante abrangente e pode ter vários significados e aspectos bíblicos.

Queremos enfatizar os aspectos morais da      Lei de Deus, bem como examinar o resumo dessa lei moral apresentada pelo próprio Deus nos Dez Mandamentos, e também de Jesus Cristo na sua resposta aos fariseus (Mt 22.34-40).

O que é a Lei de Deus – O Senhor revelou diversas determinações e deveres para o homem em diferentes épocas da história da humanidade. Sua vontade para com o homem constitui a sua Lei, e ela representa o que é de melhor para os seus.

Quando estudamos a Lei de Deus mais detalhadamente devemos, entretanto, discutir os diversos aspectos apresentados na Bíblia. Mal entendidos e doutrinas erradas podem ser evitados se conhecermos os três aspectos da Lei de Deus.

1.            A lei Civil ou Judicial
2.            A Lei Religiosa ou Cerimonial
3.            A Lei Moral

A Lei Civil – Tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel, que era temporária e necessária para a época a qual foi concedida, mas foi específica para aquele estado teocrático.

Como tal não tem aplicação normativa em nossa sociedade, (todavia existem aspectos da lei civil que são válidos para os nossos dias). Um exemplo de erro de compreensão encontrado em determinado grupo dito cristão, é que eles aplicam parte da lei civil

promulgada por Moisés em seu dia a dia, como mandamento, mas se tornam incoerentes, visto que jamais vão conseguir aplicação em sua totalidade nos dias atuais.

A Lei Religiosa ou Cerimonial – Existia com a função de impressionar os homens à santidade de Deus e chamar suas atenções para o Messias que havia de vir (Gn 3.15; Dt 18.15-18; Jo 1.29, 40-45).

O escritor aos Hebreus nos mostra como essa lei cerimonial teve seu cumprimento em Cristo que estabeleceu uma nova aliança, um novo pacto.

Como tal, essa lei teve seu cumprimento em Cristo Jesus. Essa lei foi cumprida em sua vinda e não se aplica aos nossos dias, da forma como os antigos israelitas se utilizaram no deserto, no santuário e no templo. Alguns tentam aplicar à igreja hoje, essa lei, mas a nossa lei é Cristo.

Existe determinados grupos “evangélicos” que ao interpretar o texto bíblico ao pé da letra e fora do seu contexto exegético exige o cumprimento para nosso dias,

de determinados preceitos da lei cerimonial, mas o Concílio de Jerusalém determina que não se deve perturbar aqueles que dentre os gentios se convertem a Deus, mas escreve-lhe que se abstenham das contaminações dos ídolos, das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. (At 15.19-20).


A lei religiosa ou cerimonial possui validade parcial, isto é histórica, pois se encontra entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do seu povo.

Temos também a validade didática, pois cada detalhe dela demonstra a insuficiência dos sacrifícios repetitivos e a intensidade dos pecados individuais que nos separam de Deus.

E temos sua validade reveladora. Essa ação reveladora da lei cerimonial apontava aos antigos judeus, o caminho, para o Messias (Hb 10.1-19-24), e não para nós que contamos com a completa descrição histórica da vinda do Messias prometido, Jesus Cristo.

Por isso, sua validade normativa não existe mais para os nossos dias. A lei cerimonial tendo sido cumprida em Cristo, não mais pode ser adotada como norma para aqueles que existem em nossa era, após o sacrifício do Calvário para onde a lei cerimonial apontava.

A Lei Moral (Decálogo) – De forma objetiva e didática, essa lei tem a finalidade de apontar com muita clareza aos homens os seus deveres, enquanto ao mesmo tempo revela suas carências, e o orienta no discernimento do bem e do mal.

Essa lei é aplicável em todas as épocas e ocasiões. Foi desta forma que esta lei foi apresentada a Jesus que nunca a aboliu. Ela não pode ser confundida ou misturada com as duas outras leis, civil ou cerimonial.

Então o que é a lei moral de Deus que é válida em todos os tempos e para todos os homens e em todas as gerações? Os Dez Mandamentos estabelecem tanto obrigações como limites para o homem.

Um estudo aprofundado dos Dez Mandamentos, podemos descobrir a insondável e infinita sabedoria de Deus e também a harmonia que norteiam sua palavra, enquanto deixa bem evidente a insignificância do homem caído perante Deus, e nossa dependência e necessidade da redenção de Deus.

Os Dez Mandamentos reforçam nossas obrigações para com Deus e com nossos semelhantes. Há um incidente bíblico que reafirma a lei moral para nossos dias, e reforça o relacionamento entre a lei e o amor.

A pergunta do fariseu procurando confundir a Jesus: Perguntaram a Jesus qual o maior dos mandamentos? Tentando indispor o mestre da Galileia, a pergunta dos fariseus faz referência a duas passagens das Escrituras Sagradas (Dt 6.5 e Lv 19.18).

Estes dois versículos fornecem um resumo dos Dez Mandamentos a resposta de Jesus em (Mt 22.34-40). Os mandamentos de 1 a 4 apresentam nossas obrigações para com o nosso Deus Criador.

Os mandamentos de 5 a 10 apresentam nossas obrigações para com nossos semelhantes. Jesus apresenta exatamente esse entendimento da lei (Mt 22.37-40). Temos nos acostumado a considerar “amor” como algo inatingível, indescritível, totalmente subjetivo e abstrato,

Mas o que a Bíblia nos ensina acerca do amor é muito diferente. Ele é tangível, somos recebedores e experimentamos o amor de Deus e temos a capacidade de amar aos nossos semelhantes;

Ele é descritível (1 Co 13), é totalmente objetivo, mas sobretudo, o verdadeiro amor se demonstra em ações concretas que agradam a Deus.Se me amas, guardareis os meus mandamentos (Jo 14.15). A fé cristã verdadeira tem todas as suas primícias básicas estabelecidas na objetiva Palavra de Deus.

Esta lei chama-se Decálogo ou os Dez Mandamentos. Possui validade total, como histórica, pois está entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do seu povo.

Como didática ela ensina o respeito ao nosso Criador e aos nossos semelhantes. Como reveladora, ela nos revela o caráter e a santidade de Deus, e também a pecaminosidade das pessoas.

Como normativa, ela especifica com bastante clareza o procedimento requerido por Deus à cada uma das suas criaturas que habitam a sua criação em todos os tempos (Lv 18.19; Dt 6.5; Mt 22.34-40).

Os Dez Mandamentos – Na dádiva das “Tabuas da Lei” ou nos Dez Mandamentos (Ex 20.1-13), Deus resumiu a sua lei moral, apresentando-a formalmente, e registrando-a  sucinta e objetivamente para o benefício do seu povo.

Os Dez Mandamentos representa a forma objetiva de Deus indicar o que espera de cada um de nós. No decálogo Deus não nos deu uma religião subjetiva, cujas doutrinas depende da cabeça de cada um, mas nos escreveu objetivamente a sua palavra.

Nessa palavra (a Bíblia), ele nos revelou a sua lei moral – sua vontade eterna às suas criaturas, refletindo a sua majestade e santidade. Jesus não é apenas alguém que cumpriu perfeitamente a lei, de acordo com sua humanidade.

Ele é também aquele a quem honramos e adoramos, de acordo com a sua divindade, quando cumprimos a lei.  No decálogo, a obediência segue a redenção. Deus diz a seu povo que o tirou do Egito. A lei não é algo a cumprir para merecer a redenção.

Deus já os redimiu. Cumprir a lei é o modo de agradecer a Deus pela salvação misericordiosamente dada.

Fonte de pesquisa: SOARES Esequias – Comentarista da Revista do Mestre – EBD CPAD – 1tri 2015
SOARES Esequias. Os Dez Mandamentos – Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD. 1ª. Edição. RJaneiro, Outubro / 2014.
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